Arco Magia e Phyles - Meu sonho, será físico! - Parte 1/2
As estrelas do céu noturno estão mais escuras hoje. Os pássaros, que antes dormiam, estão vivamente voando pelos céus, como se fugissem do frio congelante que se aproxima. Seria um anúncio, um anúncio para que os seres vivos em Veritatis se preparassem para o intenso frio de inverno...
Mas... Ainda não é inverno. E não é do frio que os pássaros fogem...
Numa planície deserta, um exército de homens confronta um exército ainda maior de lobos negros... A batalha já está se estendendo por longas horas e não parece que os monstros irão desistir de dilacerar todos os humanos ali presentes.
Um Cavaleiro de armadura pesada é brutalmente morto pelas garras de um lobo n***o. Mas esse lobo não é um animal qualquer, é um lobo demoníaco!
Um cavaleiro, com sua espada e seu escudo, se posiciona a frente dos seus companheiros.
- Irmãos! Vamos vencer!! Vamos mandar esses demônios de volta para a cova de onde vieram!! - Ele grita, com uma voz firme.
- Isso!! - os seus aliados gritam, com fervor.
Der repente, esse Cavaleiro que gritava para seus companheiros tem sua garganta cortada por algo extremamente afiado. Nesse momento, todos os cavaleiros assustam-se e começam a tremer de medo.
Um demônio bípede se aproxima dos cavaleiros. A sua cabeça é a de um lobo n***o, porém os seus olhos são pretos com íris amarelas. O seu corpo é rígido como pedra, na sua boca estão dentes sujos pontiagudos e desalinhados. Dos seus ombros saem 2 tentáculos finos como navalhas e em suas pontas estão 2 ganchos afiados, e eles parecem se mover por conta própria. Nas mãos do demônio, estão dedos afiados como navalhas e da sua palma sai o que parece ser uma lâmina afiada.
O demônio libera em alguns grunhidos enquanto se aproxima dos humanos:
- Hu...manos...
Os cavaleiros tremem de medo ao ver um brilhante cristal roxo no centro do tórax do demônio.
- U-Um "Espectro"?! - Um deles grita, nervoso.
- Por que p***a tem um espectro aqui?! - Outro Cavaleiro exclama, tremendo e suando frio.
- Não tem nenhum Capitão por aqui?! Ajude!! - Um cavaleiro grita, olhando ao redor.
Porém, tudo o que os cavaleiros veem é um mar de sangue e corpos espalhados pelas planícies. Todos não conseguem ao menos reagir frente ao demônio que se aproxima deles a cada passo dos cavaleiros...
O silêncio é a única resposta dos homens que clamavam por ajuda.
- Se afastem! - Uma voz masculina, ecoa pelas costas dos cavaleiros.
Todos se viram e espantam-se ao verem um homem de armadura branca reluzente, mas o que mais chamava a atenção era: uma enorme cruz dourada estampada. O homem possui um longo cabelo branco com mechas que caem sobre os seus ombros. Na sua cintura está uma bainha dourada com uma espada com um formado de cruz.
Os Cavaleiros ficam boquiabertos com o cavaleiro de armadura reluzente que caminhava entre eles e, sem medo, se aproximava do demônio.
- Um Paladino?! - Um cavaleiro exclama, sorrindo. - Estamos salvos!
- O Lendário Paladino... Miguel, o imortal! - Um cavaleiro exclama, em lágrimas.
O Paladino, chamado Miguel, saca lentamente a sua espada da bainha revelando a sua lâmina prateada com fio dourado e, ao sacar toda a espada, é revelado a sua ponta quadrada.
- Hu… mano... - O demônio diz parando a alguns passos de Miguel. – Que... aura... você possui...
O Paladino acirra o olhar, mudando a sua expressão séria para um rosto irritado e, erguendo a sua espada acima da cabeça, ele grita:
- Espectro maldito que vive na escuridão. Caia perante a luz! - a sua espada e todo o seu corpo é envolvido por uma aura dourada. - BIDENTE SOLAR!!!!
O Paladino desfere um corte para baixo e o ar é cortado.
