Capítulo 6

1487 Words
Violet A limusine estaciona na vaga executiva do lado de fora da sede da Petrolífera Owens, nos arredores de Dallas. O meu avô olha para a janela em seu traje de negócios, seu terno preto impecável, sua camisa branca perfeita, sua gravata vermelho-sangue. Ele não diz nada por um longo momento e eu começo a me contorcer no meu assento. Eu não sabia que era dia de trazer-a-neta-para-o-trabalho na empresa petrolífera, mas aparentemente o vovô não podia me deixar para trás. Amelia me acorda cedo e eu tomo um banho rápido, correndo para me arrumar a tempo de sair. Eu tenho que praticamente correr para a entrada da frente para entrar na limusine antes que eles saiam, e o vovô m*l diz uma palavra para mim no caminho. Eu posso dizer que ele não está feliz que eu — tenha dormido até mais tarde. O sol está espreitando por trás dos prédios e ainda é praticamente noite. Estacionamos na frente, e os funcionários entram no prédio ao nosso redor, dezenas deles, tantas pessoas com suas vidas diferentes, todas dependentes da empresa. Não acredito que essas pessoas estão aqui tão cedo, mas essa é a Petrolífera Owens: ela exige muito de sua equipe de trabalho. Finalmente, o vovô se vira para mim. — Com seu pai morto, quero que você sinta como é trabalhar na Owens hoje. Pisco algumas vezes em surpresa e limpo a garganta. — Uh, vovô, eu tenho outro emprego, sabia? — Sim, estou ciente do seu emprego. Eu posso praticamente ouvir as aspas quadradas em torno dessa última palavra. — Eu não estou contratando você. Estou pedindo que você entenda a situação precária em que nos encontramos. — O que eu vou fazer? Meu estômago está uma bagunça retorcida. Eu trabalhei duro para evitar esse cenário exato — vir trabalhar na petrolífera Owens como todo mundo na minha família. Eu queria uma vida e, de repente, sinto que toda a minha independência duramente conquistada está desmoronando ao meu redor. — Eu ainda não decidi. Você vai me seguir por enquanto. Venha comigo. O vovô empurra a porta e sai. Corro para segui-lo. Ele anda devagar, mancando, apoiado em uma bengala preta simples. Ofereço meu braço a ele e ele o pega com um sorriso suave, mas há algo escondido por trás de seus olhos. — Desde quando você usa isso, vovô? — Eu aceno para a bengala. Ele resmunga. — Desde que minha artrite começou a doer. Tenho certeza de que você esqueceu, mas eu tenho oitenta anos. — Eu vi você há três semanas e você não estava usando naquela época. — Eu estava lidando melhor com a dor. Acontece que a artrite é desencadeada pelo estresse. Mordo minha bochecha e não tenho resposta para isso. Nós passamos pela segurança. Assim que o vovô sai do elevador no último andar, ele é inundado de pessoas: secretárias, gerentes, advogados, contadores. Todos eles querem algo dele, de assinaturas a conselhos e direções, e o vovô acena para todos eles. Ele ouve suas perguntas e sugestões, mas não lhes dá nada em troca, e fecha a porta de seu escritório quando chegamos. O escritório dele. O escritório do meu pai. Fico perto das janelas enquanto o vovô se acomoda atrás da mesa. Fotos minhas crescendo estão espalhadas pelas prateleiras ao lado dos livros antigos que meu pai gostava de colecionar. Há outros toques dele: troféus, uma velha vara de pescar, um navio em uma garrafa. Pequenos toques para deixar claro que esta sala já foi do meu pai, e tudo isso só ressalta sua ausência e a torna muito mais barulhenta. — Violet, venha sentar-se. Hesito, mas vou até lá e sento na cadeira em frente ao meu avô. É muito mais confortável do que a do escritório. — Posso te perguntar uma coisa? Ele estreita os olhos. — Sim, você pode. — Por que chegamos tão cedo? Outra pausa, como se ele estivesse me considerando. Finalmente, ele diz: — Porque eu queria que você visse o estacionamento. Desvio o olhar, em direção à janela. Foi o que pensei. Todas aquelas pessoas. O vovô queria que eu visse o estacionamento, e todos os carros, e todos os funcionários, e todas as vidas que serão afetadas pela decisão que tenho que tomar. Aparentemente, depois da minha conversa com Matteo, as coisas não foram bem entre