Bárbara | Babi 💖 - Jacarezinho | RJ 🌞
Suspiro fundo sentindo o carro parar em frente de uma casa enorme na favela do jacarezinho, tô ligada que não é definitivo, até porque ele nunca para em uma favela só.
Seguro firme minha filha em meu colo e saio do carro atraindo olhares, talvez por estar com o frente da favela, já estou vendo os boatos que vai rolar.
Foi só um olhar dele para as pessoas que todo mundo enfiou o olho no cu e fingiu que eu nem estava ali, sinto ele pôr a mão na minha cintura e me guiar até dentro da casa, ainda era umas nove da manhã e eu já estava mortinha de fome, amamentar tem dessas, quanto mais como, mais fome sinto.
__ vou ter que resolver um bagulho, mas não precisa ficar acanhada não, os quartos lá em cima você pode ficar a vontade, a primeira porta é o meu, e tem mais dois, um eu ajeitei pra lelê, tem berço e tudo, o outro você pode ficar, mas se achar melhor coloco uma cama no quarto dela. - apenas assenti sem conseguir responder nada, estava caindo a ficha agora que realmente eu vou precisar ficar dois anos com ele. - tem a Lígia que trabalha aqui fazendo almoço e faxina, deve tá pelos acessos aí, depois nós se bate. - falou da maneira dele e se saiu me deixando naquela casa enorme sozinha.
Suspiro fundo e começo a subir a leva de escadas que tinha pra chegar no primeiro andar, perdi as contas quando cheguei no dez, mas algo me dizia que uns kilos eu iria perder com essa escada.
Ando pelo corredor longo e gelado, porque até no corredor tem ar condicionado e por fim chego até o quarto que ele tinha dito que era dela.
Fiquei realmente surpresa por estar vendo um quarto todo bonitinho, todo rosinha, com alguns desenhos na parede, música de fundo baixinha pra neném dormir, lugar de trocar ela e até onde amamentar, ele realmente pensou em tudo, coisa que nem o pai dela pensou.
Odeio fazer essa comparação, ou pensar nele de forma r**m, mas se não fosse por mim, nem quarto minha filha teria, é f**a.
Lembro que na época que decidi montar o quarto dela tive que implorar por ajuda, tanto financeira como para montar, ele dizia que a gente ia resolver e nunca saia do lugar, tive que montar o quartinho dela uma semana antes dela nascer.
Enfim, passado é passado, mas não posso deixar de me sentir magoada, ainda mais quando envolve minha filha.
__ olha filha, agora você tem dois quartos, seu titio montou esse aqui só pra você, olha que lindo. - falei como se ela fosse entender e coloquei ela no trocador, precisava dar um banho nela, amamentar e pôr para dormir novamente.
__ não chora amor, mamãe vai fazer tudo rapidinho pra você voltar pro seu sono de princesa. - brinquei e tirei a roupa, deixando ela só de fralda.
Subir a escada do trocador pra proteger ela, enquanto eu organizo as coisas do banho dela que fica aqui no quartinho também, eu literalmente amei, não preciso ficar deslocando ela para lá e para cá.
Me agachei em baixo da banheira e liguei a torneirinha que ia até a mesma, enchendo um pouco, não tava tão fria e eu preferia assim, não gostava de dar banho frio nela, mas também não dava morno durante o dia, Rio de janeiro é um calor infernal, banho morno só a noite pra dormir quentinha.
Deixo encher só um pouco e derramo um pouco de sabonete líquido, gosto de dar banho nela assim, já que ela tem algumas alergias chatas, ai nas partes íntimas eu sempre passo gases com sabonete em barra mesmo.
Volto até a minha bebê que estava resmungando baixinho como se quisesse chorar e tiro a fralda dela.
