Capítulo 10

778 Words
— Se vamos continuar nos encontrando, preciso de garantias. Isso é para sua segurança e para a minha. Baixei os olhos para o papel. O documento era curto, apenas uma página. Ele continuou: — Leia com calma e atentamente. Se tiver dúvidas, pode perguntar. Engoli seco. Meu coração acelerou um pouco, mas respirei fundo e comecei a ler. O contrato estabelecia algumas regras básicas: 1. Discrição absoluta. Nenhuma informação sobre Yanek, seu nome ou qualquer detalhe dos encontros poderia ser compartilhado com ninguém. 2. Nada era obrigatório. Eu poderia recusar qualquer pedido dele, sem consequências. 3. Compensação financeira. Ele se comprometia a pagar uma quantia generosa por cada encontro. Cláusula de Exclusividade 4. Eu me comprometia, durante a vigência daquele contrato, a manter exclusividade no relacionamento estabelecido com o contratante. Enquanto o acordo estivesse em vigor, eu não poderia manter relações, fossem elas íntimas ou financeiras, com qualquer outro s*********y, patrocinador ou indivíduo que desempenhasse papel semelhante ao dele. 5. Duração indeterminada. O contrato poderia ser encerrado por qualquer uma das partes a qualquer momento. Terminei de ler e levantei os olhos para ele. — Então... isso significa que não há nada que eu seja forçada a fazer? — Exatamente. Soltei o ar devagar. — E você paga por cada encontro? — Sim. — Quanto? Yanek inclinou a cabeça, como se avaliasse a pergunta. — Cinco mil dólares por mês. Arregalei os olhos. — O quê? Ele sorriu levemente, claramente se divertindo com a minha reação. — Achei que fosse uma quantia razoável. — Razoável? Ri, sem humor. — Isso é mais do que eu ganho em um ano! — Então imagino que tenha motivos para considerar a proposta. Mordi o lábio, voltando a olhar para o contrato. Era muito dinheiro. Dinheiro que resolveria todos os meus problemas. Pagaria meu aluguel por meses, me tiraria daquela lanchonete, talvez até me ajudasse a começar algo melhor. Mas aceitar esse acordo significava entrar no mundo de Yanek. E ele era um homem perigoso, no sentido de que eu não sabia o que esperar dele. — Se eu assinar isso... Eu disse, ainda olhando para o papel. — O que exatamente você espera de mim? Yanek inclinou-se um pouco para frente. — Apenas sua companhia. Por enquanto. Havia algo na forma como ele disse “por enquanto” que me fez sentir um arrepio. Levantei os olhos para ele. Yanek sustentou meu olhar, paciente, esperando minha resposta. Respirei fundo. Eu precisava daquele dinheiro. E, contra todas as probabilidades, havia algo em Yanek que me fazia querer entendê-lo melhor. Então, peguei a caneta que ele havia deixado sobre a mesa. E assinei. ... Saí do hotel sentindo uma mistura confusa de emoções. Eu estava excitada com a nova perspectiva que se abria diante de mim, mas também ansiosa. Acabara de assinar um contrato com um homem que m*l conhecia, e agora estava presa a um acordo que, apesar de vantajoso, ainda parecia nebuloso. Gabe me esperava na entrada do hotel, com o carro já preparado. Assim que entrei no veículo, ele deu a partida sem precisar de mais instruções. No caminho de volta para casa, fiquei olhando pela janela, perdida em pensamentos. Eu não precisaria mais voltar à lanchonete. Essa ideia me deixou extasiada por alguns segundos. Trabalhar naquele lugar sempre fora uma tortura para mim, mas até agora eu não tivera escolha. Agora, tudo havia mudado. Puxei o celular do bolso e mandei uma mensagem para Zoe. Eu: "Acho que fiz uma loucura, mas também pode ser a melhor coisa que já aconteceu comigo." Resumi a história e ela logo respondeu. Zoe: "Você assinou o contrato??" Eu: "Sim. E ele me disse que vai me pagar por seis meses mesmo que acabe antes." Zoe: "AMIGA!!! Você basicamente ganhou um prêmio na loteria das Sugar Babies!!!" Eu: "Não sei se vejo dessa forma ainda..." Zoe: "Me encontra hoje depois do seu expediente. Vamos comemorar." Sorri, balançando a cabeça. Assim que cheguei em casa, tentei relaxar, mas não consegui. Meu coração ainda estava acelerado pela decisão que eu havia tomado. À noite, no fim do expediente, finalmente criei coragem e fui até meu gerente para pedir demissão. Ele não ficou surpreso. — Eu sabia que você não duraria muito tempo aqui, Bárbara. Você tem cara de quem nasceu para coisas maiores. Sorri, agradecendo, mas não me dei ao trabalho de explicar o que estava prestes a fazer com a minha vida. Pouco depois, encontrei Zoe no bar que costumávamos frequentar. — Ao futuro! Ela ergueu o copo de cerveja, mas eu apenas sorri, segurando um copo de água. — Não posso beber. Tenho exames amanhã. — Isso é ainda melhor! Zoe riu.
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