7 Será que um dia vou encontrar ela novamente?

817 Words
Capítulo 7 Thiago Não tem um dia sequer em que eu não pense nela. Às vezes me pego encarando o teto do quarto, perguntando a mim mesmo se um dia a Helena vai voltar... se vai me dar a chance de explicar tudo. Mas tem algo me incomodando mais do que a saudade — uma desconfiança que me corrói por dentro. E se a Thais estiver escondendo ela? Se for verdade, minha prima pode esquecer que um dia teve um lugar no meu coração. Traição, ainda mais vindo de quem eu sempre amei como uma irmã, eu não perdoo. Ela aparece de vez em quando, fica por pouco tempo e vai embora rápido demais. Desvia o olhar, evita perguntas... e quanto mais ela foge, mais eu sinto que tem algo errado. Eu preciso saber onde a Helena está. Preciso olhar nos olhos dela e contar o que realmente aconteceu. Meu pai não fala mais comigo. Já meu irmão... depois de muita insistência, ele aceitou me encontrar amanhã. Pelo menos isso. Ele já tem onde ficar, então não vou pedir nada. Sei que fui longe demais e perdi muita coisa — talvez tudo. Mas se um dia a Helena voltar, quero que veja o homem que eu me tornei. Depois da conversa com meu irmão, vou até a casa do pai dela. Não posso continuar esperando o destino resolver tudo por mim. Por agora, estou morando no apartamento que um amigo deixou comigo enquanto viaja. O lugar é bom, mas vazio. Preciso comprar comida, roupas... montar alguma estrutura. Ainda assim, nada me distrai dos pensamentos sobre ela. Se eu soubesse desde o início que era a Helena, teria feito tudo diferente. O pai dela continua procurando, contratou até um investigador. Mas, sinceramente, acho que ela não quer ser encontrada. E isso me mata por dentro. Thais sumiu. Estou pensando em ir atrás. Preciso saber se ela está bem... e, quem sabe, arrancar alguma verdade. Hoje a balada não vai abrir, então é a chance perfeita. Mando uma mensagem avisando que estou indo. Não espero resposta. Pego o carro e vou direto para a casa dos meus tios. Toco a campainha e espero. Dois minutos depois, a porta se abre — e eu congelo. Ela está irreconhecível. Cabelos bagunçados, olhos inchados, pijama velho. Nunca vi a Thais assim. — Meus pais saíram. — Ela fala antes mesmo de eu dizer qualquer coisa. — Eu fiquei em casa... ainda tentando entender o que aconteceu. A Helena só deixou uma carta... e sumiu. O silêncio entre nós é denso. Ela me encara por alguns segundos, surpresa com a minha visita. Depois abre a porta e me deixa entrar. Me sento no sofá, e ela vem logo atrás. — Nossa, Thais... — digo, observando seu estado. — Você tá acabada. O que tá acontecendo? — Tô só com dor. Coisas da vida... nada demais. — Dor? Sei. — Fico de olho nela. — Pode confiar em mim. Você sabe disso, né? Somos amigos também. Ela hesita por um segundo, mas sorri sem vontade. — Não é nada. Sério. Ela não vai abrir o jogo. Isso tá na cara. Conversamos por um tempo, mas não consigo tirar mais nenhuma informação. Quando me despeço, ela suspira — quase aliviada. Thiago Achei que dessa vez conseguiria arrancar alguma verdade, mas a Thais é mais fechada do que parece. Se ela mentiu ou realmente não sabe de nada, o tempo vai mostrar. Ainda penso nela, todos os dias. Helena foi a única mulher que amei de verdade. Talvez esteja na hora de deixá-la no passado, seguir em frente... guardar esse amor em um canto do peito onde ninguém mais possa tocar. Mas se for obra do destino, um dia a gente ainda vai se encontrar. E eu só espero estar vivo até lá. Meses passaram. A balada está indo bem, finalmente dei entrada em um apartamento novo, estou mobiliando aos poucos. Já penso até em abrir minha própria boate. Meu pai reapareceu, pediu perdão por tudo e quer que eu volte pra empresa. Ponderei... afinal, quando mais precisei dele, ele virou as costas. — Posso trabalhar das seis da manhã até as dezoito. Depois disso, tenho minha boate — avisei. Ele hesitou, mas aceitou. O que me soou estranho. Perguntei do meu irmão. — Não me fale daquele moleque. — A raiva na voz dele era clara. — Disse que ia ajudar, fazer e acontecer, e simplesmente sumiu por semanas. Quando voltou, só queria saber de bebida. Sua mãe acabou alugando um apartamento pra ele. Até agora, não sei onde tá com a cabeça. — E ele não fala com ninguém? — Sua mãe desconfia que ele tá apaixonado por alguém... mas ele não revela quem é, de jeito nenhum. Fiquei em silêncio. Um arrepio correu pela minha espinha. E se... Não, impossível. Mas, se for isso mesmo, tudo pode mudar. E não necessariamente para melhor.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD