Orfanato/Refúgio

949 Words

Entro no orfanato quase sem sentir os pés no chão. É como se o corpo tivesse chegado antes da alma. O portão antigo que range baixo, aquele som familiar que eu ouvi milhares de vezes na infância, quando voltava correndo do quintal depois de alguma travessura. A estrada de chão ainda guarda o mesmo cheiro de terra úmida, misturado com o perfume das árvores altas que cercam o lugar como braços protetores. Aqui, tudo parece respirar mais devagar. Até o tempo. Em segundos, outras freiras aparecem, como se já estivessem acordadas esperando por algo assim. Irmã Helena, que sempre cuidou da enfermaria, aproxima-se com expressão séria, avaliando a mulher com um olhar clínico. — Ela está inconsciente — digo. — Foi atropelada. — Respiração? — pergunta Helena, já posicionando a maca. — Fraca, mas

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