Capítulo 5

2076 Words
Matteo Entramos juntos na mansão. É exatamente o que imaginei que seria: pinturas caras, tapetes, luminárias imaculadas, tudo em seu lugar e brilhando. A riqueza grita de cada superfície e poro, e isso me deixa desconfortável. Estou tenso, como se algo pudesse pular de trás das paredes e gritar, você não pertence a este lugar. Eu não cresci como um menino pobre — minha família sempre teve dinheiro e poder — mas comparado a isso, eu poderia muito bem ter sido um mendigo. Tudo isso está mudando. Estou levando a Famiglia Morrone para o futuro, começando com a aquisição de uma grande participação na Petroleira Owens, e a aquisição de uma linda esposinha de sangue azul. O nome dela abrirá para mim portas que, de outra forma, permaneceriam firmemente fechadas. Quando chegamos ao escritório, George é quem mais fala. Howard Owens nos oferece bebidas e se senta atrás de uma mesa absurdamente grande enquanto estamos presos nessas pequenas cadeiras frágeis que devem ter sido construídas para alienígenas. Certamente, nenhum humano poderia se sentir confortável em algo assim. Estou meio ouvindo enquanto meu melhor amigo e advogado martela os detalhes, pelo menos até Howard olhar para mim por cima do uísque, seus olhos brilhando de ódio. Eu amo esse ódio mais do que jamais sonhei que poderia amar. Isso me enche de uma profunda alegria. — Tenho uma condição — ele diz, sua voz velha como o rangido de um motor morrendo— Violet está esperando por você na sala de estar, e se você quiser isso — Ele limpa a garganta e franze a testa. — para que esse casamento aconteça, você tem que fazê-la concordar. Eu levanto minhas sobrancelhas. — Fazer com que ela concorde é sua responsabilidade. — Está na papelada — George acrescenta prestativamente. — Dane-se a papelada. Não vou forçar minha neta a nada. Fiz o meu melhor para convencê-la, e agora é sua vez. Eu encaro o velho por vários longos momentos e ele olha de volta. Ele sabe quem eu sou, mas o fantasma do titã dos negócios que ele costumava ser ainda paira por trás de seus olhos enrugados e envelhecidos. Eu respeito isso, a contragosto. Eu aceno para ele e me levanto. — George, termine de repassar os detalhes, por favor. Eu falo com Violet. O velho Owens me observa sair. Encontro a governanta já esperando no corredor. Ela me leva para uma sala de estar em uma ala adjacente antes de recuar e fechar as portas atrás de si. Meu coração dá uma segunda olhada. É surpreendente a maneira como meu corpo me trai. Mesmo que eu diga a mim mesmo que não me importo com essa garota, que a odeio e tudo o que ela representa — sua pureza, sua riqueza, seu privilégio imerecido — meu corpo ainda quer o que quer. Violet senta-se no sofá com as costas eretas, as mãos cruzadas no colo, com o serviço de chá na mesa de centro à sua frente. Ela não diz nada quando entro na sala, ignorando os relógios ornamentados, as pinturas a óleo, as almofadas e cobertores absurdos, olhando apenas para ela. Ela não mudou nada. Suéter branco. Calça azul-marinho. Roupas conservadoras demais para uma garota. Aposto que seu maxilar cerrado poderia quebrar uma moeda ao meio. Seu cabelo está preso em um coque, e cada fio está no lugar. Suas unhas são azuis, seus dentes são retos, e seus lindos lábios rosados mostram sinais de terem sido mastigados ultimamente, provavelmente por causa do nervosismo. Ela é linda. Fodidamente linda. Violet sempre foi deslumbrante, mesmo que ela esconda isso sob gerações de criação de elite. Ela emite essa atitude de olhar para tudo de um penhasco a mil milhas de distância, como se falar com um homem como eu pudesse infectá-la. Há uma razão pela qual eu queria jogá-la na terra naquele jogo de softball: Violet Owens é incrível de um jeito que eu acho horripilante. Ela