C E L I N E
E então eles ficaram se encarando.
— Ela só está fazendo um favor — Amélia disse me encarando.
— Isso não é favor, isso é escravizar! Pra você, é favor alguém sair, e pedir pra você fazer faxina na sala?
— Não, Sr Juliano, Esta tudo bem — eu falei não querendo ver eles brigando.
— Não está nada bem, Celine. Desde do ano retrasado, mandei instalarem algumas câmeras pela casa e eu vi como você e Lua eram tratados. A partir de hoje, isso muda. Lua é apenas a cozinheira como era antes. A obrigação dela não é cuidar da casa desse jeito! — ele diz com raiva olhando para Amélia — Enquanto a Celine, não é escrava de ninguém! Desde que Alice morreu no parto, e Lua me ligou avisando, eu prometi a Lua de que ela seria tratada como da família, mas vejo que não foi isso que aconteceu!
— Que moral você tem pra mandar aqui, Juliano? Passou sua vida inteira fora de casa, me traindo com outras lá na Rússia, e ainda quer chegar aqui colocando banca?
— Por favor, vocês não precisam brigar.... — falei assustada
— Você pagou tudo pra essa menina. Até cirurgia você pagou, que aliás, deve ter custado uma fortuna.
— Nada se compara a seus gastos mensais aqui nessa casa! Eu tive e ainda tenho que trabalhar duro para te manter e manter seus mimos! Isso acabou! Estou transferindo a empresa aqui para LA, e você irá trabalhar lá se quiser ainda ter seus luxos.
— Não! Você não pode chegar assim do nada e querer mudar tudo! Vamos conversar sobre isso mais tarde, ok?
Olhei para o senhor Juliano. Seus olhos verdes estavam bem cansados. Era loiro, alto e branco. Um senhor bonito e bom demais para uma megera como Amélia.
Amber desceu as escadas e se aproximou da gente.
— Brigaram?
— Nada de mais, minha filha. Depois quero conversar com você também.
— Ok — Amber sorri para mim e para ele. — Temos tanto o que conversar.
— Podemos fazer isso agora? Vou só tomar um banho rápido e vou no seu quarto.
— Certo — Amber sorri Empolgada.
— Depois falo com você, Celine — ele responde.
— Ok... — sorri
Ele dois sairam dali e eu juntei a bagunça que ficou na sala com os produtos de limpeza.
Madrinha entrou e me encarou.
— Não quis entrar pois eu já sabia que estavam brigando. Foi sempre assim — Madrinha falou baixo, e se aproximou de mim.
— Tudo vai mudar agora, Madrinha. — sorri — Sr. Juliano é um anjo.
— Ele é mesmo. — Ela sorri doce — Vou tomar um banho e preparar o almoço. Tome um banho e relaxe, querida.
Concordei e fiz o que ela pediu. Depois de banho, fui para a casa que havia no quintal, onde ficava meu piano. Sorri ao vê-lo forrado com um manto branco. Tirei o pano, e passei por cima da madeira para tirar a poeira. Depois eu o limparia melhor.
Me sentei e comecei a tocar uma dos meus solos favoritos. Escutei quando a porta se abriu, e o senhor Juliano entrou. Sorri e me virei
— Escutei o toque lá de dentro da casa — ele disse e se sentou ao meu lado — Alice tocava tão bem quanto você.
— Mamãe... — lembrei — A conheceu bem?
— Muito bem — ele sorri e me olha — Era uma mulher linda, dedicada, inteligente, amorosa... Como você — ele sorriu.
— Eu queria tanto ter tido a oportunidade de conhecê-la. — sorri fraco.
Minha mãe morreu em meu parto. Alice Swan era o nome dela. Eu tenho apenas duas fotos de minha mãe. Uma quando era mais nova e outra quando estava grávida de mim. Tinha os cabelos castanhos e longos. Os olhos eram cor de mel, e brilhavam em cada sorriso — Madrinha me disse — Era linda.
Ela começou a trabalhar cedo na casa do senhor Juliano. Na verdade, essa casa era dos seus pais, mas, como eles acabaram falecendo, Sr. Juliano ficou com tudo, pois era filho único. Madrinha e mamãe eram melhores amigas, e entraram quase juntas aqui.
