instintos e cuidado

602 Words
📖 Almas de Fera Capítulo 88 – Instintos e Cuidado A manhã seguia calma no quarto real, com a luz dourada a atravessar as cortinas e a cair suavemente sobre a cama onde Zaira descansava. Kael continuava sentado, com a pequena raposa aninhada no seu colo, como se aquele fosse o lugar mais seguro do mundo. Selene observava em silêncio, satisfeita por finalmente ver a filha em paz. Foi então que a porta se abriu novamente. Uma das servas entrou com passos cuidadosos, segurando uma bandeja coberta. — Majestade… — disse ela, inclinando-se. — O curandeiro preparou isto. O ambiente mudou ligeiramente. Zaira ergueu imediatamente as orelhas. Kael também ficou atento. — O que é? — perguntou ele. A serva hesitou por um segundo, depois aproximou-se e colocou a bandeja sobre a mesa. Ao retirar a cobertura, revelou-se carne fresca e crua, cuidadosamente preparada em pedaços pequenos e limpos. Selene franziu ligeiramente a testa. — Carne crua? A serva assentiu. — O curandeiro disse que é para a princesa. Para ajudar na nutrição e na recuperação da energia. Kael olhou para Selene. — Isso é normal? Selene pensou por um momento. — Para raposas reais… especialmente em forma instintiva… pode ser. Nesse instante, Zaira já tinha mudado completamente de comportamento. O seu corpo ficou mais atento. As orelhas estavam erguidas. A cauda mexia lentamente. Kael percebeu imediatamente. — Estás com fome? Zaira não respondeu com palavras. Ela apenas se levantou no colo dele… e inclinou-se na direção da bandeja. Selene sorriu levemente. — O instinto dela está a assumir o controlo. Kael colocou-a cuidadosamente na cama. — Devagar. A pequena raposa saltou para a mesa com leveza. Durante alguns segundos, apenas cheirou a carne. Depois começou a comer. Rápido. Mas não de forma descontrolada — mais como alguém que finalmente está a repor algo que faltava há muito tempo. Kael observava em silêncio. — Nunca a vi assim… Selene aproximou-se. — É a forma mais pura dela. Sem preocupações, sem responsabilidades… apenas instinto e sobrevivência. Zaira parou por um segundo, olhou para eles… e voltou a comer. Arion entrou nesse momento no quarto. — Desculpem interromper. Todos olharam para ele. — Recebemos um relatório das fronteiras do norte. Kael limpou as mãos e levantou-se imediatamente. — Fala. Arion entregou-lhe o documento. — Pequenos sinais de atividade mágica estranha. Nada confirmado, mas os guardas dizem que a energia parece… instável. Selene ficou séria. — Ainda há consequências do que aconteceu no templo. Kael apertou o papel. — Vharok. O nome caiu pesado no quarto. Zaira parou de comer por um segundo. As orelhas dela baixaram ligeiramente. Kael olhou para ela. — Não te preocupes. Zaira desviou o olhar, mas aproximou-se lentamente dele outra vez, como se quisesse garantir que ele continuava ali. Selene suspirou. — Ela sente tudo. Arion cruzou os braços. — E isso pode ser perigoso. Kael respondeu firme: — Não enquanto eu estiver aqui. Zaira voltou a comer, mais calma desta vez. Mas agora, ocasionalmente, olhava para Kael entre cada pedaço, como se precisasse confirmar constantemente que ele não ia desaparecer. Selene reparou nisso e baixou o olhar, emocionada. — Ela não está apenas a recuperar o corpo… Kael olhou para ela. — O que queres dizer? Selene respondeu suavemente: — Ela ainda está a recuperar a confiança. Silêncio. Kael aproximou-se da mesa, colocou a mão suavemente sobre o pelo dela. — Então vamos dar-lhe isso… um dia de cada vez. Zaira encostou-se à mão dele. E continuou a comer em silêncio. Lá fora, o mundo continuava instável. Mas naquele quarto… Havia apenas família. E um começo de cura. Continua...
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