De repente, após alguns instantes, uma enorme onda de calor é liberada no ar em direção ao demônio. Uma enorme lâmina de fogo de forma no ar atingindo o demônio em cheio e partindo ele ao meio e a lâmina entra em seu corpo e uma explosão enorme destrói uma grande área.
Todos os cavaleiros presentes ficam espantados com o poder do Paladino Miguel.
- Quan... Quanto poder - Um deles diz, boquiaberto.
- Ele derrotou um Espectro tão facilmente...
O Paladino gira a sua espada e a coloca na bainha rapidamente e se vira retornando pelo caminho que veio.
- Homens. A batalha ainda não acabou! - O Paladino grita, apontando o seu braço na direção do mar de corpos. - Avancem!!! Acabem com os demônios!! Não deixem nenhum vivo!!
Todos os cavaleiros são enchidos pôr um calor revigorante e eles seguram as suas espadas firmemente.
- SIM!!!! - Todos erguem as suas espadas aos céus.
Todos os cavaleiros do campo de batalha avançam fervorosamente contra os lobos demoníacos.
A batalha se estende por mais de uma hora. Porém, por mais que a batalha estivesse longa, nenhum dos cavaleiros desistiu e todos lutaram até a sua última gota de suor cair dos seus corpos.
Naquela noite, o Paladino Miguel e os seus Cavaleiros... Venceram a batalha.
Uma semana após o término da batalha. Na floresta das Almas, próxima à Vila das Almas, uma pequena vila de interior, um jovem segura a sua espada firmemente enquanto encara uma enorme rocha com formato perfeito de um cubo.
O jovem possui um corpo magro, mas ainda assim consegue segurar firmemente a espada na sua mão direita.
- Ah... - O jovem expira e puxa todo o ar para dentro do seu corpo. - Certo! - Ele aperta a sua mão no cabo da espada.
Ele vai para cima da rocha e ergue a sua espada acima da cabeça com as duas mãos e ele desfere um corte rápido e preciso na rocha.
Porém... Não se sabe ao certo qual era sua ideia fazendo isso. O olhar de decepção ao ver a lâmina quebrada da espada deixava claro que ele falhou no que queria. A ponta da espada é arremessada por cima dele até fincar no chão a alguns metros dele.
- Droga... - Ele murmura para si com raiva. - Por que eu não consigo cortar!!? - Ele grita, frustrado com a sua falha.
O silêncio na floresta é quebrado com o som de um sino. O rapaz finca a sua espada no chão a deixando ali em frente a rocha.
- Um dia... Um dia eu vou lhe cortar. - Ele diz, se virando e indo embora.
O rapaz caminha em direção a Vila das Almas, seu local de nascença.
A Vila das Almas é uma vila pequena com algumas moradias e poucos moradores. Porém, o Reino dono do território, o Reino Moon, realizou a construção de escolas em todas as Vilas pertencentes a ele para que os seus exércitos fossem fortalecidos.
O Jovem que tentava partir a rocha vai em direção a sua escola passando pelas árvores ao invés de andar na trilha que as outras crianças usam.
A escola é um prédio de andar único com um sino no seu topo. Na porta da escola está um Cavaleiro do Reino Moon, a armadura desse Reino consiste num elmo fechado com uma armadura pesada. Na mão desse Cavaleiro está uma espada Claymore e na suas costas tem um escudo oval.
- Crianças. - Ele diz, cumprimentando todas as crianças que entram juntas.
Quando o jovem solitário chega perto da porta, o Cavaleiro permanece em silêncio apenas olhando ele com um olhar acirrado.
Yosuka, o nome do jovem, ignora o cavaleiro e o seu olhar afiado. A escola possui apenas uma grande sala no seu interior.
O professor aguardava os alunos, em pé, no fundo da sala em frente a uma lousa.
- Vamos sentando. - Ele diz, sorrindo. - Alguém lembra qual foi a aula de ontem?
Quando o professor termina de falar, uma garota ergue a sua mão direita com um sorriso no seu rosto.
- Sim? Sarah. Você se lembra? - O Professor pergunta, com um sorriso.
- A Aula foi sobre Mana. - A garota responde, com uma voz firme.
