## 📖 Capítulo 11: A Sombra no Horizonte
### ♟️ POV: Ares
O cheiro de suor, sexo e submissão ainda pairava no ar do quarto quando me afastei de Elena. Ela estava deitada na cama, os cabelos loiros espalhados pelo travesseiro, a respiração finalmente voltando ao normal. Ver as marcas dos meus dedos na pele alva dos seus quadris me deu uma satisfação possessiva quase doentia.
Vesti meu roupão de seda preta e caminhei até a varanda. A noite de Nova York parecia calma do alto do quadragésimo andar, mas eu sabia que o submundo estava se movendo. Grigori e os russos tinham recuado após o aviso no porto, mas no nosso negócio, o recuo é apenas o prelúdio de um ataque mais arquitetado.
Meu celular corporativo vibrou no bolso do paletó jogado no chão. Peguei o aparelho. Era uma linha segura.
— Fale, Viktor — ordenei, a voz baixa para não acordar a garota.
— Senhor, temos um problema — a voz do meu chefe de segurança estava tensa, algo raro. — Pegamos um informante dos russos tentando rastrear os passos do seu carro particular nos últimos dois dias. Ele não estava interessado nas rotas de contrabando.
Senti um estalo frio na base do meu crânio.
— O que ele queria?
— Ele estava tirando fotos da fachada da cobertura, senhor. Eles sabem que o senhor levou alguém para lá após a execução do Carter. Eles ainda não têm o nome dela, mas já sabem que o senhor tem um ponto fraco na gaiola.
Minha mão apertou o aparelho com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram brancos. O erro de qualquer homem no meu patamar é deixar que os inimigos saibam o que pode ser usado para chantageá-lo. E Elena Vance, a loira simples que deveria ser apenas um brinquedo descartável, tinha acabado de se tornar o meu calcanhar de Aquiles.
Olhei de relance para o quarto através do vidro. Ela dormia, inocente, sem ter ideia de que o sangue do meu mundo estava prestes a respingar nela de forma muito mais violenta.
— Elimine o informante — rosnei para o telefone. — Aumente o perímetro da cobertura. Quero atiradores no prédio da frente a partir de amanhã cedo. Se alguém olhar torto para aquela janela, meta uma bala na cabeça.
Desliguei sem esperar resposta. Voltei para o quarto, sentindo o sangue ferver. A obsessão que eu sentia por ela agora tinha um componente novo e perigoso: a necessidade visceral de protegê-la do próprio inferno que eu criei.
### 🕊️ POV: Elena
Acordei com uma sensação estranha de sufoco. Não era o peso do corpo de Ares, mas sim o olhar dele.
Ele estava sentado na poltrona de couro no canto do quarto escuro, vestindo um terno novo, perfeitamente alinhado, embora passasse pouco das cinco da manhã. Ele não estava com o semblante sarcástico de sempre. Os olhos cinzentos pareciam duas lâminas afiadas na penumbra, focados em mim com uma intensidade que me fez puxar o lençol até o queixo.
— O que aconteceu? — perguntei, a voz rouca pelo sono e pelo esforço da noite anterior.
Ares levantou-se, caminhando até a borda da cama. Ele enfiou as mãos nos bolsos da calça social, olhando para mim de cima.
— As regras mudaram de novo, boneca — a voz dele era um barítono cortante, desprovida de qualquer vestígio do calor da madrugada. — A partir de hoje, você não sai deste quarto. Nem para a sala, nem para a cozinha. As janelas vão ficar com as cortinas blackout fechadas vinte e quatro horas por dia.
Fiquei de pé na cama, o lençol caindo, a indignação superando o medo por um segundo.
— Você enlouqueceu de vez?! Já não basta me manter presa aqui como um animal, agora quer me trancar no escuro? Eu preciso respirar, Ares! Eu preciso saber se a minha mãe está bem!
Em um movimento fulminante, ele subiu na cama e segurou meus ombros, me sacudindo de leve, o rosto colado ao meu. A frieza nos olhos dele me paralisou.
— Escute bem, Elena — ele sibilou, cada palavra saindo como uma promessa de morte. — Se você der um único passo para fora desta linha de tiro, se você abrir aquela cortina e um reflexo do seu cabelo loiro aparecer para o prédio da frente, os meus inimigos vão descobrir quem você é. E se eles te pegarem... eles não vão ser rápidos como eu fui. Eles vão te usar para me atingir, e depois vão mandar os seus pedaços para a sua mãe em uma caixa de papelão.
O horror daquelas palavras me atingiu como um soco no estômago. Minhas pernas fraquejaram e eu caí de joelhos no colchão.
O perigo real do submundo dele tinha acabado de bater à porta. Eu não era apenas a prisioneira do Deus Grego. Eu agora era o alvo.
Ares soltou meus ombros, o olhar dele suavizando por um milésimo de segundo antes de voltar a ser puro gelo. Ele passou a mão pelos meus cabelos, um carinho que parecia uma posse definitiva.
— Eu vou resolver isso — ele sussurrou perto do meu ouvido, o hálito quente me causando um arrepio. — Mas até lá, você obedece. Porque eu prefiro ver você chorando de raiva na minha cama do que sangrando nas mãos de outro homem. Você é minha, Elena. E eu protejo o que é meu.