um ventre cheio de esperança

570 Words
📖 Almas de Fera Capítulo 95 – Um Ventre Cheio de Esperança O quarto permanecia mergulhado num silêncio tranquilo. Kael continuava deitado no chão, junto à cama, sem tentar forçar Zaira a sair. A pequena raposa mantinha a cabeça apoiada na mão dele. Pela primeira vez em muitos dias, parecia sentir-se um pouco mais segura. Foi então que o velho curandeiro se ajoelhou a alguns passos de distância. Observou Zaira atentamente, sem fazer movimentos bruscos. Os seus olhos demoraram-se sobre o ventre arredondado da princesa. A expressão dele mudou. Selene reparou imediatamente. — O que foi? O curandeiro permaneceu em silêncio durante alguns segundos. Depois respondeu com calma: — A barriga dela... está muito maior do que seria esperado nesta fase. Kael olhou imediatamente para Zaira. Agora que ela estava um pouco mais estendida debaixo da cama, conseguia ver melhor. O ventre dela estava realmente muito grande para a pequena forma de raposa. Mesmo encolhida, era impossível não notar. Kael sentiu um aperto no coração. — Isso significa que há algum problema? O curandeiro abanou a cabeça. — Ainda não podemos concluir isso. Selene aproximou-se mais. — Então por que está tão grande? O curandeiro respondeu com serenidade. — Existem várias possibilidades. Pode ser simplesmente uma gestação mais adiantada do que imaginávamos, ou os filhotes podem estar a desenvolver-se muito bem. Precisamos examiná-la antes de tirar conclusões. Kael voltou a olhar para Zaira. Ela respirava lentamente. Parecia muito cansada. O ventre subia e descia a cada respiração. Ele acariciou-lhe delicadamente a cabeça. — Pequena raposa... precisamos cuidar de ti. Zaira abriu os olhos devagar. Olhou para Kael. Depois para o curandeiro. As orelhas baixaram um pouco. Ela não parecia querer afastar-se, mas também não queria que ninguém se aproximasse demasiado. Selene falou com toda a doçura que conseguiu. — Meu amor... ninguém te vai magoar. A pequena raposa soltou um som baixo. — Mrr... O curandeiro sorriu. — Não vou fazer nada sem a confiança dela. Ele retirou-se um pouco, dando-lhe espaço. Passaram-se alguns minutos. Kael permaneceu imóvel. Não insistia. Não fazia perguntas. Apenas estava presente. Lentamente, Zaira começou a sair de debaixo da cama. Primeiro apareceu o focinho. Depois as patas dianteiras. E, por fim, todo o corpo. Quando ficou completamente visível, todos prenderam a respiração. O ventre dela estava muito arredondado. Ao caminhar devagar até Kael, os movimentos eram mais lentos e cuidadosos do que antes, como se o peso a obrigasse a avançar com calma. Selene levou uma mão ao peito. — Ela está tão cansada... Kael inclinou-se e apoiou delicadamente uma mão sob o peito da pequena raposa para ajudá-la a subir para a cama. Zaira aceitou a ajuda sem resistir. Assim que se deitou sobre os lençóis macios, suspirou baixinho e fechou os olhos por um instante. O curandeiro aproximou-se apenas o suficiente para observá-la. Depois sorriu com tranquilidade. — O mais importante agora é que ela volte a alimentar-se e descanse. Vamos acompanhá-la de perto todos os dias. Kael assentiu. — Não vou sair do lado dela. Selene sorriu, emocionada. — Nem nós. Zaira abriu lentamente os olhos ao ouvir aquelas palavras. Olhou para a mãe. Depois para o pai. Por fim, para Kael. A cauda moveu-se devagar sobre o colchão. Como se, finalmente, acreditasse que não precisava mais esconder-se. E, pela primeira vez em duas semanas, voltou a adormecer num lugar onde podia sentir a presença da sua família ao seu redor. Continua...
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD