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Dois Mundos

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Blurb

Bárbara se vê completamente perdida quando Emerson, seu marido — o homem que tanto insistiu em ter uma filha — decide ir embora poucos dias após o nascimento da criança. Segundo ele, precisa servir ao exército fora do país.

Abandonada com uma filha recém-nascida e tentando lidar com a dor de se sentir deixada para trás, Bárbara acredita que nada poderia tornar sua situação ainda mais complicada.

Mas ela estava enganada.

Antes de partir, Emerson toma uma decisão sem sequer consultá-la: deixa Bárbara e a pequena filha sob os cuidados e a proteção de Everton, seu irmão.

Everton é completamente diferente de Emerson. Enquanto um escolheu servir ao exército, o outro escolheu um caminho perigoso, marcado pelo tráfico, pela violência e por segredos que Bárbara jamais imaginou conhecer.

Agora, obrigada a conviver com o cunhado e a se aproximar de um mundo que sempre tentou manter distância, Bárbara precisará descobrir até onde Everton está disposto a ir para proteger a família.

Mas uma pergunta permanece:

Emerson realmente foi servir ao exército… ou existe algo muito maior escondido por trás de sua partida?

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Capítulo 001
Bárbara | Babi 💖 - Leme | RJ 🌞 __ não vai. - pedi em um fio de voz segurando nossa filha no colo enquanto ela dormia. - por favor Emerson. - falei já sentindo as lágrimas cair sobre meu rosto. Vejo ele engolir em seco e desviar o olhar para os amigos que também se despediam da família. __ me desculpa loira. - pediu e eu neguei com a cabeça sentindo mais e mais lágrimas descendo sobre meu rosto. - é o meu sonho, minha carreira pô. - falou e meu coração despedaçou de vez. __ também era seu sonho, a nossa família.- falo com a voz rouca já de tanto tentar segurar o choro, ele segura em minha nuca olhando em meus olhos. __ vocês são o meu sonho realizado, mas não posso largar minha carreira dessa forma, são apenas dois anos, vai passar rápido e logo logo vou estar de volta pra vivermos nossas vidas. - apenas assenti engolindo o choro que tava entalado na garganta. Conheço o Emerson desde do ensino médio, estudamos juntos desde do primeiro ano e de cara nos apaixonamos, estudávamos integral, passávamos a semana inteira juntos, o dia todo. No início tentei ignorar as olhadas, os sorrisos, as investidas, mas quando fui ver, já estava apaixonadíssima por ele e nem um beijo ele tinha me dado, só as brincadeiras bobas fez eu me apaixonar. Acabamos ficando e um tempo depois ele pediu pra namorar, aceitei. Namoramos escondidos por um ano, depois ele pediu aos meus pais que não viram problema e deixaram e estamos juntos até hoje, sete anos depois. __ até breve amor do papai. - falou com a Helena que dormia nos meus braços, cheirou a cabeça dela e me olhou nos olhos novamente. - até breve amor. - falou e beijou minha testa, não consegui falar nada, só olhar ele subir naquele maldito avião. Me desespero e começo a chorar, sinto minha visão ficar embaçada e meu peito apertar, só tínhamos ele e ele nos largou dessa forma, entendo que sempre foi o sonho dele servi ao quartel fora do brasil e tals, mas agora não era o momento, nossa filha acabou de fazer dois meses de vida, não sei se consigo dar conta de tudo sozinha, p***a. Respirei fundo novamente engolindo o choro e peguei meu celular, chamando o Uber. Morávamos desde que casamos há quatro anos atrás no Leme, ap super tranquilo, o salário dele e a herança que meus pais deixaram dar pra nos sustentar muito bem, tenho também minha confeitaria, mas no momento ela está de recesso, por conta da gravidez e do pós, tive que me ausentar e não tenho ninguém de confiança pra deixar no comando. Então, por enquanto tô vivendo só da herança mesmo. __ bom dia. - falo com o motorista do Uber que dá apenas um sorriso. O caminho foi tranquilo, apesar de ser horário de pico, trabalhador indo trabalhar, adolescente indo pra escola, tava sem trânsito e logo chegamos em casa. __ obrigada. - desço do carro já que a partida já estava paga, aperto o interfone e seu Chico olha me vendo, aperta o botão lá e logo abre o portão pra mim. __ bom dia seu Chico. - desejo e ele sorrir pra mim acenando com a mão, aperto o elevador e logo chega também, graças a Deus vazio. Entro com a minha bebê já querendo acordar pra mamar e balanço ela pra não acordar nos escândalos que só ela sabe fazer. Aperto o quinto andar e espero chegar lá enquanto continuo ninando minha filha. __ vê se não acorda agora em bebê linda de mamãe, preciso de um banho antes de tudo. - murmuro com ela entrando em casa e quase infarto quando vejo um monte de homem dentro da minha casa. - tá maluco Everton? - falei com o filho da p**a do meu cunhado, que nem i********e tem comigo pra invadir minha casa assim. __ É Vt pô, bagulho feio tá explanando nome assim. - falou e eu revirei os olhos. __ namoral? Pouco me importa, só quero que você e seus capangas saiam da minha casa, tô cansadona e não sei se deu pra perceber, teu irmão não tá aqui. - falei estressada, nunca gostei muito do Everton, sempre achei ele muito pra frente, se acha pra c*****o, só porque comanda a p***a da facção que domina o rio de janeiro, mas por ser irmão do meu esposo, acabava engolindo e ele também, apesar do mundo do Everton ser totalmente diferente do mundo do Emerson, os dois tentava o máximo manter uma relação boa e eu admirava isso. __ é por isso mesmo que tô aqui loira. - debochou e eu ignorei indo até a cozinha ouvindo os passos dele atrás de mim. - teu maridão pediu pra eu cuidar de você e da lelê, e tu aqui no cu do mundo eu não consigo, por isso vim te buscar. - acabei não aguentando e rir alto acordando a Helena no meu colo que resmungou. __ e quem te iludiu dizendo que eu vou? - perguntei e peguei minha garrafa de água. __ não sei se tu sabe, mas teu marido é um polícial e teu cunhado um bandido, tu é um prato cheio pra quem tá doido pra botar a mão em nós, tu e a lelê, se tu quer botar a vida de vocês em jogo, é contigo mesmo. - jogou sujo e eu engoli em seco, só de imaginar essa possibilidade. __ sempre querendo as coisas do teu jeito né? - falei e ele deu de ombros. - vou só organizar umas coisas minhas e dela e podemos ir. - ele assentiu e eu fui em direção ao quarto, sentando na cama com a minha filha ainda no colo, com os olhos abertos me olhando como se falasse que tudo iria ficar bem, e eu custei, mas preferi acreditar naquilo.

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