Dias de tranquilidade

574 Words
📖 Almas de Fera Capítulo 87 – Dias de Tranquilidade Na manhã seguinte, os primeiros raios de sol atravessaram as enormes janelas dos aposentos reais. Pela primeira vez em muitos dias, tudo estava calmo. Nenhum rugido distante. Nenhuma corrida desesperada. Nenhuma batalha. Apenas paz. Kael abriu lentamente os olhos. Durante a noite inteira, Zaira permanecera na forma de raposa, profundamente adormecida contra o seu peito. Uma das pequenas patas dela estava pousada sobre a mão dele, como se quisesse garantir que ele não desapareceria enquanto ela dormia. Kael sorriu suavemente. — Tão teimosa... Como se tivesse ouvido, uma orelha ruiva mexeu-se. Poucos segundos depois, Zaira abriu lentamente os olhos verdes. Por alguns instantes, ela apenas o observou. Depois olhou rapidamente à volta do quarto. Ao perceber que Kael continuava ali, o corpo dela relaxou imediatamente. A cauda começou a abanar devagar. — Bom dia, pequena raposa. — Mrr. Kael riu. — Ainda não queres voltar à forma híbrida? Zaira virou a cabeça, fingindo ignorá-lo. Naquele instante, alguém bateu à porta. — Entre — respondeu Kael. Selene entrou acompanhada de duas criadas, que traziam o pequeno-almoço. Ao ver Kael ainda ali, a rainha sorriu. — Vejo que conseguiste sobreviver à ira da minha filha. Kael soltou uma pequena gargalhada. — Por pouco. Zaira soltou um pequeno som indignado. — Mrrr! Selene aproximou-se da cama e acariciou delicadamente a cabeça da filha. — Como te sentes hoje, meu amor? A pequena raposa hesitou. Depois apontou com o focinho para a comida. Selene percebeu imediatamente. — Com fome? A cauda de Zaira abanou. — Isso é um ótimo sinal — comentou Selene. As criadas colocaram cuidadosamente a bandeja sobre uma mesa próxima. Mas, assim que uma delas se aproximou demais, Zaira eriçou ligeiramente o pelo. Kael percebeu. — Acho que ela prefere ficar apenas connosco por enquanto. As criadas fizeram uma reverência e saíram silenciosamente. Selene suspirou. — Os instintos protetores estão realmente muito fortes. Kael acariciou o pelo ruivo. — Isso vai passar? — Com o tempo, sim. Mas neste momento ela está vulnerável física e emocionalmente. Zaira aproximou-se ainda mais de Kael. Selene sorriu. — Principalmente em r*****o a ti. Nesse instante, Arion entrou no quarto. — Recebemos notícias das patrulhas. Todos ficaram imediatamente atentos. — O que aconteceu? — perguntou Kael. — Nenhum sinal de Vharok desde o colapso do templo. Kael franziu a testa. — Isso não significa que desapareceu. — Eu sei — respondeu Arion. — Mas, por enquanto, parece que o reino está seguro. Pela primeira vez em semanas, uma sensação de alívio percorreu o quarto. Kael olhou para Zaira. Ela já tinha começado a comer algumas frutas, ainda na forma de raposa. A forma como segurava delicadamente os pedaços com as pequenas patas fez Selene sorrir emocionada. — Ela fazia exatamente isso quando era criança. Kael observou a pequena raposa durante alguns segundos. Depois disse: — Quando tudo isto acabar... quero levá-la ao Reino dos Leões para conhecer oficialmente o povo como futura rainha. Selene e Arion trocaram um olhar. — Ela ficará muito feliz — respondeu Selene. Nesse instante, Zaira levantou a cabeça. As suas orelhas ergueram-se. — Mrr? Kael sorriu. — Sim. Mas só quando estiveres completamente recuperada. A pequena raposa pareceu pensar por alguns segundos. Depois saltou novamente para os braços dele e enroscou-se confortavelmente. Parecia que, por agora, ela não tinha qualquer intenção de sair dali. E Kael também não se importava nem um pouco. Continua...
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