A ausência da Ângela começou como um silêncio estranho e logo virou um peso dentro de casa. No primeiro dia, ninguém comentou mais nada. No segundo, minha mãe começou a olhar mais vezes para o celular. No terceiro, o nome dela já estava solto no ar, mesmo quando ninguém o pronunciava. — Estranho a Ângela não ter aparecido mais… — Rosa comentou, enquanto lavava a louça do almoço, com aquele tom que mistura preocupação e culpa. Eu estava sentado à mesa, mexendo o café já frio, observando o vapor quase inexistente subir da xícara. Minha cabeça estava longe, mas aquelas palavras me puxaram de volta com força. — Talvez ela esteja ocupada — respondi, automático demais. Minha mãe parou de esfregar o prato por um segundo. Não virou o rosto, mas eu senti o peso do silêncio que veio logo depois