me faz querer quebrá-la. Ela me faz querer enfiar a cara dela na lama e t*****r com ela por trás. É pura luxúria animal. Eu quero arrastá-la para o meu nível, fazê-la rolar na sujeira, fazê-la gritar, gemer e implorar, fazê-la gozar de novo e de novo, gozar de forma confusa e desleixada, gozar selvagem e fora de controle, gozar com meu nome nos lábios, gozar tão forte que ela perca a cabeça e deixe todas essas paredes perfeitas caírem por um segundo, para que eu possa ver a pessoa real por baixo da armadura. Quero deixá-la nua e ver como ela sangra. Isso é perigoso. Eu sei que isso não é inteligente. George está certo — um homem inteligente se casaria com uma princesa da máfia, uma que sabe como calar a boca, ter bebês e obedecer à Famiglia. Violet Owens definitivamente não é isso. Eu caminho até lá e sento no sofá em frente. Ela não diz nada enquanto eu sirvo um pouco de chá. Ainda está quente enquanto eu a encaro e levo a xícara aos meus lábios. Ela está tremendo muito levemente, mas fazendo o melhor que pode para esconder. — Eu ganharia — eu digo depois que o silêncio começa a ficar insuportável. Suas sobrancelhas se erguem em surpresa. — Você o quê? — O jogo de softball. — Eu sorrio com a reação dela, o jeito como ela enrijece como se alguém tivesse lhe dado um soco na boca. Ah, sim, ela tem pensado nisso todos esses anos. — Mesmo se eu não tivesse te derrubado, eu ganharia. — O que há de errado com você? — ela pergunta, sua respiração um sussurro. — Por que você falaria nisso? Não te vejo há sete anos e a primeira coisa que você faz é me lembrar daquele jogo i****a? — Pensei muito sobre isso desde então. — Eu não tenho pensado. — Mentirosa. — Eu rio, genuinamente animado. Isso é muito melhor do que eu esperava. Ela está brava, desafiadora e tão assustada. — Aposto que ninguém nunca falou com você desse jeito em toda a sua vida. Aposto que ninguém fez isso desde então também. Aposto que os homens andam na ponta dos pés ao seu redor, com medo de te tocar, com medo de te machucar, como se você fosse uma linda estátua de vidro em um museu muito bonito. Aposto que você foi tratada como se fosse uma boneca de porcelana desde o dia em que nasceu. — Eu me inclino mais perto, o coração disparado. — Aposto que você gostou quando eu te machuquei e enfiei seu rosto na terra e falei com você como se você fosse apenas mais uma garota. O rosto dela se contorce em desgosto. — É assim que você fala com as mulheres, Matteo? — Só quando elas merecem. — Eu não acho que eu ganhei nada disso, muito menos mereci. Você me envergonhou. Você me machucou sem motivo algum. — Ela fala por cima de mim antes que eu possa responder. — Você fez isso porque odeia que eu venho de uma família como essa. Diga que não é verdade. E agora você quer se casar comigo para ter acesso a essa mesma família porque, como todo mundo do seu mundinho, sabe que você é um hipócrita. Eu me inclino para trás, rindo. — Eu não te odeio nem um pouco. Eu m*l pensava em você até seu pai ser preso e eu vi uma oportunidade. — Então por qual motivo você quer se casar comigo? Se você realmente não se importa — então por que se incomodar? negocie a empresa, mas por que eu? A pergunta paira no ar. As mãos dela esfregam os joelhos e ela está fazendo tudo o que pode para manter o controle. Quero vê-la quebrar. Violet passeia pelo mundo como se tudo fosse um conto de fadas, e ela provavelmente é tratada como uma princesa. Quero que ela experimente como é a vida de todos os outros. Para nós, empregados, no mundo real trabalhando na lama. O mundo não é nada parecido com este quarto: confortável, claro, arejado, caro, perfeitamente adaptado para atender a todas as suas necessidades. O mundo não é bonito, suave e gentil. Eu descobri isso quando era muito jovem, muito