Capítulo 4
Sadie
Tobias ficou em minha casa até quase meia-noite, falando sobre como a faculdade estava indo para ele. As garotas, as festas, simplesmente não eram mais para ele. Ele disse que sempre havia me desejado e me amado, mas, sim, mesmo com seu amor por mim, ele ainda tinha sede de atenção e de ser um cafajeste. Para mim, o amor dele simplesmente não era forte o suficiente, por mais que ele tentasse argumentar.
Lilly não veio se despedir de manhã. Ela ainda estava amargurada por Tobias ter confessado seu amor eterno por mim, e isso foi o suficiente para fazê-la se afastar. Aparentemente, nossa amizade não era forte o suficiente para que ela superasse isso. Em meu coração, eu sabia que a amizade dela era mais platônica, mas eu sempre mantive minha palavra e nunca contei a Tobias sobre a paixão dela por ele.
Os Dobson queriam fazer uma festa de despedida no restaurante, mas eu rapidamente neguei. Eu não era alguém que gostava de ser o centro das atenções, e aquilo seria demais para mim. Eu me afastava desse tipo de coisa.
Eu rapidamente carreguei a última caixa em meu jipe desgastado e entreguei as chaves da casa aos Dobson. Eles iriam entregá-las à nova equipe de administração responsável pela casa.
— Você tem certeza de que não pode ficar? Sentiremos sua falta! — A senhora Dobson tinha uma lágrima escorrendo pelo rosto.
— Ah, tenho certeza. Eu preciso ter novas experiências, aventuras diferentes e experimentar coisas novas. Coisas que eu nunca fiz antes. — Eu sorri e brinquei com as chaves do carro enquanto chutava a terra com o pé. — Será ótimo, até emocionante. — Minha própria voz fazia parecer que era uma mentira.
Honestamente, eu estava aterrorizada com o que estava por vir. Estava fazendo algo tão novo e diferente que não tinha certeza se iria encontrar o que estava procurando. Estava apenas me mudando para uma cabana e esperando para ver o que acontecia com a minha vida. Eu nunca saí desta cidade na minha vida, e aqui estava eu, me mudando.
Não sendo alguém que suportava o silêncio constrangedor ou as despedidas, o senhor Dobson pegou minha mão e me puxou para o peito dele para um abraço. — Bem, sentiremos sua falta. Você sempre terá um lar aqui. — Ele me deu um tapinha na cabeça e soltou.
— Diga a Lilly que sentirei saudades dela e para ligar quando se sentir pronta. — eu disse a ambos. — Eu ainda me importo com ela.
Eles acenaram com a cabeça e voltaram para a casa. Eu entrei no meu jipe com as janelas abertas e o rádio no volume máximo. Esta cabana seria meu novo começo. Eu iria experimentar todas as coisas que não pude fazer enquanto estava crescendo, fazer amigos e aproveitar mais a vida. Sem mais me esconder, sem mais ser tão tímida e sem trabalhar até a exaustão. Minha tia Maria sempre quis isso para mim, e iria mostrar a ela que eu seria o que ela queria.
O caminho era longo, eu já tinha dirigido dez horas e ainda tinha mais duas pela frente. Meus olhos estavam ficando muito pesados para ser seguro continuar, então parei em um hotel. A noite com Tobias e todas as nossas emoções sugaram toda a minha energia.
Eu parei em um motel barato, já eram nove da noite, então poucos hóspedes estavam por perto. Eu fui até o escritório e vi um homem bastante velho e amargurado. Eu comecei a lamentar a minha decisão quando ele ergueu as orelhas e me encarou.
— Hmm, só você? — ele resmungou.
Eu gaguejei por um momento, pensando se deveria mentir e dizer que tinha mais alguém para me proteger, mas é claro, sendo uma péssima mentirosa, eu apenas concordei. Ele me entregou a chave e eu paguei a conta e fui para o quarto.
A pequena cidade de Pineville Creek ficava no meio de uma floresta. Havia apenas uma entrada e uma saída, e quase duas horas de estrada sem nada. Sem postos de gasolina, motéis ou paradas. Poucas pessoas vinham para Pinecreek porque era completamente isolado e não havia muito atrativo turístico.
