CAPÍTULO 4 — MELISSA NARRANDO
Oi, meu nome é Melissa, sou irmã do Brayan, vulgo Condor.
Tenho 19 anos e todo mundo me chama de princesinha do morro... mas eu detesto esse apelido, é chato pra c*****o. Sou calada, na minha. Mas, na hora certa, eu falo.
Deixa eu me apresentar melhor: sou clara, cabelos e olhos castanhos, os olhos iguais aos da minha mãe. Baixinha, 1 metro e 60.
Gosto do meu corpo, sou malhada. Tenho três tatuagens.
A mais importante é uma rosa em chamas tatuada bem na minha i********e — na testinha da criança.
Só vai ver quem for escolhido pra ser meu esposo.
Eu tenho sentimentos pelo Arcanjo. Ele nem sabe...
Talvez porque nunca me olhou de verdade.
Fica só nessa p*****a com meu irmão. Sei que cada um tem sua p**a fixa.
A do meu irmão é a Mabel. A do Arcanjo... não conheço.
Mas eu tenho uma informante no morro. A Honda, minha amiga.
Ela vigia, tira foto, manda tudo pra mim. E disse que ele não tem ninguém.
Conheci a noiva do meu irmão.
Linda. Trocamos telefone, ficamos amigas.
Tudo que meu irmão faz, eu mostro pra ela.
Mandei até foto dos dias que ele entrou e saiu da casa da Mabel.
As marmitas que pega lá no Abate, os horários certinhos.
Ela também já sabe que ele levou a Mabel pra casa de Angra e passou dois dias lá.
Chegou domingo à noite e tá dormindo até agora.
Tirei foto do corpo dele todo marcado enquanto dormia. Mandei com a seguinte mensagem:
mensagem on
TENTA BOTAR CABRESTO NO GARANHÃO. SEJA MULHER.
mensagem off
[...]
Estamos no dia da noiva, num salão chique em Copacabana.
Sim, chegou o grande dia do casamento.
Claro que a Honda tá comigo. Minha mãe, a mãe da Indyara, e uma prima dela chamada Rochelle — essa aí é doida, já disse que vai causar.
Mostrei as fotos da Mabel pra minha cunhada, das marmitas que o Condor pega...
Quero evitar surpresa. Kkkkkkk.
Aviso mesmo. Vamos ver como vai ser essa convivência.
A Indyara tá linda de noiva. Somos madrinhas — eu e a Honda.
Meu par é o Arcanjo, o da Honda é o Lip, gerente geral da boca.
A Rochelle entrou com o Zeus, chefe da segurança.
Minha mãe entrou com meu irmão. A mãe da noiva com o pai, que deixou ela no altar e foi buscar a noiva.
E quando ela apareceu...
Meu Deus...
Ela tava uma rainha.
Vestido armado, coroa de esmeraldas com ouro dourado.
Ao invés de véu, uma capa branca, bordada com pedras, cobrindo os ombros.
Maquiagem leve, cabelo preso num coque com fios soltos nas laterais.
Buquê com flores vermelhas e laranja, enfeitado com fios dourados.
E sabe quem chegou depois que a noiva entrou?
A Mabel.
Sim, ela mesma.
Meu irmão ficou nervoso. Mas seguiu o casamento.
Não teve votos... eles só se viram uma vez antes.
Mas meu irmão botou vapores dia e noite vigiando ela. Kkkkk.
Depois diz que não sente nada.
Ele e a Mabel passaram a festa inteira trocando olhares.
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CONDOR NARRANDO
Então chegou o dia do casamento.
Tô nervoso.
Ontem fiquei com a Mabel... ela teve uma crise de ciúme.
Mandaram uma foto da Indyara pra ela, provocando, dizendo que era natural.
Claro que a Mabel ficou mexida.
Mas o importante sou eu, e eu tava lá com ela.
A gente brigou feio. Ela chamou minha mulher de vagabunda.
Dei um tapa. Ela caiu. Deixei lá no chão e fui embora.
Fui pra casa da Cinco. Chamei uma marmita só pra aliviar o saco.
(...)
Agora tô aqui na igreja, pensando que depois do "sim" tudo muda.
Não posso mais ser visto com p**a na garupa.