jovem. O mundo é duro, c***l e nojento. O mundo é sujo e nojento. O mundo é dor e sofrimento. Violet não sabe nada sobre nada disso, mas eu quero ensiná-la. Eu digo suavemente: — Na minha linha de trabalho, família é tudo. Acho que você pode entender isso. — Ela não me contradiz e eu continuo. — Quando meu pai faleceu e eu assumi o controle da minha organização, eu era o mais jovem a agarrar o poder. Mas não há mais herdeiros. Não há ninguém além de um bando de tios briguentos e primos sedentos por poder. Preciso de uma esposa e preciso de filhos se quiser manter o controle, especialmente quando começo a fazer a transição para novas oportunidades de investimento. — E uma dessas oportunidades é a Petroleira Owens? — Entre outras coisas, sim. O mundo está mudando, mas o petróleo não vai a lugar nenhum tão cedo. Enquanto isso, planejo tornar a família Morrone poderosa nas brasas de uma indústria moribunda, e vou usar sua empresa como o primeiro passo nessa direção. Mas mais do que isso, preciso de acesso a pessoas e lugares que nunca conseguiria alcançar sozinho. É por isso que preciso me casar com você, Violet. Não quero ter nada a ver com sua família, mas preciso dela de qualquer maneira. — Você precisa do meu nome. — E seu corpo. E seus filhos. — Eu sorrio quando ela recua. — Não aja como se fosse ser tão desagradável. — Eu sei que tipo de homem você é e posso imaginar o que você pode gostar, mas acho que não vou gostar. Eu me inclino para frente, olhando fixamente em seus olhos. — Você não tem a mínima ideia do que vai gostar, garota imunda. Isso finalmente a atinge. Ela se levanta abruptamente, quase derrubando o jogo de chá, e se afasta dos sofás. — Eu não consigo fazer isso. — Você consegue. — Eu me levanto, mas não a sigo. — E eu acho que você vai. — Dane-se, Matteo. — Ela está tremendo agora. — Prefiro deixar minha família ruir do que me tornar sua esposa. Prefiro morrer do que ser sua ferramenta e sua porquinha reprodutora. — Ela diz a última palavra com um toque de desgosto. — É exatamente isso que vai acontecer se você recusar. Sua família vai ruir. Você vai falir junto com sua família, ou vai morrer. Você consegue viver consigo mesmo? Você consegue mesmo decepcionar todo mundo? O maxilar dela se move. Deus, ela está brava, e ela está tão linda agora que eu posso me sentir enrijecendo. Eu tenho que respirar fundo algumas vezes para me acalmar, senão eu posso perder o controle, e não é bom quando eu perco o controle. Coisas terríveis acontecem. George e os outros sabem de tudo isso. — Eu terminei aqui — ela diz, virando-se para a porta. — Diga ao meu avô que sinto muito, mas eu não posso fazer isso. — Eu te dou uma semana, garota imunda. Uma semana para mudar de ideia. — Pare de me chamar assim. — Chamar você de quê? Garota imunda? — Eu me aproximo dela agora. — Você não gosta de ser lembrada do que você é? — Você não me conhece, Matteo. — Eu me lembro muito bem de você. Eu a observei em Blackwoods. Eu vi através de sua linda fachada. Você é como seda suja de terra. Linda, mas ainda imunda por dentro. — f**a-se. — Suas mãos vão até a boca. — Deus, agora você está me fazendo te xingar. — Ótimo. Diga todas as coisas horríveis que você puder imaginar. Desabafe. Me chame do que quiser. Eu paro a alguns metros dela. — Quando você for minha esposa, não haverá mais essa merda de ser mais santa. — Eu nunca serei sua esposa. Ela endireita as costas e olha por cima do ombro. Eu poderia morrer agora mesmo e estaria feliz. O olhar que ela me dá é de pura aversão, e é requintado. — Adeus, Matteo. Espero nunca mais ouvir seu nome. Ela abre a porta e sai. — Uma semana — eu grito e suspiro enquanto me encosto na parede, apaixonado pela minha futura esposa.
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