- Exato! E o que é a Mana? - O professor pergunta, puxando uma tela em cima da lousa.
A tela que o professor puxa possui um enorme desenho da anatomia humana.
Um garoto de cabelo vermelho e olhos escarlates se levanta com um sorriso confiante no seu rosto.
- A Mana é o motivo de todos os Magos e Cavaleiros conseguirem usar Magia! Sem ela, sem magia! - Ele diz, de forma confiante. - É claro... Nem todos nascem com o dom de usar a Mana...
Nesse momento, todos olham rapidamente para Yosuka, que está cabisbaixo. O professor respira fundo e, nos seus pensamentos:
- Ele está a fazer de novo... Bem, ele não está errado. Yosuka não consegue usar Mana mesmo sendo filho da Charlotte... Que decepção. Ele fica de cabeça baixa em todas as aulas sobre Magia. Bem, eu também ficaria triste se não pudesse usar ou sentir Mana.
Porém, nem mesmo o professor sonharia com o que Yosuka está a pensar. Nos seus pensamentos, está uma enorme rocha quadrada.
- Droga... Se eu tivesse acertado o ângulo... Talvez eu conseguisse cortar ela. - Ele pensa observando a sua mesa de madeira e imaginando o cubo a sua frente.
- Mas você também não é muito bom. - A voz feminina de Sarah ecoa pela sala.
Todos olham para Sarah, surpresos com a garota e ela encara o ruivo e diz:
- Wagner. Você é bom com magia. Mas tenho certeza, você é péssimo com a espada.
- Ei!! A minha espada é ótima tá!!? - Wagner, o ruivo, grita irritado.
- Ei, vocês dois. Vão começar de novo? - O Professor diz, cruzando os seus braços. - Se começarem a discutir de novo, igual ontem, eu irei tirar pontos de vocês!
- Desculpa professor. - Os dois jovens falam em uníssono.
Wagner se senta na sua cadeira enquanto Sarah observa Yosuka com o canto do seu olho com um olhar preocupado.
Yosuka, perdido nos seus pensamentos, começa a sentir fluir por seu corpo uma energia descontrolada...
- Mana... Eu não consigo sentir, usar ou manipular a Mana. Mas, por que eu consigo lutar tão bem com a espada? - Ele Pensa, olhando a sua mão direita. - Com certeza tem algo a mais. O professor nunca menciona como os Cavaleiros lutam sem usar Magia. Então...
- ...suka.
- Então como eles lutam quando a sua Mana acaba? Talvez ele tenha falado na aula que faltei.
- Yo...
- Preciso dar uma forma de descobrir...
- EI!! YOSUKA!!! - Sarah grita batendo as suas mãos na mesa do rapaz.
- Ah!! - Ele se assusta. - O que foi?! - Yosuka grita, surpreso.
- A aula já acabou. E você está a atrapalhar a limpeza da sala. - Sarah diz, apontando para outras alunas.
As garotas riem sutilmente de Yosuka e ele levanta da sua cadeira.
- Peço perdão por isso... - Ele diz, sem olhar no rosto de Sarah e anda em direção à porta. - Com licença...
Sarah cruza os seus braços e as outras alunas ficam frustradas com o rapaz. Mas, por algum motivo, os dedos de Sarah estão a tremer de raiva...
Yosuka segue andando pela trilha que leva até a Vila das Almas e ele continua perdido nos seus pensamentos.
- Ah... Que frustrante...
Ele se lembra de algo que ocorreu no seu passado com a sua colega de classe, Sarah...
- Ei, Sarah. - Yosuka chama a garota, com um sorriso no rosto.
A garota se vira e o encara enquanto ela conversava com outros alunos.
- Por favor, não fale comigo... - Ela diz, com um olhar intimidador e depois ela volta-se aos seus colegas.
- Hahahahah!! Até a Sarah considera você um inútil! - Wagner grita, rindo de Yosuka.
- Cala a boca... - Sarah diz, irritada.
Yosuka respira fundo e sussurra enquanto observa o céu amarelo repleto de nuvens brancas:
- "Melhores amigos para sempre", é? - Ele diz, com um sorriso entristecido. - Mentirosa...