UM ANO DEPOIS - E N Z O
— Então, Enzo? Tem tomado seus tranquilizantes certos? — Dr. Carlos perguntou. Revirei os olhos e o encarei.
— Sim, Carlos. Que saco! Eu já estou bem melhor. Não estou bebendo mais.
— Não é isso que os exames de todos os meses provam, meu filho — ele diz com sarcasmos e sorri.
— Acho que já estou grandinho de mais pra estarem cuidando da minha vida. Eu sei beber direito, ok? Não me descontrolo mais se é isso que preocupa meus irmãos e meus pais.
— E a mim também. Passei um ano te Observando, Enzo. Você ainda precisa de ajuda — ele diz com sua calmaria toda, e as vezes isso me estressava.
— O que quer que eu fale? A mesma merda de sempre? Que eu gosto de beber? Que é um vício sim e que....
Ele me interrompe
— Tá vendo? Você já está alterado — ele sorri de lado. — Relaxa e comece a falar o que te encomoda tudo de novo.
— Quero sair daqui! Posso?
— Claro — Dr. Carlos sorri amigável. — Não posso te prender aqui, mas volte, ok?
— Eu irei — falei me levantando e indo Para a empresa. Avistei de longe Heitor e Magno conversando. Nos braços de Heitor estava Josef
— Hey garotão do titio — o paguei no colo, e ele sorriu pra mim. E todo mundo envelheceu mais. Josef já estava com um aninho. Heitor com seus trinta e um , ainda entraria nos trinta e dois no final desse ano. Magno entraria nos seus trinta e um, e eu chegando nos meus trinta logo logo.
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A idade deles não está errado, viu gente! No primeiro livro ( Do Heitor ) eu falei que eles tinham apenas um ano de diferença de idade )
Aliás, no primeiro livro, Heitor iria entrar para os trinta, Magno para os vinte e nove, e Enzo para os vinte e oito. É só fazer as contas que dará certinho ( Já se passou um ano, então eles estão entrando para um novo ano ( idade )
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— Iai, Enzo? Como foi lá ? — Magno pergunta.
— Bom. O que seria de tão divertido conter seus problemas para seu Piscologo? — Pergunto
— Não seja chato — Heitor diz.
— Ele veio aprender a administrar? — pergunto sorrindo para Josef.
— Ainda não. Mamãe e Grace estão na cafeteria da frente e eu fiquei com ele aqui.
— Tá. Eu vou pra minha sala. — falei entregando Josef para Heitor. Me virei para sair.
— Não se olhem e sintam pena de mim. Eu estou bem — falei sem olha-los. — Aliás, Magno. Você que precisa urgente de um Piscologo, porque até hoje eu não entendo como você teve coragem de casar com a naja da Hanna.
Pois é. Meus dois irmãos estão casados. Heitor bem casado, pois está com Grace, uma mulher linda e encantadora.
Agora Magno? Sinto apenas pena dele.
Entrei na minha sala e me sentei na cadeira. Abri minha gaveta com a chave e puxei um frasco de bebida. Seria só um copinho. Coloquei a bebida e virei, fazendo uma careta por estar tomando aquilo logo cedo. Afastei o copo e guardei a bebida, trancando com a chave novamente.
Suspirei, me encostei na cadeira e lembrei mais uma vez de Celine.
Ela não ligou nenhum vez pra mim durante esses um ano. E eu, orgulhoso, também não.
Se pensam que voltei ao meu vício por causa dela, estão enganados! Ela foi uma ajuda sim, pois me senti m*l com tudo o que aconteceu e acabei caindo novamente nisso.... É... talvez ela seja um pouco da razão, mas não toda. Vício é algo difícil, muito difícil de sair, e só sabe disso, quem passa por isso.
Dizer só um "BASTA", não adianta.
Dizer: Hoje Eu Para!
Também não adianta!!
Odeio quem me julga! Essa pessoa não está no meu lugar, e não sabe o que eu, ENZO Bongiovani, sente.
Mensagem de Juliana
Vamos sair hoje? Festa na casa do Jorge.
Mensagem para Juliana.
Não sei. Qualquer coisa te mando uma mensagem.
.....
Essa mulher tava pegando no meu pé mesmo. Saímos, ficamos, e ela já pensa que estamos em um relacionamento sério?!