__ você até que tá boazinha hoje né, tá gostando de tá passeando é? - falei enquanto levava ela para a banheira já me preparando mentalmente pra ouvir um escândalo, menina r**m de banho.- xixixi, pronto mamãe, tá já acabando, não chora. - falava enquanto molhava ela e tentava dar o banho, ainda estou pegando a prática, tive que aprender na marra e com os gritos que ela dar não se torna fácil.
Nem demorei muito, só queria esfriar ela pra ela dormir de boa.
Tirei ela, enrolando em uma toalha nova que tinha ali, ele literalmente pensou em tudo, pode não ter feito e tals, mas pensou.
Levei novamente para o trocador e deixei ela ali com a grade levantada, mas aí lembrei que a bolsa tinha ficado no andar de baixo.
__ que c*****o viu. - murmurei e peguei minha criança novamente no colo enrolada na toalha, teria que descer e seria lá mesmo que eu iria ajeitar ela e amamentar, só de pensar em ficar subindo e descendo essas escadas, meu corpo treme.
Vejo a bolsa que deixei as roupas e fraldas dela e agradeço por o Everton ter dado um jeito de pôr por aqui, termino de descer as escadas e vou em direção a ela que estava no enorme sofá da sala.
Sento colocando minha bebê deitada por ali e abro a bolsa pegando as pomadas dela, uma fralda descartável, e um macacão de ficar em casa, sem manga.
Enxugo ela direitinho e passo as pomadas, ponho a fralda e por fim o macacão.
Guardo tudo que peguei novamente na bolsa pra arrumar no quarto depois e passei o perfuminho dela.
__ cadê a neném mais cheirosa do mundo, hum? - pego ela fazendo voz de nenê e cheiro ouvindo o resmungo dela. - tá com fome mamãe? - pergunto e ajeito ela no meu colo pondo o peito pra fora e colocando na boca dela, gemendo de dor por ele tá machucado.
Ela toda vez que vai mamar morde primeiro e ai acabou ferindo meu peito.
Fiquei ali admirando a beleza da minha bebê e me peguei pensando quando não tinha ela e era só sonho, sonho meu e do pai dela que agora não faz questão alguma por nós.
Suspiro tentando deixar esse assunto um pouco de lado, não ia adiantar nada eu remoer ele, sendo que meu marido só volta daqui a dois anos, vai perder o início todo da vida da nossa filha, mas nem isso ele quis pensar.
Vejo que minha gatinha manhosa dormiu e soltou o peito, me ajeito guardando o peito e fico ninando ela por ali mais um pouco, porque se colocar no berço agora, acorda na hora.
Levantei devagar e da mesma forma fui subindo as escadas novamente.
Entrei no quarto dela indo diretamente no berço, ajeitei tudo bonitinho e coloquei ela, que pela graça de Deus, não acordou.
Aproveito que estou ali e pego a banheira levando para o banheiro, secar a água do banho da garotinha.
Rodei até achar o banheiro nessa casa enorme, esvaziei a banheira, enxuguei com uma toalha de rosto que tinha por ali, coloquei logo no cesto de roupa suja e levei a banheira de volta para o quarto, sair sem fazer barulho pra a gatinha manhosa não acordar e desci novamente para a sala.
__ bom dia. - murmuro vendo uma senhora saindo da cozinha com um pano de prato no ombro, nem tinha ido falar com ela ainda. - você deve ser a dona Lígia né? O Vt deve ter falado sobre mim e a sobrinha. - comentei e ela sorriu toda gentil vindo até mim.
__ bom dia menina, nada de dona, só Lígia mesmo. - ri e estica a mão, estico a minha e ela apertou. - a neném dormiu? Ouvi o chorinho dela, mas nem pude vim ver de perto, tava pegada no almoço. - comentou.
__ tudo bem, ela faz esse escândalo quando vai tomar banho, é normal.- ela rir. - ela dormiu, vou organizar as coisas no meu quarto e desço pra te ajudar no almoço, tá bom? - ela murmurou que não precisava, mas eu ia fazer sim, odeio ficar parada.