Capítulo 23

1153 Words
Dante Eu já vi muita coisa desabar. Eu já perdi mais do que qualquer homem deveria perder. Já fui traído, caçado, usado. Mas ver o rosto da Lara quando aquela mentira apareceu na tela do Marco? Não, Isso… eu não aceito. O ar ao redor dela mudou. A força dela, tão vibrante ontem à noite, tão viva nos meus braços, ficou frágil só por um instante, mas eu vi, Eu senti. E esse único instante é suficiente para me transformar no pior tipo de inimigo. Eu puxo Lara para mim, firme, protegendo o corpo dela com o meu enquanto minha mente entra no modo em que fui treinado desde cedo: Frio. Calculado. Letal. Marco ainda está na porta, respirando rápido. —Quem autorizou essa postagem? — pergunto, com a voz mais calma do que sinto. Marco engole seco. —O tio dela, senhor. Mas… tem mais. —Fala — ordeno. Ele passa o celular para mim. Eu pego. Vejo o resto do texto. A foto dela. O título mentiroso. E abaixo… a assinatura. Consórcio da Mesa Alta. Eu quase rio. Rafael. Claro que é ele. E agora ele cruzou uma linha que não existia. —Marco — digo, devolvendo o celular — chame o Vico, o Rainer e o Luca. Agora. Reunião completa. Sala de comando. Marco arregala os olhos. —A… agora, chefe? Quer dizer, esse nível é… é protocolo vermelho. —Foi o que eu disse. Protocolo vermelho. Ele sai quase tropeçando. Eu volto para Lara. Ela está sentada na ponta da cama, os ombros encolhidos, a expressão perdida mas os olhos… os olhos me procuram. Droga. Ela confia em mim. E isso é a coisa mais perigosa que já colocaram nas minhas mãos. Eu me ajoelho na frente dela. Seguro seus joelhos. Levanto o rosto para olhar direto nos olhos dela. —Lara — digo, firme, forte, deixando cada palavra pesar — olha para mim. Ela olha. Os olhos dela ainda brilham, mas não existe fraqueza ali. Existe dor. E existe força. —Eu não fiz isso — ela sussurra, a voz tremendo. — Eu nunca roubei meu pai. Nunca. Eu o ajudei. Eu tentei, eu tentei salvar a empresa com ele. Foi ele… — a voz falha. — Foi ele que confiou no meu tio. E meu tio destruiu tudo. Meu maxilar trava. O tio dela destruiu tudo. E agora está destruindo ela. —Eu acredito em você — digo, sem hesitar, sem deixar espaço para dúvida. — Nada vai mudar isso. Nada. Ela respira fundo e fecha os olhos, como se minhas palavras fossem uma âncora. —Mas o mundo vai acreditar no contrário — ela murmura. —O mundo não manda em mim — respondo, mais duro do que planejei. — Nem em você. Ela abre os olhos. E a esperança que eu vejo ali… me destrói. Eu me levanto. —Se arruma — digo, pegando meu casaco. — Temos trabalho a fazer. —Dante… você vai aonde? —Resolver isso. —Sozinho? Eu olho para ela por cima do ombro. —Lara… você acha que eu alguma vez fiz algo sozinho desde o momento em que te conheci? Ela abre a boca, mas não diz nada. Bom, Porque eu não estou dizendo isso para acalmá-la. Não é uma frase vazia. É a verdade. Ela faz parte do meu movimento agora — do meu tabuleiro. Do meu destino. Do meu domínio. E o que acontece com ela acontece comigo. —Mas… você vai machucar o meu tio? — ela pergunta, com a respiração presa. A pergunta certa. A pergunta difícil. Eu caminho até ela, Seguro o rosto dela entre minhas mãos. —Eu vou fazer o que for necessário para impedir que ele te destrua. — digo, sério, firme, sem doçura, sem filtro. — Porque ninguém toca em você. Ninguém. Ela treme. Eu sei que ela entende. Ela sabe quem eu sou. E mesmo assim, fica. Eu a beijo. Não curto. Não suave. Um beijo firme. Um selo. Uma promessa. —Eu volto para você — digo contra os lábios dela. E saio. ****** Já na sala de comando Vico está na minha esquerda. Rainer na direita. Luca de frente. Marco ao lado da tela. Todos sabem que, quando eu ativo o protocolo vermelho, ninguém respira sem minha ordem. —Relatório — digo. Marco coloca o dossiê na mesa. —O tio dela vendeu as informações para o Consórcio — ele diz. — E o Rafael autorizou a postagem. Eles querem manchar o nome da Lara publicamente antes do torneio. Faz parte de um plano maior. —Maior como? — pergunto. Luca abre uma pasta. —Eles querem acusá-la oficialmente, de Crime financeiro, Parou a empresa, O tio vai testemunhar. Eles querem impedir que ela entre no torneio como jogadora limpa. Meu sangue ferve. —E qual é o objetivo final? — pergunto. Rainer responde, —Forçar ela a vender a parte dela na empresa da família. O Consórcio quer comprar por preço de miséria. E o tio vai lucrar. Eu fecho os punhos. Faz sentido. É sujo. É típico. É Rafael. —E qual é a reação da imprensa? — pergunto. —Caos — Marco responde. — Eles estão devorando a história. —E eles acreditam? — pergunto, apesar de já saber a resposta. —Sim. Obviamente. Eu me levanto. —Vamos destruir essa história — digo. — E depois vamos destruir quem a criou. Silêncio mortal. Eles esperam o plano. Eu já tenho. — Parte 1: Limpar o nome dela. Eu aponto para Marco. —Você vai vasculhar os arquivos da empresa do pai dela. Tudo como as Transações, registros, assinaturas, auditorias. Quero tudo que prove que ela não desviou nada. Marco acena. — Parte 2: Expor o tio. —Rainer, você vai levantar tudo que o tio está escondendo. Dívidas, Fraudes, Acordos com o Consórcio, Quero cada vírgula, cada erro, cada crime. Rainer sorri de lado. —Vai ser um prazer. — Parte 3: Avisar Rafael. Eu olho para Luca. —Você vai marcar uma reunião com ele. Hoje. Ele não vai postar mais nada sem falar comigo. Se postar… Sorrio. Frio. —Ele vai entender o que significa me desafiar usando ela. Todos ficam tensos. Eles sabem o que isso significa. ***** Quando tudo é decidido, eu saio da sala. Rápido. Direto para o carro. Tenho um destino. E não é Rafael. Não ainda. É o tio dela. Porque antes de enfrentar o chefe do Consórcio. Eu vou olhar nos olhos do homem que destruiu o pai dela. Que traiu a própria família. Que ousou tocar o nome da mulher que eu amo. Sim. Eu admito isso para mim mesmo, finalmente. Eu amo ela. E é por isso que, quando entro no carro e dou a ordem… —Levem-me até ele. …ninguém questiona. Porque todos sabem: Quem toca em Lara… toca em mim. E a última pessoa que fez isso… Nunca mais apareceu.
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