capĂ­tulo 12

1100 Words
## 📖 Capítulo 12: Sangue no Asfalto ### ♟️ POV: Ares O som de metal retorcido e o impacto do projétil contra o vidro blindado do utilitário ecoaram como um trovão. — Emboscada! — Viktor gritou, girando o volante com força enquanto os pneus cantavam no asfalto molhado da Terceira Avenida. Três SUVs pretos surgiram do nada, bloqueando o cruzamento. Homens encapuzados saltaram dos veículos, empunhando fuzis automáticos. Uma chuva de balas de grosso calibre começou a martelar a blindagem do meu carro, criando uma teia de rachaduras esbranquiçadas no para-brisa. Eu não pisquei. A adrenalina, pura e gelada, inundou meu sistema, limpando qualquer resquício de cansaço. Minha mente funcionava em alta velocidade. Eles achavam que podiam me encurralar no meio da tarde, no coração de Manhattan. Eles achavam que eu era apenas um herdeiro atrás de uma mesa de escritório. — Viktor, rompa o bloqueio! — ordenei, a voz firme, sem um único traço de pânico. Puxei a pistola semiautomática do coldre sob o paletó e destravei-a. Ao mesmo tempo, ativei o painel traseiro, liberando o compartimento onde guardávamos o armamento pesado. Peguei um fuzil compacto de assalto. O utilitário Vanderbilt avançou como um touro mecânico, atingindo a lateral de um dos SUVs inimigos. O impacto jogou dois atiradores longe, mas os outros continuaram a atirar. O pneu dianteiro esquerdo estourou com um estilhaço, fazendo o carro rodar e parar atravessado na pista. — Fique atrás de mim, senhor! — Viktor gritou, abrindo a porta do motorista para usar como escudo enquanto começava a revidar. Saí pelo lado oposto, rolando pelo asfalto úmido e me abrigando atrás da traseira do carro. O caos estava instaurado. Pedestres gritavam, correndo em pânico pelas calçadas, enquanto o som dos disparos ensurdecia a avenida. Coloquei a mira do fuzil no primeiro encapuzado que avançava. Disparei três vezes. Dois tiros no peito, um na cabeça. O homem desabou como um saco de batatas. Girei o corpo, flanqueando o segundo atirador, e descarreguei uma rajada que o jogou contra o capô do carro deles. O sangue começou a escorrer pelo bueiro, misturando-se com a água da chuva. Um dos homens, gravemente ferido na perna, tentava se arrastar de volta para o veículo de fuga. Corri na direção dele antes que ele pudesse alcançar a arma caída. Prendi o peito dele contra o chão com a sola do meu sapato de couro sob medida, aplicando força até ouvir o estalo de suas costelas. Arranquei o capuz dele com brutalidade. Rosto eslavo. Olhos injetados de terror. Tatuagens da máfia russa no pescoço. — Quem mandou vocês? — perguntei, a voz baixa, letal, apontando o cano fumegante do fuzil direto para a testa dele. O homem cuspiu sangue, rindo de forma doentia. — Grigori... mandou lembranças, Vanderbilt. Ele disse que... se não pudermos quebrar você... vamos quebrar a passarinha loira que você esconde na gaiola... O mundo ao meu redor pareceu congelar. O som das sirenes da polícia ao longe sumiu. A única coisa que sobrou foi uma fúria cega, primitiva e avassaladora. Eles sabiam. Eles sabiam da Elena. Eles queriam tocá-la. Não fiz mais perguntas. Apertei o gatilho. O disparo ecoou, encerrando a risada do russo. Afastei-me do corpo, a respiração pesada, os nós dos meus dedos brancos ao redor do fuzil. Olhei para Viktor, que tinha um corte na testa, mas estava vivo. — Senhor, a polícia está a três quarteirões. Precisamos sair daqui agora — Viktor alertou, limpando o sangue do rosto. — Pegue o carro reserva. Vamos voltar para a cobertura — ordenei, a voz desprovida de qualquer humanidade. — A guerra começou, Viktor. E eu vou queimar Moscou inteira antes de deixar que encostem um único dedo nela. ### 🕊️ POV: Elena O quarto escuro parecia uma tumba de luxo. As cortinas blackout barravam qualquer vestígio de luz do dia, me mantendo em uma noite eterna. O único som era o tique-taque do relógio e o eco dos meus próprios pensamentos. Eu estava sentada no chão, abraçando meus joelhos, quando ouvi o som da porta da frente da cobertura ser aberta com uma violência absurda. Passos pesados e rápidos rasgaram a sala de estar. O trinco do meu quarto foi liberado e a porta bateu contra a parede com força. Ares entrou. Prendi a respiração. O estado dele era aterrorizante. O terno preto estava rasgado no ombro, a camisa branca exibia manchas de fuligem e respingos vermelhos que eu sabia, com horror, ser sangue. Mas o pior eram os olhos dele. O cinza gélido tinha se transformado em uma tempestade de pura demência e possessividade. Ele caminhou até mim como um demônio saído direto do inferno. Antes que eu pudesse formular uma pergunta, ele me agarrou pelos braços, me içando do chão e pressionando meu corpo contra o peito dele com tanta força que o ar sumiu dos meus pulmões. — Ares... o que aconteceu? Você está sangrando! — exclamei, minhas mãos tocando o tecido manchado da camisa dele, o pânico me dominando. Ele não respondeu. Ele simplesmente afundou o rosto no meu pescoço, respirando o meu cheiro de forma frenética, quase dolorosa. O corpo dele inteiro tremia com a descarga de adrenalina e ódio. — Eles tentaram — ele sussurrou, a voz rouca, vibrando contra a minha pele de um jeito que me causou arrepios. — Os russos. Eles tentaram me parar. E eles falaram de você, Elena. Eles sabem sobre o seu cabelo loiro. Eles acham que podem te usar para me destruir. Olhei para ele, com o coração batendo na garganta. O medo por mim e por minha mãe voltou com força total, mas ver o Deus Grego, o homem intocável e arrogante, naquele estado de vulnerabilidade violenta por minha causa fez algo mudar dentro de mim. — O que você vai fazer? — perguntei, a voz trêmula. Ares segurou meu rosto com as duas mãos, seus dedos sujos de pólvora cravando-se na minha pele. O olhar dele me devorou por completo. — Eu vou matar cada um deles, boneca — ele prometeu, o sorriso sarcástico e sombrio retornando aos seus lábios, mas carregado de uma promessa real de morte. — Ninguém toca no que é meu. Ninguém chega perto da minha gaiola. A partir de hoje, você não é apenas minha prisioneira. Você é a minha única razão para manter este mundo de pé. E eu vou te proteger, mesmo que eu tenha que me tornar o próprio d***o para isso. Ele selou as suas palavras com um beijo possessivo, misturando o gosto de ferro do sangue dele com as minhas lágrimas, selando definitivamente o nosso destino naquele inferno.
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