Ele olhou para um ponto fixo na parede, o lugar onde imaginou pendurar um quadro caríssimo, disputado em um desses leilões de esnobes cheios da nota. A ideia de ter uma bela pintura para ser ignorada por ele próprio todos os dias o deliciava. Era como se mostrasse à arte o quanto ela estava abaixo do vil metal. O homem mais importante à civilização não era aquele que expressava seus sentimentos e os recônditos mais profundos da alma humana através da arte. O homem mais importante era aquele que tinha o poder econômico para dar preço à criação da alma do artista. Um dia Juan Colombo foi o esnobe que deu preço à arte e a comprou. E, mais uma vez: comprou-a para ser ignorada, presa à parede por pregos de menos de cinquenta centavos. Mas agora Colombo era o cara que olhava fixamente para a pa