Tenho que andar no sapatinho até tomar posse da cadeira do comando.
Letícia: — Tá dormindo, meu filho? Tô te chamando faz tempo. Tá na hora, vamos.
— Antes de subir naquele altar, quero te dar um conselho: trata tua esposa com carinho. Mesmo que você não a ame, respeita.
Outra coisa, seja carinhoso. É a primeira vez dela, e eu sou tua mãe...
Sei que você tem um exagero no meio das pernas.
Então, não vai tratar ela na cama como se fosse uma v***a.
Ela vai ser tua mulher. Você vai ser o primeiro ali, entendeu?
Faz isso por você, pro seu filho — ou filha — ser feito com carinho. Agora vamo.
Condor: — Caraca, minha mãe quando quer, mexe fundo na alma. Vou lembrar de cada palavra. Não posso ramelar na primeira noite.
As portas se abrem.
Mano... ela tá linda pra c*****o.
Vestido de princesa.
A capa branca com pedras brilhando, e uma coroa de ouro e diamantes — presente do CJ, era pro casamento dela com o filho dele.
Os aliados do comando estavam todos ali.
O Cobra arregalou o olho pra minha mulher.
Fechei a cara. Vi maldade ali.
Fiquei ligado.
Olhei pra entrada. Minha noiva ainda vindo, e a Mabel apareceu.
Gelei.
Fiz sinal pro Arcanjo ficar de olho.
Todo mundo do comando sabe que ela é meu caso fixo.
Cobra olhou de novo.
Sorriso de canto, malicioso.
Fiquei puto com ela por me colocar nessa saia justa.
Fiquei puto com o Cobra por estar desejando o que é meu.
Mas minha noiva... tava linda demais.
Saímos pro salão de festa. Ela tem bom gosto.
Cuidou de tudo. Pessoalmente.
Arrastei a Mabel dali. Falei pra ela ir pra casa, depois eu dava um jeito de ir.
Mas quando fui saindo, dei de cara com minha mãe.
Ela só me olhou. A cara fechada. Balançou a cabeça, negando.
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INDYARA NARRANDO
Tô nervosa.
Não paro de pensar naquele homem lindo.
Depois que ele não me olhou como eu queria, fiquei mexida.
Sei que ele tem uma amante de anos... vai ser difícil superar.
Ela tem experiência. Eu não sei nada da vida.
Tenho 17 anos. Sou baixinha.
Será que ele vai gostar de mim?
Ou vai me tratar como uma esposa de contrato?
Tô com medo da primeira noite. Dizem que dói, que sangra.
Tô apreensiva.
Bonifácio: — Ô, menina! Tá na hora. Tá pensando em quê?
— Fica calma. Já deu tudo certo. Trata teu marido bem pra não viver de olho roxo.
Agora você não vai mais tá com sua mãe. Vai tá só.
Não quero ligação por qualquer coisa, entendeu?
Segue tua vida.
Vamos logo. Desfaz essa cara de choro.
(...)
Quando cheguei no altar, ele tava hipnotizado.
Mas de repente, ele mudou.
Ficou tenso. Nervoso.
Olhei pros bancos... ela tava lá. A p*****a.
Não acreditei. No meu casamento!
E o pior: ele me largou no meio do salão.
Foi atrás dela, puxou pra área da piscina... e beijou ela.
Como eu sei?
A Honda tirou foto.
Me mandou.
Ver que ele não gosta de mim me machucou muito.
Meus olhos marejaram... mas não deixei cair uma lágrima.
Três da manhã, cortamos o bolo.
Minha mãe me chamou no quarto do salão pra conversar.
Verônica: — Minha filha, daqui a pouco você vai pra casa pra consumar o casamento.
Vai doer, mas vai ser rápido. Respira fundo, aguenta.
Mostra a mulher determinada que você é.
Impõe respeito. Grita se tiver que gritar.
Não abaixa a cabeça pra ninguém — principalmente pras putas que a gente sabe que ele tem.
Seja uma lady na rua... e uma p**a na cama.
Vai lá e dá seu nome.
Ela me beijou na testa e saiu.
Minha cunhada entrou.
Melissa: — Aí, cunhada... vai na fé. Segura meu irmão de jeito.
Confesso que... tô com medo