Sai fora!
Larguei o celular na mesa e me concentrei no meu trabalho. A porta da minha sala se abre e mamãe entra na sala com Grace.
— Oi, meu amor. Eu só vim lhe ver antes de ir, ok? Já fui falar com Heitor, Magno e agora você — ela sorri e beija minha cabeça.
— Como você está mãe? — sorri e mandei um tchau para Josef, que sorri balançando os braços. — E você Grace?
— Estou ótima — mamãe diz e Grace repete. — Estamos indo na casa de uma amiga minha. Grace não teve aula na faculdade hoje então a chamei.
— Entendo. Se divirtam — falei e mamãe sorriu saindo da sala. Voltei ao meu trabalho.
C E L I N E
— Eu não tenho palavras para agradecer a tudo que o senhor Juliano fez por mim, madrinha — falei a olhando. O céu estava tão azul em LA. Como senti saudades daqui.
Um ano de grande mudança na minha vida. Grande mesmo.
Estou formada em música, e ainda mais, posso ver novamente.
Senhor Juliano pagou tudo para mim. Inclusive, fez madrinha ir atrás dos melhores oftalmologistas em Londres.
Claro que não contei a ninguém que posso ver. Quero dizer. Não as pessoas que conheço aqui em LA.
José abriu a porta do carro e nos ajudou com a mala. Sorri ao lembrar da casa que foi feito algumas mudanças, mas não muitas.
É claro que lembro! Eu não fui cega a vida toda. Fiquei cega com meus dezenove anos, e agora, entrando em meus vinte e três anos, voltei a ver novamente. Vejo Amber saindo de dentro da casa, e continuava linda como sempre. Seus cabelos loiros e longos como os meus. Olhos azuis, mas os meus eram verdes. Tinha pessoas que juravam que éramos irmãs, mas Amber ficava com raiva quando faziam comparação. Ela sempre foi bem enjoada quando queria.
— Adorei as botas fofinhas — eu disse antes dela chegar bem perto. Ela parou, sorriu e olhou para suas botas.
— Pera aí! Sério?
— Sério. Vejo melhor que antes, minha querida.
— Uau — ela sorriu e me abraçou — Isso é ótimo. Papai te ajudou? Ele é um anjo. Nossa! Eu pensei que não teria mais jeito. Que bom mesmo que você ficou boa!
— Sim. Ele mesmo. Quem mais poderia? — sorri.
— Amber, temos salão marcado agora. Vamos — Amélia passou por mim sem falar nada. Amber deu de ombros e sorriu para mim.
— Depois nos falamos mais — ela sorriu. É claro que Amber estava feliz, mas ela é fechada demais com esse negócio de sentimentos. Não sei. Talvez por não ter o pai presente. Algo que ela sempre sentiu falta. Até ela se cansava da sua mãe as vezes.
— Certo — Falei e olhei para trás, onde Amélia já dava ordens a madrinha. Logo ela se foi e madrinha se aproximou de mim.
— Já me deu ordens. Limpar os tapetes da casa e fazer uma faxina na sala.
— Eu te ajudo. — falei
— Você sabe que você não precisava fazer nada, não é mesmo?
— Eu te ajudava quando estava cega, madrinha, e agora que posso ver, vou te ajudar em tudo. Não vou deixar a senhora sofrer na mão dessa aí sozinha. Você não aguenta mais limpar toda a casa como antes. Eu sei que é difícil, porque eu me sentia cansada quando limpava a menor coisa que tinha, imagine essa casa toda?
— Você é um doce, minha querida — ela sorriu e me abraçou — Vamos.
Meus olhos pousaram no mesmo local em que Enzo e eu nos falamos pela última vez, e se me lembro bem, foi uma conversa bem dolorosa. Pelo menos pra mim.
Como ele está agora? Como ele é? Queria tanto vê-lo. Mas, depois de tudo , será que ele também quer me ver? Conheceu outra? Ainda sente algo por mim como disse da última vez?
Mensagem para Bianca.
Venha me ver :)
Mensagem de Bianca
AGORA!! ESTOU INDO JÁ
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Sorri e guardei o celular novo que ganhei a pouco tempo da minha madrinha.
