A Mulher

1417 Words

Quando eu já estava com a mão apoiada na lateral do confessionário, prestes a me levantar de vez, ouvi passos apressados do lado de fora. Não eram passos calmos, nem discretos. Eram irregulares, quase tropeçados, acompanhados por uma respiração pesada, descompassada, como se a pessoa tivesse corrido até ali sem olhar para trás. Meu corpo inteiro reagiu antes mesmo de eu pensar. Voltei a me sentar. — Padre… — a voz veio ofegante, baixa, urgente. — Por favor… ainda dá tempo? Era ela. Ana. Reconheci na mesma hora, mesmo sem vê-la. Havia algo na maneira como ela falava — sempre com cuidado, sempre com um respeito quase dolorido — que eu já não confundia com mais ninguém. — Dá, sim — respondi imediatamente, tentando manter a voz firme, apesar do alívio silencioso que se espalhou dentro

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