Capítulo 001
Bárbara | Babi 💖 - Leme | RJ 🌞
__ não vai. - pedi em um fio de voz segurando nossa filha no colo enquanto ela dormia. - por favor Emerson. - falei já sentindo as lágrimas cair sobre meu rosto.
Vejo ele engolir em seco e desviar o olhar para os amigos que também se despediam da família.
__ me desculpa loira. - pediu e eu neguei com a cabeça sentindo mais e mais lágrimas descendo sobre meu rosto. - é o meu sonho, minha carreira pô. - falou e meu coração despedaçou de vez.
__ também era seu sonho, a nossa família.- falo com a voz rouca já de tanto tentar segurar o choro, ele segura em minha nuca olhando em meus olhos.
__ vocês são o meu sonho realizado, mas não posso largar minha carreira dessa forma, são apenas dois anos, vai passar rápido e logo logo vou estar de volta pra vivermos nossas vidas. - apenas assenti engolindo o choro que tava entalado na garganta.
Conheço o Emerson desde do ensino médio, estudamos juntos desde do primeiro ano e de cara nos apaixonamos, estudávamos integral, passávamos a semana inteira juntos, o dia todo.
No início tentei ignorar as olhadas, os sorrisos, as investidas, mas quando fui ver, já estava apaixonadíssima por ele e nem um beijo ele tinha me dado, só as brincadeiras bobas fez eu me apaixonar.
Acabamos ficando e um tempo depois ele pediu pra namorar, aceitei.
Namoramos escondidos por um ano, depois ele pediu aos meus pais que não viram problema e deixaram e estamos juntos até hoje, sete anos depois.
__ até breve amor do papai. - falou com a Helena que dormia nos meus braços, cheirou a cabeça dela e me olhou nos olhos novamente. - até breve amor. - falou e beijou minha testa, não consegui falar nada, só olhar ele subir naquele maldito avião.
Me desespero e começo a chorar, sinto minha visão ficar embaçada e meu peito apertar, só tínhamos ele e ele nos largou dessa forma, entendo que sempre foi o sonho dele servi ao quartel fora do brasil e tals, mas agora não era o momento, nossa filha acabou de fazer dois meses de vida, não sei se consigo dar conta de tudo sozinha, p***a.
Respirei fundo novamente engolindo o choro e peguei meu celular, chamando o Uber.
Morávamos desde que casamos há quatro anos atrás no Leme, ap super tranquilo, o salário dele e a herança que meus pais deixaram dar pra nos sustentar muito bem, tenho também minha confeitaria, mas no momento ela está de recesso, por conta da gravidez e do pós, tive que me ausentar e não tenho ninguém de confiança pra deixar no comando.
Então, por enquanto tô vivendo só da herança mesmo.
__ bom dia. - falo com o motorista do Uber que dá apenas um sorriso.
O caminho foi tranquilo, apesar de ser horário de pico, trabalhador indo trabalhar, adolescente indo pra escola, tava sem trânsito e logo chegamos em casa.
__ obrigada. - desço do carro já que a partida já estava paga, aperto o interfone e seu Chico olha me vendo, aperta o botão lá e logo abre o portão pra mim.
__ bom dia seu Chico. - desejo e ele sorrir pra mim acenando com a mão, aperto o elevador e logo chega também, graças a Deus vazio.
Entro com a minha bebê já querendo acordar pra mamar e balanço ela pra não acordar nos escândalos que só ela sabe fazer.
Aperto o quinto andar e espero chegar lá enquanto continuo ninando minha filha.
__ vê se não acorda agora em bebê linda de mamãe, preciso de um banho antes de tudo. - murmuro com ela entrando em casa e quase infarto quando vejo um monte de homem dentro da minha casa. - tá maluco Everton? - falei com o filho da p**a do meu cunhado, que nem i********e tem comigo pra invadir minha casa assim.
__ É Vt pô, bagulho feio tá explanando nome assim. - falou e eu revirei os olhos.
__ namoral? Pouco me importa, só quero que você e seus capangas saiam da minha casa, tô cansadona e não sei se deu pra perceber, teu irmão não tá aqui. - falei estressada, nunca gostei muito do Everton, sempre achei ele muito pra frente, se acha pra c*****o, só porque comanda a p***a da facção que domina o rio de janeiro, mas por ser irmão do meu esposo, acabava engolindo e ele também, apesar do mundo do Everton ser totalmente diferente do mundo do Emerson, os dois tentava o máximo manter uma relação boa e eu admirava isso.
__ é por isso mesmo que tô aqui loira. - debochou e eu ignorei indo até a cozinha ouvindo os passos dele atrás de mim. - teu maridão pediu pra eu cuidar de você e da lelê, e tu aqui no cu do mundo eu não consigo, por isso vim te buscar. - acabei não aguentando e rir alto acordando a Helena no meu colo que resmungou.
__ e quem te iludiu dizendo que eu vou? - perguntei e peguei minha garrafa de água.
__ não sei se tu sabe, mas teu marido é um polícial e teu cunhado um bandido, tu é um prato cheio pra quem tá doido pra botar a mão em nós, tu e a lelê, se tu quer botar a vida de vocês em jogo, é contigo mesmo. - jogou sujo e eu engoli em seco, só de imaginar essa possibilidade.
__ sempre querendo as coisas do teu jeito né? - falei e ele deu de ombros. - vou só organizar umas coisas minhas e dela e podemos ir. - ele assentiu e eu fui em direção ao quarto, sentando na cama com a minha filha ainda no colo, com os olhos abertos me olhando como se falasse que tudo iria ficar bem, e eu custei, mas preferi acreditar naquilo.