Entrei na casa, e observei o quão bonita ela ainda está. Claro que houve mudanças, mas agora, esta belíssima.
Guardei as minhas coisas no meu quarto, que madrinha redecorou e estava tão lindo e meigo.
A minha cirurgia fiz em agosto do ano passado. Meu aniversário de vinte de dois comemorei com a minha madrinha e meus amigos da faculdade. Fiz tantas amizades boas e estou tão feliz por tudo ter dado certo. Eu adorei Londres, e sem dúvida alguma, eu, um dia, irei voltar.
Deixei o quarto e madrinha foi trocar de roupa. Olhei um pouco mais a casa, me lembrando de como é bonita.
Lembro-me de tudo. Tudo mesmo. Menos do acidente que me deixou cega. Por isso não falo quando as pessoas perguntam. Me sinto m*l por não lembrar do acidente ou de como aconteceu.
Os polícias me acharam jogada no jardim a noite. Lembro que foi na noite em que Amber e Amélia viajaram para o Canadá. Estava apenas eu e madrinha na casa.
Como entraram? Como aconteceu? Quem foi?
E eram milhares de perguntas sem respostas.
Cheguei no jardim, e Otávio veio na minha direção. Ele sorria de lado, mas eu fiquei com a minha cara neutra, fingindo não ver nada. Foi aí que reparei ele olhando para meu corpo, e eu não gostei de maneira alguma.
— Belo chapéu, Otávio — assim como fiz com Amber, fiz com ele. Otávio engoliu em seco e ficou nervoso. Eu ri amarelo.
— Celine? — ele estava surpreso — Você... você...
— Isso mesmo — falei cruzando os braços — Esperava que ficasse feliz. Mas ficou surpreso e espantado?!
— É por que ele não vai te comer com os olhos como fazia quando você não enxergava — escuto a voz de Bianca. Eu sorri e corri para um abraço apertado.
— Estou tão feliz que esteja de volta, e mais feliz ainda que você pode ver. Eu sabia que lá o seu patrão iria através de pessoas fazer várias mudanças na sua vida.
— Estou feliz também. — sorri — trouxe algo pra você. Um presentinho — sorri e toquei a sua mão. A levei para o quarto e abri a mala. Tirei um piano pequeno de madeira feito a mão.
— Owt ... eu amei — ela sorriu e me abraçou
— O outro presente é a aula de Piano que vamos começar de novo, e agora, vamos pegar pesado. — falei e ela concordou.
— Você sabe que eu tenho um. Pode-me ensinar na minha casa? Eu venho te buscar sempre.
— Tudo bem — sorri, mas na verdade, eu temia. — Vou amanhã cedo mandar alguns currículos para algumas escolas de música por aqui, e acerto o dia com você.
— Certo — ela sorri e fica me encarando — Estou tão feliz mesmo, Celine. Você não imagina. — me abraçou de novo. — Agora você pode voltar a ser quem era! Sair, ir para festas com amigos, curtir mais... tudo saudável, claro — ela falou e eu ri.
— É claro. Mas, primeiro tenho que me estabilizar novamente qui.
— E eu te entendo, e você tá certa. Sempre com a cabeça no lugar. Amo isso em você. Ah, Celine. Você é uma amiga maravilhosaaaa, sabia? Você é doce, meiga, humilde.... Merece tudo de bom nessa vida.
Abaixei a cabeça e sorri.
— Obrigada, Bianca. Eu tento ser cada dia melhor. Eu quero conhecer coisas boas. Eu planto isso. Mas, não quer dizer que se algum dia algo de r**m acontecer comigo, seja porque eu plantei algo ruim... é só a vida nos testando, e nos fazendo mais forte.
— Além de tudo o que eu disse , é inteligente e sabiá com palavras. Posso te guardar em um pote?
— Quem sabe depois!? — sorri e segurei seu braço — Você vai me ajudar a arrumar isso aqui — aponto para a roupa — Aliás, quero muito ver Grace e o bebê dela — sorri ansiosa.
— Ahhh! Meu sobrinho é tão lindooooo, amiga. Você vai amar ele. — ela diz empolgada.
E então ficamos apenas colocando a papos em dia. Ela em nenhum momento tocou no nome do irmão, mas eu tomei a iniciativa.
— E como Enzo está? — perguntei não a olhando.