Meu pai? Nunca conheci e Madrinha disse que mamãe nunca falou quem era. Um pai faz falta, mas, seria mais doloroso saber que ele me conheceu e não me quis. Mas a verdade, é que eu não sei da verdade.
Seu Juliano afaga meu cabelo e sorri. Sorri de volta, e ele saiu de lá. Voltei a tocar mais um pouco. Era tão bom ver novamente. Eu não sabia expressar esse sentimento bom de poder enxergar tudo de novo.
Sai dali e tranquei a porta. Vejo Otávio se aproximando de mim. Ele me causava medo. A presença dele me trazia algo negativo.
— Celine — sorriu e tocou minha mão — tô feliz que você tenha conseguindo seus objetivos.
— Obrigada, Otávio — sorri e me virei parar sair, mas ele me parou
— Tava pensando aqui... Poderíamos sair?!
— Hm... Poderíamos, mas, estou bem ocupada esses tempos. Sinto muito — falei amigável para não ser arrogante. Ele sorriu e eu me virei para sair.
— Você ainda é gamada naquele riquinho, não é?
Então eu parei e suspirei. Me virei e o encarei. Otávio era alto, magro e tinha cabelos pretos. Uma cara não muito agradável.
— Isso não é da sua conta, Otávio — fui um pouco ríspida, e sai dali marchando.
A noite estava caindo. A casa estava em um clima estranho. Madrinha fazia o jantar. Amber, seu pai e Thiago conversavam na varanda da casa, e dona Amélia com certeza deveria está no quarto. Me aproximei da varanda e cumprimentei a todos.
— Boa noite — sorri.
— Boa noite — todos responderam juntos.
— Ah, Celine. Esse aqui é o Thiago como te apresentei mais cedo. Ele é policial e foi transferido para cá para trabalhar na delegacia do interior.
— Ah. Boa sorte, Thiago. É um prazer — sorri e toquei sua mão. Ele sorriu amigável e voltou sua atenção para o celular. Era loiro e um pouco mais velho.
Mensagem de Bianca
Grace preparou um jantar pq eu disse que você queria ver o bebê.
Claro que eu ri.
Eu: Sério ? Haha bem... Então eu vou me arrumar e você pode vir me pegar? Ou eu peço para Amber me levar.
Bianca: Posso ir te pegar sim! Vai se arrumar, gata. Passo aí em uma hora.
Sorri e guardei o celular. Fui para meu quarto, e vesti-me com um vestido estampado que marcava bem a cintura. Usei um sapato baixo e deixei os cabelos soltos. Me olhei no espelho e sorri.
É bom ser independente. É bem não precisar sempre de alguém escolhendo sua roupa, maquiando...
A porta do meu quarto bate e eu vejo Amber entrando.
— Oi... — falei e sorri.
— Oi. Onde vai?
— Vou na casa de Grace ver o bebê dela.
— E o babaca do Enzo vai tá lá?
— Amber...
— Eu sei que tivemos algumas brigas, mas, me preocupo de verdade com você. Você já sofreu perdendo sua mãe, não sabendo quem é seu pai, e você sofreu aquele acidente e ficou sem sua visão... Olha tudo isso — ela diz e se aproxima — Eu sei que você gosta ou gostou dele, mas, pela cara que faz quando toquei no nome dele, ainda sente algo — ela sorriu de lado — Lua me disse que você as vezes chorava por causa dele. E não adianta brigar com ela! Ela via como sofria e queria compartilhar com alguém. Talvez eu não fosse a melhor pessoa, mas, fui a única naquele momento. Eu estou muito feliz com a volta do meu pai, Celine. Você sabe o quanto sofri com a distância dele, e , sendo sincera, eu peço desculpas por tudo o que minha mãe fez com você e eu apenas ficava olhando e...
— Hey! — sorri e toquei sua mão. — Passado é passado. Tá tudo bem — sorri e a abarecei — Agora você tem que aproveitar tudo com seu pai. Ele sim é um homem bom, de caráter e que vai te fazer muito bem. Não deixe a... Como posso dizer... Os erros de sua mãe ofusca a pessoa boa que você é, ok? Aqui dentro — apontei para seu coração — e aqui fora — para ela — você é linda.
