Capítulo 003

1127 Words
Bárbara | Babi 💖 - Jacarezinho | RJ 🌙 Escuto o chorinho fino e alto da minha bebê no outro quarto e levanto da cama desesperada, olhando da janela do meu quarto, o sol ainda estava raiando e tudo que eu menos queria era incomodar as pessoas com o choro dela. Suspiro fundo apressando os passos até o quarto dela, vendo a porta meio aberta e o chorinho acalmando aos poucos. __ qual foi feinha do tio, se acalma aí, chora não pô. - faço careta ao ouvir ele chamar minha filha de feia. Entro de vez e vejo ela toda torta no colo dele, enquanto resmungava baixinho parando o choro. __ feio é tu. - murmurei com a voz rouca de sono e ele me olhou de lado balançando minha filha no colo. - ela tá com fome, vou amamentar ela. - sentei na cadeira ali perto, pegando a almofada de amamentação encaixando em baixo dos p****s. __ vem mamãe. - estiquei os braços e ele estalou a língua no céu da boca se aproximando de mim e entregando minha bonequinha no meu braço. Vejo o olhar dele descer para meus p****s e acabo ficando sem jeito, sinto o sutiã cirúrgico que estou todo molhado e sujo de leite, só aí eu percebi que tava só de sutiã e shortinho curto molezinho. Vejo ele suspirar e desviar o olhar, penduro a fralda de pano da minha bebê em cima do peito e desabotoou o sutiã, colocando o peito na boca dela, gemendo assim que ela pega onde tava machucado. __ calma filha, vai devagar por favor. - pedi sentindo a dor do c*****o que é amamentar com o peito ferido, p**a que pariu viu. __ vou buscar água lá em baixo, vai querer? - ouço a voz dele, mas não conseguia encarar, parecia ter uma tensão entre nós, coisa que nunca existiu. __ pega minha garrafa rosa que tá lá na geladeira e um chocolate por favor. - ouço ele dar um risinho e sair do quarto. Olho pra minha bebê quase dormindo enquanto mama devagarinho, ela é tão perfeita que não dar nem pra acreditar que é minha. Se passou uma semana que estamos aqui e nada de notícia do Emerson, nenhuma mensagem se quer, em compensação ver todos os meus status, até curtir ele curtiu, custava uma mensagem? Talvez esteja ocupado ou algo assim, mas eu só queria saber se ele chegou bem ou como está tudo por lá, é f**a se sentir um peso na vida da pessoa. Me sinto frustrada, frustrada por ter acreditado nele, por me anular por tanto tempo por ele e no final ele me jogou pra escanteio e se mandou sem pensar duas vezes. Suspiro sentindo um apertozinho no coração e saio dos meus pensamentos vendo minha neném soltar o peito bêbada de tête e dormindo, melhor imagem da vida. Escuto os passos no corredor e me ajeito guardando o peito, levanto levando ela até o berço e ajeitando ela lá que resmungou mais dormiu. __ toma feia. - ouço ele falar e me esticar a água e o chocolate, pego sem olhar pra ele por ainda estar me sentindo desconfortável, nunca fiquei assim na frente de nenhum cara, a não ser o Emerson. - preciso trocar um papo contigo. - falou sério e eu assenti. __ vou só pôr uma roupa e desço. - ele assente saindo do quarto. Vou andando até o meu quarto enquanto como o chocolate, pode? Não pode por conta da amamentação, mas eu estou um poço de nervos e um pedacinho não vai matar ninguém. Entro no quarto indo direto para o guarda roupa e pego um vestidinho solto pondo no corpo. Termino de comer o chocolate jogando o papelzinho no lixeiro por ali e vou descendo enquanto bebo água, vejo ele sentado no sofá fumando um cigarro e sem camisa, engulo em seco, eu não posso estar me sentindo atraída pelo meu cunhado, em hipótese alguma, não posso. __ pode falar. - falo e me sento no sofá de frente pra ele, vejo ele engolir em seco e desviar o olhar, como se o que fosse me falar mudaria tudo. __ é sobre o Emerson. - fala sério e minha postura vacila, meu coração acelera e meu corpo arrepia de uma forma r**m. - ele se meteu em um bagulho muito complexo aqui no Rio, por isso precisou sair fora do Brasil. - arregalo os olhos. - eu poderia ajudar se fosse algo relacionado aos meus b'os, mas não é, é muito mais complexo, envolve os milicianos e os caras do outro lado, querem a cabeça dele a todo custo, por isso ele precisou meter o pé. - levanto atordoada. - ele não queria deixar vocês pra trás, mas lá não poderia proteger vocês, lá é ele por ele, e por isso eu me envolvi no bagulho, ajudei ele a vazar e dei a minha palavra que cuidaria de vocês duas, mas o bagulho é que os caras tão atrás de vocês valendo, botou as caras e tudo na tv, não sei como eles conseguiram o bagulho e eu preciso dar no pé com vocês também. - neguei com a cabeça sentindo meus olhos encher de lágrimas, como o Emerson foi capaz disso? Sabendo que tínhamos uma filha bebezinha e mesmo assim nos colocou como bala de canhão. - não vamos muito longe, mas não podemos ficar parado por muito tempo, nossa vida por um tempo vai ter que ser de galho em galho, eu só preciso que tu confie em mim e faça o que eu tô falando, sem estresse, só tô abrindo pra tu o bagulho, porque sei que se eu não explicasse tu ia brecar e ia dar errado. - assinto sentindo as lágrimas cair sobre meu rosto, me sentindo perdida e com muito medo, não por mim e sim por minha filha, ela m*l nasceu e já tá passando por uma situação tão fodida assim. __ só me promete que vai cuidar da Helena se acontecer alguma coisa Everton. - peço com as lágrimas descendo sobre meu rosto e ele suspira se aproximando de mim, sinto ele segurar em minha nuca e fecho os olhos, não gosto de ser fraca na frente de ninguém, mas numa situação dessa não tem como. __ nada vai acontecer loira, sou capaz de morrer pra proteger vocês, só confia em mim, Jae? - pergunta baixinho e eu assinto chorando, sinto ele me puxar e beijar minha testa, encosto a cabeça no peito dele me permitindo chorar, era uma mistura de sentimentos, me sentia frustada, abandonada, com medo e ao mesmo tempo segura, segura nos braços dele, coisa que era pra eu sentir com o meu marido, estou sentindo com meu cunhado.
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