Cartas para o meu leão

628 Words
📖 Almas de Fera Capítulo 104 – Cartas para o Meu Leão Na manhã seguinte, depois do pequeno-almoço, Zaira permaneceu algum tempo sentada junto à grande janela dos seus aposentos. A luz do sol iluminava a mesa de madeira onde havia tinta, penas e folhas de pergaminho. Ela observou tudo em silêncio. Depois sorriu. — Ele escreve para mim todos os dias... Selene, que estava a bordar numa poltrona próxima, levantou o olhar. — Então porque não lhe escreves também? Zaira piscou os olhos. — Eu... Ela olhou novamente para a mesa. Era verdade. Recebia cartas dele constantemente. Mas nunca tinha parado para pensar que também podia enviar as suas. A rainha sorriu. — Tenho a certeza de que ele vai ficar muito feliz. Zaira levantou-se lentamente. Uma das mãos apoiava a barriga já bastante grande, enquanto a outra se apoiava na mesa para manter o equilíbrio. Sentou-se cuidadosamente na cadeira. Pegou na pena. Mas ficou parada. — O que escrevo? Selene riu baixinho. — Escreve aquilo que estás a sentir. Zaira respirou fundo. Molhou a ponta da pena na tinta. E começou. As primeiras palavras saíram devagar. Depois, quase sem perceber, a tinta foi preenchendo o pergaminho. Ela contou que estava a descansar melhor. Que os filhotes estavam cada vez mais ativos. Que a mãe e o pai não a deixavam fazer praticamente nada sozinha. Que sentia saudades dele em todos os momentos do dia. Quando terminou, releu tudo. Sorriu timidamente. — Acho que ficou bom... Selene aproximou-se. — Posso ver? Zaira entregou-lhe a carta. A rainha leu atentamente. No final, sorriu com os olhos brilhantes. — Está linda. Zaira corou ligeiramente. — Achas mesmo? — Tenho a certeza de que ele vai guardá-la para sempre. Pouco depois, uma águia mensageira foi preparada. Zaira aproximou-se da varanda. Segurava cuidadosamente o pergaminho enrolado. Acariciou a cabeça da ave. — Leva-a até ele. A águia abriu as asas. Com um forte bater de asas, desapareceu no céu. Zaira acompanhou-a com o olhar até deixar de a conseguir ver. Depois colocou uma mão sobre o ventre. — Agora é esperar... --- Dois dias mais tarde... No Reino dos Leões. Kael encontrava-se na sala do conselho. Vários nobres discutiam mapas e tratados comerciais. Um conselheiro falava sem parar sobre colheitas. Outro discutia patrulhas. Foi então que alguém bateu à porta. — Majestade. Um guarda entrou sorrindo. — Chegou uma carta. Kael levantou imediatamente a cabeça. — De quem? O guarda entregou-lhe o pergaminho. Assim que viu a pequena fita vermelha que Selene costumava usar nas mensagens da família, um enorme sorriso apareceu-lhe no rosto. — É dela... Os conselheiros trocaram olhares divertidos. Um deles sorriu. — Majestade... pode ler. Nós esperamos. Kael nem tentou esconder a felicidade. Abriu rapidamente a carta. À medida que lia, o sorriso tornava-se cada vez maior. Chegou mesmo a rir baixinho ao ler a parte em que Zaira dizia que os pequenos pareciam querer transformar a barriga dela num campo de corridas. Um dos generais aproximou-se. — Boas notícias? Kael dobrou cuidadosamente a carta. — As melhores possíveis. Levantou-se. Olhou novamente para o pergaminho. Depois levou-o cuidadosamente ao peito. — Ela escreveu-me. O velho conselheiro sorriu. — Então hoje será impossível tirar esse sorriso do vosso rosto. Kael riu. — Provavelmente. Naquela noite, já sozinho nos seus aposentos, voltou a ler a carta. Uma vez. Duas. Três. No final, colocou-a cuidadosamente dentro de uma pequena caixa de madeira onde guardava apenas os objetos mais importantes da sua vida. Ao lado da primeira flor que Zaira lhe oferecera. E do lenço bordado por ela meses antes. Sentou-se junto à janela e começou imediatamente a escrever outra resposta. Porque, enquanto a distância os separava, aquelas cartas eram a forma de continuarem juntos, um pouco todos os dias. Continua...
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