Um primeiro passo

714 Words
📘 O Campeão de Seul Capítulo 18 — Um Primeiro Passo Três dias tinham passado desde a luta. Para surpresa de todos, a r*****o entre Jun-woo e Daichi tornara-se... menos hostil. Não eram amigos. Nem perto disso. Mas já não eram apenas rivais. Era mais uma trégua silenciosa. Embora Daichi continuasse a mandar seguranças vigiarem discretamente a irmã. --- Numa manhã ensolarada em Seul, Jun-woo encontrava-se no ginásio a terminar uma sessão de treino quando o telemóvel vibrou. Ao olhar para o ecrã, ficou imóvel. Ha-yun: "Estás ocupado hoje à tarde?" Min-jae, que estava ao lado, percebeu imediatamente a mudança de expressão. — Quem é? Jun-woo guardou rapidamente o telemóvel. — Ninguém. — Ah, claro. O famoso "ninguém". Jun-woo ignorou-o e respondeu: Jun-woo: "Depende. Porquê?" Poucos segundos depois: Ha-yun: "Gostava de sair contigo. Sem seguranças, sem irmãos possessivos e sem lutas." Jun-woo não conseguiu evitar sorrir. Min-jae arregalou os olhos. — Ele sorriu! Pessoal, ele sorriu! Todo o ginásio começou imediatamente a rir. Jun-woo lançou um olhar ameaçador para todos. — Treinem. --- Na mansão Nakamura, Ha-yun esperava ansiosamente pela resposta. Quando viu a mensagem, sorriu. Jun-woo: "Parece perfeito. Onde?" Ela pensou durante alguns segundos antes de responder. Ha-yun: "Surpresa." --- Algumas horas depois. Jun-woo estacionou o carro no local indicado. Era um pequeno parque junto ao rio Han. Calmo. Tranquilo. Muito diferente dos locais movimentados onde costumava estar. Ha-yun já estava lá. Usava roupas simples: umas calças claras, uma camisola larga e o cabelo solto. Quando o viu aproximar-se, sorriu imediatamente. — Chegaste. Jun-woo aproximou-se. — Não podia faltar. Ela observou-o durante alguns segundos. — Ainda estás magoado pela derrota? Jun-woo soltou uma pequena gargalhada. — Um pouco. — O meu irmão é assustador no octógono. — Fora dele também. Ha-yun começou a rir. — Tens razão. Os dois começaram a caminhar ao longo do rio. Pela primeira vez desde que se conheceram, não havia tensão. Não havia seguranças visíveis. Não havia rivalidade. Apenas eles. — Sabes — começou Ha-yun — quando acordei do coma, achei que nunca voltaria a viver normalmente. Jun-woo ouviu em silêncio. — Tinha medo de tudo. Lugares cheios. Pessoas desconhecidas. Até atravessar uma rua parecia assustador. Ela baixou ligeiramente o olhar. — O meu irmão fez tudo para me proteger. — Eu sei. — E sou grata por isso. Pausa. — Mas às vezes... acho que ele se esqueceu que eu sobrevivi. Jun-woo parou. Ha-yun também. — O que queres dizer? Ela olhou diretamente para ele. — Ele continua a agir como se eu ainda estivesse naquela cama de hospital. O silêncio instalou-se. Então Jun-woo falou: — Talvez porque ele nunca saiu daquele hospital. Ha-yun ficou surpresa. Jun-woo continuou: — Acho que uma parte dele ainda está lá, à espera que acordes. Os olhos dela ficaram ligeiramente húmidos. — Nunca tinha pensado nisso. --- Ao longe, dentro de um carro preto estacionado discretamente. Daichi observava os dois. Ao lado dele, um segurança falou: — Senhor, devemos aproximar-nos? Daichi permaneceu em silêncio. Observou a irmã rir. Um riso genuíno. Algo raro nos últimos anos. Depois respondeu: — Não. O segurança ficou surpreendido. Daichi desviou o olhar. — Apenas mantenham distância. --- Já perto do final da tarde, Jun-woo e Ha-yun sentaram-se num banco junto ao rio. O pôr do sol refletia-se na água. — Obrigada por vires — disse Ha-yun. — Obrigado por me convidares. Ela sorriu. — Ainda não desisti de ser tua fisioterapeuta. Jun-woo sorriu. — O teu irmão vai adorar ouvir isso. Ha-yun revirou os olhos. — Não o provoques. — Não prometo nada. Ela começou novamente a rir. Mas, naquele instante, o telemóvel dela tocou. No ecrã aparecia apenas: Oppa. Ha-yun suspirou. — Fala-se do diabo... Jun-woo riu. Ela atendeu. — Sim, Oppa? Do outro lado, a voz calma de Daichi: — Onde estás? — A passear. Silêncio. — Com ele? Ha-yun olhou discretamente para Jun-woo. — Sim. Nova pausa. — Volta para casa antes de escurecer. Ela sorriu involuntariamente. — Está bem. Desligou. Jun-woo arqueou uma sobrancelha. — Ainda muito protetor? — Muito. — E irritante? Ha-yun sorriu. — Extremamente. Os dois levantaram-se e continuaram a caminhar lentamente. Sem saberem que, nas sombras, alguém os observava. Alguém que não fazia parte dos homens de Daichi. Alguém do passado. E esse reencontro mudaria tudo. Continua...
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