ele e meu avô. Eles não discutiram — o vovô tem muito tato para realmente discutir com alguém — mas Matteo deixou claro que estava decepcionado com a forma como as coisas estavam indo, e deu a ele o mesmo tempo que me foi dado. Uma semana para decidir. — Isso não é muito sutil, sabia? Foi por isso que você me trouxe aqui também? — Eu nunca faria algo assim. — Seus lábios se apertam em um sorriso enquanto me viro para ele. — Tudo o que eu quero é que você pense neles. — Pense neles e case-se com Matteo você quer dizer — Eu quero dizer que isso serial o ideal. Eu aperto meu maxilar e não digo nada. Nós nunca nos casaremos. — Estou pensando nisso. Não é o suficiente? — Sim e não. Se você realmente vai entender sua decisão, então precisa ver como sua escolha afeta as pessoas ao seu redor. O que significa que você precisa ver cada pessoa na Owens para entender completamente o impacto de tudo isso. Você acha que estou pressionando você a se casar com aquele homem pelo meu egoísmo ? Estou fazendo isso por eles. — Ele gesticula para o estacionamento. — Estou fazendo o meu melhor, vovô. Estou mesmo. O meu avô se afasta da mesa de repente e se levanta. Ele agarra sua bengala, e eu juro que ele está mancando ainda mais do que estava na caminhada para dentro. — Venha comigo. Eu o sigo para o corredor. Está mais silencioso agora que ele não está sendo atacado por funcionários assustados. Estamos no nível executivo, o que significa que há muitos escritórios em todos os lugares, e a maioria deles é ocupada por homens e mulheres olhando diligentemente para telas de computador ou digitando ou olhando para seus telefones como se pudessem distorcer o tempo e o espaço se apenas rolassem a tela com força suficiente. — Este é o cérebro da Owens — diz o vovô baixinho enquanto mancamos. Ele gesticula para os escritórios quando passamos por eles. — Mike está aqui há vinte anos. Cathy está aqui há mais tempo, vinte e cinco, eu acho. Esse é Norman, ele está aqui há seis, e esse é Ernesto, ele está aqui há doze. Cada um deles tem uma história, Violet. Cada um deles tem uma vida, uma família e um futuro. Supondo que a Owens não entre em falência. — Você está exagerando, vovô — digo, tentando sorrir, tentando fingir que isso não está me afetando. Mas já está começando a afetar. Ele para nos elevadores e me encara. — Abaixo de nós, no segundo andar e no primeiro andar, há mais pessoas, centenas delas. Se somos o cérebro, então eles são o coração, os pulmões e os músculos. Nós pensamos, eles fazem, e ao fazer, nós administramos a empresa. Nós tiramos petróleo do solo, transformamos em algo utilizável e vendemos para as pessoas que precisam. Nós geramos energia, Violet, e a energia movimenta o mundo. Se a Owens falir, não posso garantir que todos abaixo de nós ficaram de pé, e o que eu te ensinei sobre nossas responsabilidades? — Os Owens fazem o que é certo. — As palavras saem automaticamente. Tenho ouvido essa frase, repetidamente, a minha vida inteira. Owens fazem o que é certo. Mesmo quando é difícil e mesmo quando dói. Owens fazem o que é certo. E neste caso, de acordo com meu avô, casar com Matteo é a coisa certa a fazer, porque significa salvar os empregos de todas essas pessoas. Eu quero morrer. — Eu disse que não forçaria você a entrar nesse acordo, e não vou — diz o vovô, se apoiando em mim. Ele parece tão magro e frágil de repente, como se sua idade finalmente o estivesse alcançando depois de todo esse tempo. — Mas você tem que entender por que eu consideraria algo assim. — Eu entendo o que isso significa, vovô. Mas aquele homem — Eu sei, querida. Ele parece tão cansado e seu sorriso está cheio de exaustão. — Ele não é da nossa classe social. — Não, ele não é. Ele é um gangster, não sei que espécie de casamento feliz meu avô acha que vou ter. — E você ainda quer que eu faça isso? — Sim, Violet. Sim, eu quero. As portas do elevador apitam, mas o vovô não se move. Elas deslizam e abrem, e parece que meu mundo está sendo arrastado para o poço do elevador, arrastado para a escuridão e jogado no concreto abaixo.
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