Capítulo 26

1001 Words
Dante A casa ainda cheirava a adrenalina e pó. O corpo do invasor tinha escapado, mas os rastros dele , e o pavor que senti , continuavam cravados no meu peito. Eu odiava tudo isso. Odiava me sentir. Odiava saber que, por um segundo, eu realmente acreditei que poderia perdê-la. E isso… isso quase me destruiu. — Quero um relatório completo em dez minutos — eu rosnei para a equipe de segurança enquanto entrávamos na sala principal, ainda parcialmente destruída. Eles assentiram de imediato. Mas eu m*l os via. Meus olhos estavam fixos nela. Lara. Cabelos bagunçados, respiração irregular, a pele quente pelo susto. Mesmo assim… mesmo assim, ela estava linda. Corajosa. Forte. E teimosa. Teimosa o suficiente para ter corrido para o perigo por minha causa. Essa parte eu ainda ia resolver. — Dante… — ela começou, com aquela voz que entrava por baixo da minha pele. Eu ergui a mão. — Não agora. Ela franziu a testa, mas não insistiu. Talvez porque percebeu que minha voz estava nascendo de um lugar profundamente instável. Eu respirei fundo… e falhei miseravelmente em me acalmar. O invasor tinha passado a poucos metros dela. Se tivesse uma arma… Se tivesse tido tempo de virar o corpo… Se tivesse escolhido ela em vez de mim… Meu maxilar travou. Minhas mãos fecharam em punhos. Não. Eu não podia permitir que minha mente seguisse por aquele caminho. — Vamos para o escritório — anunciei, segurando firme a mão dela. Ela não resistiu, mas me observou como se tentasse decifrar cada camada da minha raiva silenciosa. Entramos no escritório e fechei a porta. O cômodo estava escuro, iluminado apenas pela luz baixa das prateleiras. Era o lugar mais seguro da casa naquele momento, isolado por paredes reforçadas e câmeras internas. Lara ficou parada perto da escrivaninha, e me encarou. — Dante, você está me assustando. Talvez eu estivesse assustando mesmo. Não por querer. Mas porque a verdade era simples: Eu não estava com raiva do invasor. Nem da falha na segurança. Eu estava com raiva de mim mesmo. Do que senti quando ouvi ela gritar meu nome. Do pânico que tomou conta do meu peito. Do desespero que senti quando a vi correndo para o perigo. Eu me aproximei dela devagar, passo por passo, sem desviar o olhar. Ela não recuou. Claro que não recuou. Lara nunca recuava. — Você não devia ter vindo atrás de mim — falei baixo, controlado… mas ainda assim afiado. — E você realmente acha que eu ia ficar parada enquanto você lutava sozinho? — ela retrucou, as mãos nos quadris, desafiadora. Eu fechei os olhos por um segundo. Claro que ela diria isso. Eu parei diante dela, tão perto que podia sentir a respiração quente dela contra a minha camisa. E então falei a verdade. — Eu fiquei com medo, Lara. Ela piscou, surpresa. Completamente despreparada para essa confissão. — Medo…? — ela repetiu. — Sim. — Minha voz saiu rouca. — Medo de te perder. Medo de chegar atrasado. Medo de ver o seu corpo no chão. De não ter tempo. Respirei fundo. — Medo de que você morra por minha causa. A boca dela se abriu — não em choque, mas em algo mais suave… vulnerável. E isso me fez perder completamente o controle. Segurei o rosto dela com as duas mãos, inclinando meu corpo sobre o dela, forçando-a a sentir exatamente o que ela tinha me causado. — Eu nunca senti isso antes — continuei, minha voz arranhada pela verdade. — Nunca. Passei o polegar pela sua bochecha. — E eu não sei lidar com isso. Outro toque lento. — Mas eu sei que não quero que isso acabe. Os olhos dela se encheram de algo quente… profundo. — Dante… — ela sussurrou. E foi então que percebi: ela também estava tremendo. Não de medo. Mas da mesma intensidade que me consumia. Apelei para a sinceridade mais brutal que eu tinha. — Eu prometo que não vou deixar nada acontecer com você. Mas você precisa me ajudar. Aproximei minha testa da dela. — Nunca mais corre para o perigo. Nunca. Minha voz falhou. — Porque se algo acontecer com você… eu não sobrevivo. Ela inspirou, tremendo. Uma lágrima escorreu, e ela rapidamente desviou, mas eu segurei seu queixo, forçando-a a me olhar. — Não chore por medo — eu murmurei, limpando a lágrima com o dedão. — Chore de raiva de mim, se quiser. Chore de frustração. Meu toque desceu para a nuca. — Mas não chore achando que eu vou a algum lugar sem você. Lara fechou os olhos, vencida. E então… ela desabou contra mim. Não de fraqueza. Mas de confiança. Me agarrou pelo pescoço, pressionando o corpo ao meu com uma intensidade que me desarmou completamente. — Eu achei… achei que você ia se machucar — ela confessou contra meu peito, a voz embargada. Eu a envolvi nos braços, segurando-a firme, sentindo o cheiro do cabelo dela, o corpo quente, a respiração acelerada. — Eu estou aqui — murmurei contra sua têmpora. — Inteiro. Beijei sua cabeça, um gesto instintivo. — Por você. Ficamos ali por longos segundos… talvez minutos… respirando um no outro. Tudo ao redor desapareceu, a casa destruída, o invasor, os seguranças se reorganizando lá fora. Até que ela levantou o rosto para mim — e eu perdi o fôlego. Os olhos dela brilhavam. Não de choro. Mas de algo muito mais perigoso. — Dante… — ela sussurrou. — O que a gente faz agora? A resposta saiu de mim com a certeza de quem finalmente parou de negar o próprio destino: — Agora… nós dois vamos atrás dele. Minha mão deslizou até a cintura dela, firme. — E vamos fazer isso juntos. Ela assentiu sem hesitar. E naquele momento, uma aliança silenciosa, quente, devastadoramente poderosa, nasceu entre nós. Não éramos mais aliados por conveniência. Não éramos mais apenas parceiros de investigação. Não éramos mais apenas dois fugitivos correndo das sombras. Agora éramos algo muito mais perigoso: Um. Nós. Inteiros. Contra tudo.
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