Quando Heitor era adolescente, a mãe dizia que ele era sensível como um poeta, e o pai, por outro lado, comparava-o a um animal selvagem que jamais seria domesticado pela sociedade ou pelo amor. Fazia quatro meses desde que a segunda vigarista tinha partido da fazenda, e ele raramente pensava na primeira. Sabrina, no entanto, não saía da sua cabeça. E assim fazia as tarefas maquinalmente e cometia erros. Mandou e-mail para o cliente errado, marcou jantar de negócios e se esqueceu de comparecer, perdeu a data de um leilão. Começou a beber cerveja e cachaça com os vaqueiros. Machucou o dedo cortando o arame de uma cerca, quase despencou da escada ao desentupir as calhas do celeiro principal e, para coroar a fase de azar, caiu do cavalo. Foi uma queda com direito à plateia. O cavalo era conh

