Capítulo 4

895 Words
Matteo A limusine segue em direção a mansão Owens, ao longo de sua sinuosa entrada, passando por fileiras de arbustos perfeitamente cuidados e lindos canteiros de flores, toda aquela ordem escondendo o caos por baixo, através dos extensos cinquenta acres de propriedade e em direção à mansão enorme e antiga. É exatamente como sempre imaginei que seria, e eu a odeio mais do que pensei ser possível. — Tenho que admitir, Matteo, isso é bem duvidoso, até para nós. George se inclina para trás e folheia os contratos, passando por eles uma última vez antes de apresentá-los ao velho Howard Owens para sua assinatura. — As ações e os assentos no conselho são uma coisa, isso é tudo padrão. Um pouco caro, mas é uma boa empresa. Mas a garota? Quero dizer, você literalmente tem uma cláusula de casamento aqui. — Quero ter certeza de que eles não possam recuar. — Tudo bem, eu entendo, mas você tem a família Owens nas mãos agora. Você realmente precisa complicar mais as coisas com casamento? Por que essa garota? E não me venha com essa besteira. Eu me lembro do fiasco do softball. Você quase foi expulso da faculdade por causa dessa merda. Fico em silêncio por um momento enquanto a limusine estaciona em frente às colunas ornamentadas. Deixo meus olhos vagarem pela fachada, demoro-me na fonte e paro na velha governanta parada no topo dos degraus, sorrindo como se estivesse feliz em nos ver. Este lugar representa tudo o que eu odeio. Riqueza geracional. Privilégio imerecido. Admito que Howard Owens já foi um ótimo homem de negócios, mas qualquer um pode ser bom, desde que tenha os recursos certos. Nem todo mundo pode ser ótimo. A verdadeira grandeza exige brutalidade e força, mas famílias como essa não têm nada disso. Eles ficaram moles. Eles se escondem atrás de seus muros, de sua perfeição, e acumulam todos os seus recursos na esperança de poder viver de seu acúmulo para sempre. Estou aqui para mostrar a eles que até o para sempre acaba. Eu escolho não responder à pergunta de George sobre a garota. — Em vez disso, eu digo — Você acha que eles deixariam homens como nós entrarem nesta casa se não fosse por esse acordo? Ele tira os óculos e dá de ombros. Ele é um cara bonito, queixo quadrado, cabelo loiro, olhos azuis. As mulheres o bajulam. Mas George tem um lado sombrio, assim como eu, e seu passado é quase tão duvidoso quanto o meu. Ele também é um dos meus melhores amigos e um ótimo advogado. — Não, eles não fariam isso. Nós dois sabemos disso. — O filho de um chefão da máfia e um órfão. Eles nos jogariam fora como lixo se tivessem a chance. — O mundo está mudando, Matteo. Você parece meio amargo, mas por que se importa se um bando de aristocratas decadentes olham com desprezo para você? Depois de hoje, você terá vencido, quer se case com a garota ou não. Por que correr esse risco e******o? Balanço a cabeça lentamente. E penso em Violet. Linda, irresistível. Loira, olhos azuis, pele como creme de manteiga, um sorriso brilhante o suficiente para iluminar qualquer ambiente. Adorável, incrível Violet. Cabelo impecável, roupas sempre impecáveis, unhas feitas, nenhum fio de cabelo fora do lugar. Um dos meus momentos favoritos da faculdade foi — acidentalmente— deslizar a cabeça nela e esfregar seu rosto na terra, mesmo que isso tenha me causado alguns problemas. Será que ela ainda pensa em mim? O homem que a deixou suja. Mesmo que por apenas alguns segundos. — Não se trata apenas de vencer, mas de ampliar o poder da minha família. — Você acha que é aí que a garota entra? Acho que você está obcecado. Sério, colocá-la no acordo contratual é uma má ideia. Se você me der alguns dias. — Não temos alguns dias. É agora ou nunca. Alguma outra empresa de investimento pode aparecer e oferecer a eles um contrato de salvação a qualquer momento. Precisamos deles agora, enquanto estão desesperados. George suspira, fecha sua pasta e guarda seus óculos. — Você está certo. Mas o tiro pode sair pela culatra. — Estou disposto a correr esse risco. Ele ri e balança a cabeça. — Vou deixar isso passar, e só porque você é o maldito cliente. Mas se eu pudesse falar com meu amigo por um segundo. — Você não pode. — Eu diria a ele, você está cometendo um erro e******o. Eu sei que todos os capos querem que você se case e comece a se reproduzir o mais rápido possível, mas por que essa garota? Ela provavelmente odeia você. E colocar toda essa coisa de casamento em um contrato como esse? É praticamente implorar por um processo. Eu nem tenho certeza se é legal. Ela nem deve se lembrar de você. — Espero que isso não seja verdade. E você vai cuidar de tudo pra que isso seja legal. — Há dezenas de garotas com quem você poderia se casar. Garotas italianas, princesas da máfia. Você poderia fortalecer a Famiglia Morrone dessa forma. — Não, George. Tem que ser ela. Ele fica quieto por um momento, então abre a porta. — O coração quer o que o coração quer — ele diz com um sorriso. Mesmo que ele saiba muito bem que eu não tenho coração.
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