Ela sorriu e me abraçou forte. Querendo ou não, fui criada com Amber. Tivemos nossas brigas, mas, continuar nas brigas não faz bem a ninguém. Finalmente estavamos mais resolvidas que nunca, e a vinda de seu pai fez muito bem para ela.
— Vê se deixa aquele babaca de lado. Ele não quis te entender. Não quis te esperar. Foi fraco da parte dele fazer isso. Agiu como uma criança.
— Hmm... — sorri de lado não querendo falar mais disso.
— É para seu bem — ela sorriu.
— Porque você não vem comigo para a casa de Grace?
— Será? — ela me olha com as sobrancelhas juntas.
— Claro, boba.
— Bianca não gosta de mim.
— Ela só acha que você é igual a sua mãe. Desculpe, mas, é isso — falei dando de ombros.
— Ok. Vou me arrumar bem rápido. — falou — A gente pode ir no meu carro?
— Poxa, Bianca já está vindo me buscar. Nos buscar...
— "Nos" não — ela diz e sorri. — Eu vou no meu atrás de vocês.
— Se acha melhor — sorri e ele saiu do quarto.
Fiquei esperando Amber na sala. Logo ela desceu e sorriu pra mim. Estava lindíssimo.
— Cadê a Bianca?
— Tá vindo aí. — falei , e como mágica, reconheci a buzina do seu carro. Falei com madrinha e segui para o carro de Bianca. Ela sorriu e deu partida.
— Você está uma gata! Aliás, o que a Amber tá fazendo atrás?
— Ela vai com a gente! Chamei ela. — falei
— Hm! Não enchendo meu saco.
— Ela nunca encheu teu saco. Vocês quase nunca se falaram — eu disse e Bianca sorriu de lado.
Logo chegamos na casa de Grace e Heitor. Era belíssima. O porteiro liberou nossa entrada, e eu vi John saindo de dentro. Eles nos cumprimentou com um boa noite, e se foi. Eu esperei Amber se aproximar de mim, e ela sorriu já ao meu lado.
Eu já tinha visto foto de Grace e Heitor, mas nunca vi Magno ou Enzo. Nunca! Não é besteira ou loucura, mas eu sempre tive vontade de ver Enzo pessoalmente. Sem foto ou algo do tipo. Eu morria de curiosidade quando eu estava em Londres, mas não quebrei a promessa.
— Olha quem chegou!!! — Grace sorriu e correu para mim abraçar. Linda como vi na foto. Agora bem mais mulher, com uma felicidade no rosto. — Estou tão feliz que deu tudo certo e que agora você pode ver.
— Obrigada, amiga. Eu tô tão feliz também — sorri e olhei para trás onde vi Heitor vindo com Josef em seu colo. Ele estava apenas de frauda. Era a coisa mais linda do mundo.
Os dois
— Olha só ele — sorri meio estranho agora para Heitor , talvez tímida, e peguei Josef no colo. — Que coisa mais linda — falei e beijei seu rosto — Ele é uma graça, Grace.
— Faz dois anos esse ano já — ela falou toda mamãe babona.
— Sua cara, Heitor — falei e sorri para ele.
— Lindão como o pai! — Heitor brincou.
— Não se acha, tá? — Grace diz — O jantar tá ficando quase pronto! Falta só esquentar mais um pouco a lasanha.
— Tudo bem — sorri — Essa vocês já conhecem. É a Amber.
Heitor e Grace a cumprimentaram amigavelmente. Escutei passos vindo em nossa direção, e olhei quando vi dois homens se aproximando. Todos ficaram em silêncio, e eu não entendi o motivo.
— É o Enzo — Bianca sussurrou pra mim, tá e eu quase tive um ataque. Meu coração palpitou. Eu não sabia o que fazer ou falar. Cadê o buraco nessa hora? Ele me encarava também. Amber me encarou com pena. Ela se aproximou e tocou na minha mão.
— O cheiro tá ótimo aqui — Amber sorri — Onde fica o banheiro? Me acompanha, Celine?
