capitulo 20

780 Words
# Capítulo 20: Sangue, Chuva e Promessas ♟️ POV: Ares A chuva caindo no Porto de Nova York era implacável, lavando o asfalto, mas incapaz de limpar o cheiro de pólvora e ferrugem que impregnava o ar. O confronto final contra os remanescentes de Grigori foi rápido, frio e cirúrgico. Meus homens fecharam as saídas dos galpões em questão de minutos, cortando qualquer chance de fuga. Eu não estava ali para negociar rendições ou enviar avisos. Eu estava ali para extirpar a ameaça pela raiz. Caminhei entre os contêineres metálicos, o som dos meus sapatos pisando nas poças d'água misturado ao estalo seco dos últimos disparos de Viktor. Segurava a minha arma com firmeza, o pulso calmo, a mente completamente focada na imagem de Elena me pedindo para voltar. O último homem dos russos, ferido e encurralado contra um guindaste, tentava erguer o fuzil com as mãos trêmulas. Não dei tempo para desculpas. Um único tiro no peito encerrou a última peça da máfia russa que ousou ameaçar a minha gaiola. O silêncio voltou a imperar no porto, quebrado apenas pelo barulho da tempestade. — Limpem tudo — ordenei a Viktor, guardando a pistola no coldre e ajeitando o sobretudo molhado. — Não quero um único vestígio deles até o amanhecer. A polícia não precisa saber de nada disso. — Sim, chefe — Viktor respondeu, limpando o suor e a chuva do rosto. — E a cobertura? — O caminho está limpo — murmurei, olhando para o horizonte escuro onde a silhueta dos arranha-céus de Manhattan se destacava. — A guerra acabou. Subi no carro. Durante todo o trajeto de volta, o sangue no meu corpo parecia ferver por uma razão completamente diferente da adrenalina da batalha. Eu tinha feito uma promessa a Elena antes de sair. Eu disse que voltaria. E disse que, quando a poeira baixasse, não haveria mais desculpas para a ilusão de distância entre nós. POV: Elena Cada minuto daquela madrugada pareceu uma eternidade. Eu não consegui dormir. Passei horas andado em círculos pela sala de estar escura, olhando fixamente para a porta de entrada. O som da chuva caindo contra as vidraças blackout aumentava o meu aperto no peito. A imagem do rosto de Ares, a frieza combinada com aquele toque desesperado de posse, não saía da minha cabeça. Eu sabia o que significava o retorno dele. Se ele cruzasse aquela porta vivo, eu estaria selando o meu destino de vez. Não havia mais para onde fugir, e o mais assustador é que uma parte sombria de mim não queria mais fugir. O som metálico da fechadura eletrônica me fez congelar no meio da sala. A porta pesada se abriu lentamente. Ares entrou. Ele estava encharcado pela chuva. O sobretudo preto brilhava com a água, e a camisa social estava levemente desabotoada no colar. Ele parecia exausto, o rosto marcado pelo cansaço do combate, mas quando seus olhos cinzentos encontraram os meus na penumbra da sala, a intensidade daquele olhar fez meu joelho fraquejar. Ele tirou o sobretudo, jogando-o no chão sem se importar com a água que pingava no piso de mármore. Caminhou até mim com passos lentos, pesados, como um guerreiro que finalmente retorna para casa após a destruição. — Você voltou... — a minha voz saiu como um sussurro trêmulo. — Eu disse que voltaria, boneca — a voz dele ressoou grave e rouca, vibrando por todo o meu corpo. Ares parou a centímetros de mim. Sentindo o cheiro de chuva, fumaça e o perfume marcante dele, ergui a mão instintivamente e toquei seu rosto, sentindo a pele fria pela água. Ares fechou os olhos por um segundo ao sentir meu toque, inclinando a cabeça contra a minha palma em um gesto de entrega que me tirou o ar. — A ameaça acabou, Elena — ele disse, abrindo os olhos e segurando o meu pulso com firmeza, mas sem machucar. — Os russos não existem mais. Você está segura. — E agora? — perguntei, sustentando o olhar dele, os olhos marejados. — O que acontece com a minha liberdade? Ares deu um sorriso lento, sombrio e devastadoramente lindo, puxando o meu corpo contra o dele até que não restasse nenhum espaço entre nós. — Sua liberdade sempre esteve aqui, Elena — ele murmurou perto dos meus lábios. — Comigo. Você pode odiar o meu mundo o quanto quiser... mas você pertence a este inferno comigo. E eu nunca mais vou deixar você ir. Quando a boca dele esmagou a minha em um beijo profundo, quente e carregado de uma possessividade definitiva, não houve mais resistência. Entrelacei meus braços ao redor do pescoço dele, aceitando o meu lugar no império do Deus Grego.
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