Capítulo 18. Problemas Internos

1094 Words
8 de maio de 2015, Morro do Batan, Realengo Acordei tarde ‘pra caralhö! Onze da manhã. Mäl saí da cama e já peguei o telefone ‘pra esquematizar o contato na Barra. Não sairia tão barato assim, mas Filho podia cobrir o pagamento depois. — ‘Tô ativo... — Foi a fala no rádio. Só aumentei o volume e o pendurei na porta do banheiro ‘pra tomar meu banho. Estava morrendo de fome e isso me faria dar prejuízo na cozinha. Nem me arrumei muito. Botei uma bermuda e desci descalço mesmo. Era sábado e Miguel sempre curtia uma pipa aos fins de semana. Eu me surpreendi ao ver a dupla e Alma na sala. — Bom dia! — Eu cumprimentei, indo à cozinha. — Dia, pai! ‘Bença. — Miguel sorriu. — Deus te abençoe e faça feliz. Dia, Pati. — Dia, tio. — Ela sorriu acanhada. Alma apenas me olhou e eu lhe sorri. — Tem as coisas do café aí, mas já pedi o almoço, pai. — Miguel avisou. — Achei que o senhor nem ‘tava... — Teu pai dormiu ‘pra caralhö! — ri e ele também. — ‘Tava na hora, ‘né, tio!? — Pati falou. Apenas assenti com a cabeça e sentei ‘pra comer. Sabendo que tinha um almoço chegando, eu ainda peguei leve com os pães, mas precisava de um café. — Alguma das meninas quer café? — ofereci. — Se o senhor der, eu aceito. — Pati respondeu. — Hm... prendado! — Alma brincou. — Aceito. Eu apenas ri. Servi as meninas ao terminar. Com minha caneca generosa de café, eu sentei num dos degraus da escada ‘pra não atrapalhar eles. Ainda os observei enquanto bebendo meu café. Não tinha cansaço que resistia a ver meu filho, podia trabalhar duas vezes mais, matar muito mais... — Agora, eu posso pausar ‘pro seu almoço? — Alma os perguntou ao fim. — Quando é a próxima? — Amanhã? — Miguel perguntou. — Se quiserem, pode ser amanhã! — Ela assentiu. — Fica ‘pro almoço? — convidei. — Ehrr... claro! — Ela assentiu. — É bom. — Pati concordou, abaixando a cabeça. — Vem cá. Que marca é essa nas costas da Pati? — Finalmente lembrei de perguntar. — O que houve? Ela arregalou os olhos, olhando ‘pra mim. — Não foi tua mãe. — Eu ‘tava certo disso. — E-eu... — Sua voz logo embargou pelo choro. O olhar lacrimejou rápido e, em instantes, ela já não podia falar de tanto que chorava. — O que ‘tá havendo? — Olhei ‘pra Miguel. Ele foi rápido ‘pra socorrer a menina que enterrou a cara em seu peito e ele só me olhou, parecia se conflitar em pensamento e eu não gostei. — Miguel! — Eu insisti. — Posso? — Eu o ouvi perguntar à ela. Pati só assentiu com a cabeça. — O padrasto dela... ciúme. — Foi o que ele disse. — Ciúme!? — Franzi o cenho e me levantei. — Ele é um filho da putä. ‘Tá vendendo ela ‘pros amigo pedófilo dele. — Miguel trincou os dentes. — Falei que ela tinha que falar, mas ela ‘tá com medo. — Tua mãe sabe disso, Pati? — perguntei. Chorando ela estava, chorando continuou. — Responde, porrä! — falei mais alto. — Não, tio! — Ela respondeu no susto. — Tranquilo. — Eu só assenti com a cabeça. — É melhor vocês dois subirem. Peço ‘pra Alma subir com a comida quando chegar, ‘tá bom? Miguel só assentiu e a ajudou a levantar ‘pra guiá-la ‘pra cima. Fui até os materiais que ainda estavam na mesa ‘pra guardar na mochila dele. — Não precisava gritar com a menina. — Alma falou. — Ela já ‘tá sob muita pressão, ‘tá machucada. — Pronto. Agora, me dá lição de moral — ironizei. — ‘Tô tentando ajudar. Você não se importa com ela? — Pareceu retórica. — Assim, ‘cê só piora as coisas. — Quando elas entram nessa, dificilmente respondem, se não for na força. — Meneei a cabeça. — Pode não ser o melhor, mas é o que funciona. — Você é um cara difícil, hein! — riu. — E você é uma intrometida. — Eu a olhei. Terminando de arrumar a mochila dele, só a deixei no sofá ‘pra me sentar à bancada da cozinha com a minha cerveja e falei no rádio: — Alguém tem que ver a Aline, tenho um negócio ‘pra cria dela. Diz que pago bem. Ailton, sobe aqui. — Tranquilo. — Foi a resposta. — A intrometida bebe uma cerva? — ofereci. — Se eu puder... Apontei a geladeira e ela foi até lá pegar. Não demorou ‘pra Ailton chegar. Era um pretinho, sempre foi muito magro — do tipo magro de ruïm — e não era tão alto quanto seu irmão mais novo. Tinha cabeça raspada, sobrancelha feita, ‘tava sempre pronto ‘pras muitas putäs que ele tinha na rua. — Senta aí, cria. — Apontei um dos bancos. — O que houve? — Ele pareceu preocupado. — Bom dia! — Ele deu um breve sorriso à Alma. — Desde quanto teu padrasto ‘tá vendendo tua irmã por aí? — A pergunta foi seca. Eu só queria observar como ele reagiria. — Quê!? — Ele estava se sentando quando desistiu da ideia e levantou de novo. — O filho da put- — Sim. — Eu assenti com a cabeça. — Tinha ouvido uma história diferente. Como ‘tá tua mãe? — E-estava bem... eu acho! — Ele franziu o cenho. — Tira o dia de folga ‘pra ver como ela ‘tá — falei. — Tua irmã ‘tá aqui e não vai descer até eu dar um jeito no puto e nos amiguinhos pedófilos dele... — Filho da putä! — esbravejou enquanto saía da minha casa correndo. Uma reação razoável, suficiente ‘pra eu não ficar todo neurótico com ele. — Coitado do garoto! — Alma riu. — Coitado de mim! — retruquei, dando um generoso gole. — Agora, o garoto fica todo desequilibrado por causa da amiga... uma merda! — Coitado de você também. — Seu olhar entristeceu e ela me fitou com um ar estranho. — É realmente uma merda... eu sinto muito! Estranhei a fala e ela pareceu realmente triste. — ‘Tô te zoando, garota. Relaxa! — falei. — C-claro. — Ela sorriu amarelo, forçadamente.
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