CAPÍTULO 64 Narrado por Condor A guerra que a gente sempre espera vem de fora. Dos rivais, dos traidores, das polícias. Mas ninguém prepara a alma pra descobrir que o buraco mora do lado. Que o inimigo sorri na nossa frente, bota café na nossa mesa e ora por nós com a boca suja de sangue. Pascoal voltou com o olhar de quem viu o inferno. Não precisou dizer muito. Ele sempre foi calado, mas o pouco que disse bastou pra eu entender: tínhamos um nó dentro do nosso próprio morro. E era um nó podre. — Tem coisa muito grande por trás disso, Condor. Tráfico de gente. Criança. Mulher. E a ponta desse novelo é a tia da Honda. Respirei fundo. Conhecia a Honda desde quando ela chegou aqui de chinelo de dedo com sua tia que a tratava como filha. Até herança ela disse que os pais tinham d

