Lara O amanhecer chega sem pedir permissão. E eu ainda sinto Dante. Sinto o gosto dele na minha boca, o calor dele preso na minha pele, o peso da promessa que fizemos buscar a verdade juntos. Mas, acima de tudo, sinto a estranha paz que encontrei ao dormir por poucas horas encostada no peito dele. Eu acordo antes dele. Dante está sentado na poltrona ao lado da cama, a cabeça reclinada para trás, como se tivesse lutado contra o sono a noite inteira. Ele sempre vigia. Sempre guarda. Sempre controla. Mas, pela primeira vez, vejo um Dante vulnerável, humano, cansado, destruído por dentro de maneiras que ele nunca admite. E isso me atinge com força. Eu me levanto devagar, tentando não acordá-lo. Mas assim que dou dois passos, sua voz grave surge no ar. — Vai aonde? Meu coração di