Eu continuei pesquisando na internet sobre a cidade, mas parecia que havia poucas informações. Apenas que era pequena e principalmente, habitada por famílias. Eles tinham uma economia próspera e uma comunidade relativamente segura, exceto pelos ataques aleatórios de animais selvagens.
A cidade tinha um pequeno hospital, bancos, mercearias, lojas de hobby, mercados dos fazendeiros. O que eu amava mais eram as trilhas para caminhadas e uma montanha, não muito longe, para esquiar e fazer snowboard. Mais uma hora de carro e eu, esperançosamente, poderia até encontrar um lago para nadar.
Eu nem cheguei a desfazer a cama, pulei em cima do edredom e coloquei meu moletom rosa-claro favorito, calças de moletom cinzas e meias até os joelhos. Pegando meu travesseiro de casa, enfiei meu rosto nele. Sons tênues de lobos uivando para a lua me ajudaram a adormecer.
Na manhã seguinte, senti os raios do sol dançando em meu cabelo desgrenhado. Resmunguei com a intromissão repentina, apenas para perceber que esqueci de fechar as cortinas na noite anterior. Ótimo, algum pervertido provavelmente me observou dormindo à noite. Não que eu fosse algo admirável, de qualquer forma.
O relógio marcava 6 da manhã, o sol do final do verão já havia nascido mais cedo naquela manhã, mas 6 da manhã ainda era cedo demais para não ter um trabalho para ir. Decidi tomar um banho longo e talvez seguir para o restaurante no andar de baixo para comer algo, afinal, eu já estava acordada e em movimento.
Peguei minha calça jeans skinny de lavagem escura, e minha blusa branca de alças finas e segui para o chuveiro. O vapor quente do chuveiro rapidamente encheu o banheiro. Eu fiquei ali debaixo por pelo menos 20 minutos, um dos banhos mais longos que eu já tomei. O aquecedor de água da casa da tia Maria não aguentava muito. Eu tinha sorte de tomar um banho de 5 minutos no máximo.
Saí do chuveiro e sequei meu cabelo, que agora estava escurecido. As mechas claras tinham desaparecido. Eu m*l conseguia alcançar o secador de cabelo, mesmo com 1,63m; por que eles colocam as coisas tão altas!? Depois de muita determinação, consegui pegar e comecei a secar o cabelo. Passei delineador de gatinho, rímel e nem me dei ao trabalho de passar gloss hoje.
Indo em direção ao restaurante, percebi que estava vazio, com um sinal de “fechado” na porta. Eu internamente suspirei. Iria apenas pegar minhas coisas, partir e comprar algo no posto de gasolina ali perto.
Embalando rapidamente minhas coisas, ouvi uma batida na porta. Sem pensar muito, a abri, deparando-me com um homem alto de rosto pálido. Eu nunca tinha visto esse homem antes em minha vida, e ele estava me encarando como se não estivesse chocado em me ver.
— P-posso ajudar? — Eu esperava parecer mais corajosa do que estava, mas isso certamente havia desaparecido. Ele apenas me encarou, sem nenhuma expressão no rosto, tão imóvel que achei que nem conseguia vê-lo respirar. Ele era realmente pálido; seus olhos eram escuros como a noite, suas maçãs do rosto altas e queixo levemente pontudo me davam arrepios desconfortáveis na espinha.
— Sim, eu queria ver se sua acomodação estava do seu agrado. — Ele deu um sorriso misterioso. Esse homem até era bonito, mas intimidador. Além disso, sua voz era baixa e tranquila. Eu estava me sentindo desconfortável com a forma como ele me encarava, e lentamente fui fechando a porta enquanto respondia.
— Uh, hum, sim. — Eu gaguejei. — Está ótimo. Na verdade, estou fazendo o checkout agora. — Eu rapidamente peguei minhas malas sem desviar o olhar dele. Eu não Iria me arriscar a ser atacada. Enquanto esperava que ele se afastasse, ele continuava me encarando. Que estranho.