— Ele tem passado por alguns problemas, mas está bem — ela diz com a voz preocupada.
— Que tipo de problemas?
— Bebida — ela responde, e eu me lembrei do dia que ele bebeu na fazenda do seus pais. — Ele não se controla, Celine. Ele tem passado por seu Piscologo , mas não adianta. Ele pode até enganar Heitor e Magno, mas eu não. Eu sei que ele ainda bebe ocasionalmente ou quase sempre. Só não tenho certeza porque não vivo na cola dele, não é.
— Isso me parece ser péssimo — falei preocupada. Eu queria vê-lo e perguntar para ele se tá tudo bem.
— Você poderia falar com ele, não é? Não que você tenha algo a ver, mas, eu sei como ele sentiu sua falta, e , talvez, sua presença ajude ele...
— Da última vez ele foi embora... quero dizer.... — pensei — ele não quis me esperar, então ele foi embora, não eu.
— Tente entende-lo. Ele errou sim, mas, foi difícil — Bianca diz. — Mas, mudando de assunto, cadê a cobra da Amber?
— Ela não é cobra, Bianca. Cobra é a dona Amélia. — digo sorrindo de lado. — Você mesmo já disse um dia: A bondade da Amber as vezes é ofuscada pela mãe.
— Talvez seja isso — Bianca diz pensativa — Eu queria poder ficar mais tempo com você, mas agora estou indo para a empresa e hoje terei algo importante por lá. Tudo bem?
— Claro, Bianca. Vai lá. Agora você é uma empresária — sorri e toquei seu ombro — te mando uma mensagem mais tarde, ok?
— Certo. — ela levanta e segura meus ombros. — Estou feliz com tudo isso que está acontecendo com você. São coisas boas..
— Sim — sorri e mordi os lábios
— Até mais tarde
Nos despedimos e eu terminei de arrumar sozinha meu quarto. Fui para o de madrinha e a ajudei também. Troquei de roupa, colocando uma mais velha para começar a faxina na sala. Levantei os móveis enquanto madrinha ficou com os tapetes do lado de fora.
Passei a manhã inteira limpando a grande sala, que , aliás, estava mesmo precisando. Era cansativo, mas eu não deixaria nunca minha madrinha fazer aquilo sozinha. Ela é tudo o que eu tenho, e já fez tanto por mim, nada mais justo em reconpesa-la no que eu puder. Eu estava de joelhos na sala, passando um pano nas lajotas para que ficasse brilhante, quando José abriu a porta e entrou com várias malas, não só ele, como Otávio também. Foi aí que vi um homem entrando, e ao lado, um rapaz mais novo. Ele me encarou e eu me coloquei de pé.
— Sr. Juliano? — perguntei supresa. Madrinha mostrou uma foto dele ano passado quando estávamos em Londres. Era mais novo, mas ainda reconhecível.
— Celine? — ele lembrou do meu nome.
— Sim — sorri e me aproximei, limpando as mãos e estendendo para ele.— Um prazer conhecê-lo — sorri e ele sorriu com amor pra mim. Não tocou na minha mão, mas me abraçou.
— Um prazer também , Celine. — disse, e eu cumprimentei o rapaz ao lado. — O que você tá fazendo? — ele pergunta olhando para trás vendo os frascos de limpeza.
Olhamos para frente quando escutamos barulho de carro, e era Amber e Amélia.
— Juliano — Amélia correu e o abraçou — Meu amor. Quanto tempo. Como você volta, e não avisa?
— Oi, Amélia. — ele a abraçou e sorriu fraco.
— Pai... — Amber estava assustada. Eu entendo ela. Foram anos e anos sem ver o pai. Desde os três anos, Amber não vê o pai.
Eles se abraçaram, e Amber chorou em seu ombro
— Não some mais, pai — ela falou o apertando mais em seus braços.
— Não irei. Nunca mais. — ele falou.
— Volte ao trabalho — Amélia sussurrou para mim, e quando eu ia me virando, o Senhor Juliano segura meu braço.
— Você fica! — diz pra mim — Amber? Leve Thiago para um quarto.
Ele diz, e Amber faz isso.
— Amélia, o que está acontecendo aqui? — perguntou, e olhou com rancor para a mulher.
Uma briga por minha causa não!