Quando avistei o portão do orfanato, meu coração já não batia no mesmo ritmo de minutos antes. Havia algo no ar. Não sei explicar direito — talvez fosse instinto, talvez fé demais misturada com ansiedade —, mas assim que desliguei o carro, antes mesmo de abrir a porta, senti que aquela visita não seria silenciosa como eu imaginara durante todo o caminho. O lugar que sempre me trouxe paz naquela infância quebrada estava diferente. Luzes acesas demais para aquele horário. Janelas iluminadas. Som de passos apressados ecoando pelo pátio interno. Vozes femininas cortando a madrugada em murmúrios urgentes, que iam e vinham como ondas nervosas. O vento balançava levemente as árvores antigas do terreno, e as sombras dançavam nas paredes brancas do prédio principal, criando uma sensação estranha,