— De verdade? Só uma noite? Os viajantes costumam ficar alguns dias para conhecer as trilhas de caminhada. Ficaria feliz em mostrá-las para você. — A atitude dele mudou completamente de seu olhar constante e sua natureza intimidadora, para uma de divertimento.
— Não, não... apenas de passagem. Se me der licença... — Eu empurrei a porta, roçando levemente o braço dele. Ele ficou tenso e fechou os olhos. Eu podia ver bandeiras vermelhas por toda parte com esse cara. Hora de sair daqui.
Seguindo rapidamente em direção ao escritório principal, entreguei minha chave e corri para o carro.
Depois de lidar com o homem estranho no motel, parei para abastecer o carro a pelo menos 20 minutos de distância dali. Mesmo assim, peguei o combustível e um pacote pequeno de Twinkies para o café da manhã. Deixe-me dizer, café da manhã de campeões!
Estava devorando minha comida, tentando esquecer meu encontro estranho, quando percebia que não estava muito longe da cidade. Olhei para baixo para pegar meu celular e verificar o GPS, enquanto contornava a curva, e vi uma pequena barricada na estrada. Tive que pisar nos freios porque ela apareceu tão rápido, fazendo com que meu celular caísse no processo e voasse para o chão do carro.
— ARGH, não é o meu dia! — Falei em voz alta sem alvo específico. Então, ouvi uma batida na janela. Uma pequena exclamação escapou dos meus lábios, e abaixei o vidro. O homem era enorme, ele estava parado sobre mim, mesmo com o meu jipe alto. Ele era extremamente intimidador, com seus olhos escuros pairando sobre mim. Fiquei tão chocada, que não consegui falar até ele falar por mim.
— Para onde você está indo, senhorita? — Ele falou bruscamente e tirou uma prancheta, clicando excessivamente a caneta.
Eu pigarreei e finalmente despejei as palavras todas de uma vez: — Herdei uma cabana de minha falecida tia, estou me mudando para Pineville. — Sabendo que essa cidade era desconfiada de estranhos e pessoas novas que se mudavam, tirei um pacote grande com documentos. Era quase inédito alguém se mudar para lá. Eles tinham visitantes e empresas que vinham e iam ao longo do ano. Mesmo que ela fosse famosa por suas belas trilhas e ótimos pontos para fotografar, eles preferiam manter o turismo baixo.
O homem me deu uma olhada rápida, eu sabia que ele tinha perguntas. Antes que ele dissesse qualquer coisa, tirei a escritura da cabana, o testamento, o comunicado do advogado e todas as minhas identificações. Ele ficou chocado, para dizer o mínimo, achava que eu não viria preparada para me defender.
Enquanto ele examinava os documentos, vários outros homens se aproximaram do jipe e olhavam para mim pela janela do carro. Eu fiquei desconfortável quando finalmente ouvi o gigante tossir e me mandar esperar ali.
Ele foi para um pequeno pedágio à beira da estrada e pareceu fazer uma ligação telefônica. Todo mundo parecia estar olhando para o meu jipe. Eles não tinham armas, apenas os braços cruzados sobre os bíceps para parecerem maiores na camiseta sem mangas.
Nada m*l de se admirar.
O pé-grande voltou e me entregou todos os meus documentos. Ele finalmente sorriu.
— Bem-vinda a Pinecreek, meu nome é Chad. — Ele estendeu a mão para eu apertar. Minha mão delicada parecia do tamanho de uma criança ao lado da dele. Eu estendi a mão, hesitante e agradeci.
— Só para você saber, não costumamos ter muitas pessoas mudando para cá. Leve um dia de cada vez, e as pessoas vão te conhecer. — Ele fez uma pausa. — O prefeito vai se encontrar com você na cabana para lhe dar as boas-vindas à cidade e entregar mais alguns documentos para preencher. Você tem cerca de mais 45 minutos de viagem pela frente.
Com um aceno de cabeça, eles abriram o portão e me deixaram passar.
Meu Deus, em que diabos eu me meti? Eu queria uma aventura, e parece que eu poderia encontrar uma.