Eu nem falei nada, e ela saiu me puxando, mas quando vou passando por ele , sinto a mão dele em mim.
Era o mesmo toque.
O mesmo cheiro
Era ele. Lindo como imaginei.
Chorei mil vezes em silêncio.
— Celine... — ele sussurrou sem acreditar. Estava sem palavras assim como eu. Era ele. A voz dele. Nunca esqueci. Minha mente a cada segundo fazia questão de me lembrar das coisas que ele dizia.
— Precisamos ir no banheiro — Amber fala provocando.
— Ele quer conversar com ela — Magno se mete no meio.
— Agora ele quer? Mas há um ano atrás ele não queria! Queria só do jeito dele. Agora ele quer conversar?
— Quem você pensa que é , garota? — Magno semicerra os olhos.
— Eu sou Amber! E você? Quem você pensa que é? — ela larga a minha mão e se aproxima dele.
Vai rolar briga!
— Leva Josef — Heitor entrega para Grace e ela sai com ele dali. Bianca se aproxima e se mete no meio dos dois.
— Pode parar com essa palhaçada! Viemos jantar e vamos jantar! Magno e Enzo! Vocês já estavam de saída que eu sei. Magno, sua mulher tá te esperando, e Enzo, vai pra casa — Bianca disse bem autoritária, e se não fosse pela situação, eu riria, mas não, estava um clima estranho.
Amber sempre foi brigona e pra frente. Não é a toa que ela me defendia quando mais novas, e até hoje ainda faz.
— Eu poderia até ficar pra jantar, mas pelo jeito não teremos as melhores companhia. Nada com você , Celine. — sorriu pra mim — Fico feliz que esteja de volta e com sua visão recuperada.
— Obrigada, Magno. — falei baixo.
Ele lançou um olhar de raiva para Amber, e ela fez o mesmo.
— Vamos, Enzo. — ele puxa o braço do irmão. Eu olhei mais uma vez para ele. Fixei em seus olhos azuis, e ele fixou nos meus também. Magno o puxou até a porta.
— Me desculpe por isso. Eu não sabia que ele estava aqui — Bianca falou.
— Tá tudo bem — falei.
— Nada bem! — Amber cruza os braços.
— Ér... — Heitor volta todo sem graça — O jantar ficou pronto. Vamos?
Seguimos Heitor para a sala de jantar. Bianca tratou de pegar Josef no colo e começou a brincar com ele.
— Nos conte como foi em Londres. Eu pelo menos tô tão curiosa.
Sorri e me sentei ao lado de Amber. A conversa foi agradável. Estavam agindo como se nada tivesse acontecido a poucos minutos atrás, e era o certo a fazer. Contar minha experiência em Londres foi bom.
Depois do jantar muito agradável, Grace me obrigou a tocar no piano dali. Eu tocava de olhos fechados, apenas sentindo e escutando a bela melodia.
Já na hora de ir embora, eu voltei com Amber. Me despedi de Grace, Heitor, Josef e Bianca, e peguei rumo a minha casa.
— Que bela maneira de conhecer o Enzo, hein?
— Eu só não o tinha visto antes, Amber — olhei para estrada já escura. A noite estava linda. — Você não precisa se meter — sorri de lado pra ela. — Uma vez Enzo me contou que Magno é... Meio que perde a cabeça quando se estressa.
— Um i****a como Enzo. Talvez só Heitor salve ali.
— Rum — sussurrei não querendo entrar mais nesse assunto.
Cheguei em casa e caminhei para meu quarto. Nem quis falar com madrinha. Talvez ela já estivesse dormindo. Todos estavam. Tomei um banho rápido e me deitei na cama. Apertei o nariz para não deixar as lágrimas caírem, mas foi impossível. Mordi os lábios, apertei os olhos, repetirei fundo, mas nada deu certo.
Eu não vou chorar por ele.
Não vou
Não vou
Não vou!
Eu sou uma nova Celine! Uma Celine com sonhos, com belos sonhos que um dia, o cara que ela amava e ama, não foi capaz de compreender e apoia-la!
Mas, eu chorei.
OI MEUS AMORES! SENTI FALTA
Beijos. Amo vocês ❤