O silêncio depois do movimento foi pior do que qualquer impacto.
Elara ainda estava na mesma posição.
Respiração irregular.
Coração acelerado.
Mas não era só isso.
Algo… estava errado.
Ou talvez—
Finalmente certo demais.
— De novo — Rowan disse, ainda cauteloso agora.
Mas dessa vez, Elara não respondeu.
Ela estava ouvindo outra coisa.
Não as vozes.
Não o pátio.
Algo mais profundo.
Um chamado.
Baixo.
Constante.
Puxando.
Seus dedos se contraíram levemente.
— Elara? — a voz de Aiden veio mais próxima.
Mais firme.
Mais… presente.
O vínculo reagiu.
Mas não acalmou.
Piorou.
O ar ficou mais pesado.
Denso.
Como antes de uma tempestade.
— Eu… — ela tentou falar, mas a voz falhou — tem alguma coisa…
Ela não terminou.
Porque sentiu.
Não como antes.
Não como no treino.
Isso era maior.
Muito maior.
Como se algo dentro dela tivesse sido aberto—
E agora não soubesse como fechar.
Seu corpo enrijeceu.
Os olhos se arregalaram.
E então—
A dor veio.
Elara soltou um grito baixo, levando as mãos à cabeça.
O mundo ao redor pareceu vibrar.
O chão sob seus pés… tremeu.
— Aiden — Rowan disse, alerta — isso não é normal.
— Eu sei — a resposta veio imediata.
Aiden já estava ao lado dela.
— Elara, olha pra mim.
Mas ela não conseguia.
A luz—
Prata.
Brilhando por trás dos olhos dela.
Literalmente.
— Afaste todos — Aiden ordenou.
Ninguém hesitou.
Em segundos, o pátio abriu espaço.
Mas não foram longe.
Ninguém queria perder aquilo.
Ou ignorar.
Elara caiu de joelhos.
A respiração falhando.
O corpo inteiro tremendo.
— Eu não consigo… parar…
E então—
A energia explodiu.
Não como fogo.
Não como vento.
Mas como presença.
Uma onda invisível se espalhou a partir dela—
E todos sentiram.
Lobos recuaram imediatamente.
Alguns literalmente se curvaram.
Instinto.
Puro.
Incontrolável.
Rowan travou no lugar.
— O que… é isso?
Aiden não respondeu.
Ele já sabia.
Ou pelo menos…
Sentia.
— Elara — ele disse novamente, mais baixo agora — você precisa me ouvir.
Mas ela não estava ali.
Não completamente.
A lua parecia chamá-la.
Puxando.
Dominando.
Consumindo.
Sua cabeça ergueu lentamente.
Os olhos—
Totalmente prateados.
Sem traço humano.
— Isso… — a voz dela saiu diferente — não é meu…
O vento começou a girar ao redor dela.
Não forte.
Mas constante.
Como se o mundo estivesse respirando junto.
O coração de Aiden bateu mais forte.
Pela primeira vez—
Algo próximo de preocupação real passou por ele.
— É seu sim — ele disse, firme. — E você vai controlar.
Mas ela não reagiu.
A energia aumentou.
Mais intensa.
Mais pesada.
Uma pedra próxima rachou com um estalo seco.
Alguém ao fundo prendeu a respiração.
— Ela vai machucar alguém — Rowan disse.
Aiden deu um passo à frente.
— Não.
Outro.
A pressão aumentou.
Mas ele não parou.
Nunca parava.
— Aiden — Rowan alertou.
— Eu disse não.
A autoridade veio carregada de poder.
Supremo.
Inquestionável.
Mas mesmo assim—
A energia reagiu à aproximação dele.
Mais forte.
Como se reconhecesse.
Como se respondesse.
Como se… desafiasse.
Os olhos de Elara encontraram os dele.
E por um segundo—
Tudo parou.
O vínculo.
Explodiu.
Não suave.
Não calmo.
Mas brutal.
Cru.
Primordial.
Elara puxou o ar com força.
— Aiden—
E então perdeu o controle de vez.
A onda de energia saiu dela em um impacto direto.
Forte.
Violento.
E foi direto nele.
O corpo de Aiden absorveu o impacto—
Mas não foi indiferente.
Ele foi empurrado alguns passos para trás.
O chão rachando sob seus pés.
Silêncio absoluto.
Ninguém…
Ninguém nunca tinha visto aquilo.
Alguém atingir o Supremo.
Elara congelou.
O controle voltou—
rápido demais.
Como se tivesse sido cortado.
— Eu— — a voz dela falhou — eu fiz isso?
O pátio inteiro estava em choque.
Rowan olhava entre os dois, incrédulo.
— Ela acabou de—
— Eu sei — Aiden interrompeu.
Mas não havia raiva na voz dele.
Nenhuma.
Ele se endireitou lentamente.
Os olhos fixos nela.
Intensos.
Mais escuros.
Mais perigosos.
Mas não por ameaça.
Por outra coisa.
Algo muito mais profundo.
— Ninguém toca nela — ele disse, firme, olhando ao redor.
— Mas— — Rowan começou.
— Ninguém.
Silêncio.
Ordem aceita.
Sempre era.
Elara ainda estava no chão.
Confusa.
Respiração descompassada.
— Eu perdi o controle…
Aiden voltou até ela.
Dessa vez mais devagar.
Mais cuidadoso.
Mas sem hesitar.
Ele se abaixou à frente dela.
— Não — disse ele.
A voz mais baixa agora.
Mais próxima.
Mais… só dela.
— Você tocou no que é seu.
Ela engoliu em seco.
— Eu machuquei você.
Ele sustentou o olhar dela.
E então—
um leve, quase imperceptível sorriso surgiu.
— Vai precisar de mais do que isso.
O coração dela falhou uma batida.
O vínculo respondeu.
Mais forte.
Mais estável.
Mas ainda perigoso.
— Isso foi só o começo — ele completou.
E dessa vez…
Não soou como aviso.
Soou como promessa.