Capítulo 2

1584 Words
Continuo correndo adentrando mais na floresta, aqui é onde me sinto bem, me sinto confortável, longe de todos os olhares de todas as pessoas. Encosto-me na árvore e passo a mão em meus lábios, a sensação boa vem outra vez. Quero sentir mais dela, eu não quero morrer. Mas como ficar viva sem machucar as pessoas que amo? Eu queria poder lutar, poder saber até onde devo ir, não consigo de forma alguma aceitar a morte. — Não quero desistir! — Digo determinada a lutar, mas lutar contra quem? Não era só a rainha, não era só um oponente para vencer, eu teria que lutar contra o meu reino. — Que mocinha mais determinada. — A voz veio do nada. Levantei-me e olhei por entre as árvores e não havia ninguém, olhei para minhas costas e levei um susto, havia uma coisa...não podia ser um homem, mas tão pouco era um animal. Se parecia muito com um homem, seus olhos eram de cobra, amarelos e assustadores, mas sua face lembrava a de um homem muito cansado e envelhecido, seu nariz era torto e quando sorriu pude ver que seus dentes eram afiados e amarelados com os olhos. O que quer que fosse aquilo, se parecia muito com animal enquanto sorria. E quando percebi que ele poderia ser um animal, tentei correr, mas ele apareceu na minha frente com rapidez, porém agora vestia diferente havia uma capa vermelha que cobria todo o seu corpo. — Não tenha medo! — Ele falou em uma voz doce e amável, como se falasse com uma criança e seu olhar era humano de alguma forma. — Não se atreva a me machucar! — Eu tentei me manter o mais distante possível daqueles dentes, e então eu me afastei um pouco mais. — Não posso te machucar! — disse e logo percebe o que disse corrigindo sua frase. — Não quero machucá-la. Eu balancei a cabeça negando. O que essa coisa queria comigo? Respirei fundo, tentando me acalmar, olhei em seus olhos e percebi que havia algo errado, era como se ele estivesse vendo algo além do que estava à nossa volta, seus olhos pareciam perdidos, até que ele se aproximou e tocou em meu rosto, mas me afastei rapidamente pulando para longe do seu toque. — Sabe o que me encanta em você? — Ele não me esperou responder. — Este seu olhar que me diz mais do que qualquer palavra, mas uma coisa está me intrigando. — O que? — Ele vasculhava algo em meu rosto. — Ainda não tem o olhar que procuro. — E então sorriu, um sorriso medonho. — Mas posso mudar isso. O homem ou a coisa diz como se me conhecesse, como se soubesse muitas coisas sobre mim. — Não o conheço. — enfatizei dando mais um passo para trás. — Eu não estava preparado para conhecê-la, tinha me esquecido. — Ele parece perceber que não o compreendo. — Percebo o quão inocente você ainda é. — Ainda? — Então ele se afastou e acenou me chamando. — Venha comigo, quero te mostrar algo. — Cada parte do meu corpo dizia para não o seguir, mas havia alguma coisa no fundo do meu ser que afirmava que eu ia ficar bem e por algum motivo eu comecei a andar. Nós estávamos a caminho do lago e ele estendeu-me a mão. — Posso te levar a um lugar? — Olhei para todos os lados, não havia para onde ir, estávamos de frente para o lago e eu não iria entrar lá com aquela coisa. — Não tem como sair daqui, só se formos para o lago ou voltarmos para a floresta. — Ele sorri diante das minhas palavras. — Me dê a sua mão e mostrarei algo. — O que seria? — Digo dando um passo para trás me afastando novamente dele. — Venha comigo e vai entender. — Ele continua a sorrir. — Precisa entender tudo. Eu estava com medo, muito medo dele ser algum bicho do lago, alguma criatura da qual nunca tinha ouvido falar, mas a curiosidade em mim falou mais alto, algo me dizia que eu devia confiar nele, algo muito estranho e familiar estava me deixando muito confusa. — Prometa que não irá me fazer m*l! — Não o farei. — Ele diz, e aquilo me tranquiliza por algum motivo estranho, dou a mão a ele. Em um segundo, já não estávamos no lago e sim em um lugar lindo. Havia um homem com roupas pomposas, ele era velho, tinha barba branca e olhos azuis muito escuros, diferente dos de Caio e Elaine que eram claros como o céu, mas além da diferença havia tristeza em seus olhos o tipo de tristeza que eu via nos olhos do meu pai. O homem estava sentado em um trono de ouro e haviam outras três pessoas à sua volta. Então um homem de cabelos negros se aproxima dele. — Onde estamos? — Perguntei aflita para a criatura que me acompanhava. — Estamos no passado, estamos no passado de sua rainha. — Eu olhei novamente para tudo, parecia que estávamos ali invisíveis para eles, fiquei tentada a dançar apenas para ter certeza de que não nos viam. — Ele é o pai dela? — Preste atenção! — Ele diz simplesmente, não respondendo meu questionamento e apontando para o trono. O homem se posiciona ao lado da porta e anuncia: — Vossa majestade a rainha! Uma bela senhora de cabelos negros e olhos castanhos entra na sala, ela faz a reverência ao rei e percebo que seus olhos estão cheios de lágrimas. — Sua majestade... — Sua voz está trêmula. — Nossa filha está cada dia mais doente! — Não é possível! — O rei se levanta irritado. — Mandei trazer o melhor curandeiro do reino. — Não entende que o que ela tem ninguém sabe dizer o que é ou como tratar? — Mande chamá-lo! — O rei estava furioso. — Sim, Majestade. — Ela fez uma reverência e saiu apressada. O Rei caminha de um lado para o outro, parecendo aflito com toda a situação enquanto espera pelo homem. — O curandeiro do reino! —anunciam. Um homem já de idade entra na sala do Rei, roupas brancas cobrem seu corpo e seus olhos se enchem de lágrimas quando vê o estado do Rei. — Majestade! — Ele diz já fazendo uma reverência. — Me diga o que há de errado com a princesa? — Fiz tudo que pude, mas o que ela tem não é deste mundo. — O que está dizendo? — O Rei cospe as palavras, indignado com o que escuta. — Sua filha está condenada à morte, não a nada que eu ou outro curandeiro possamos fazer. — O pobre homem explica mesmo sobre o medo que claramente sentia. — Eu sou o Rei! E se digo que minha filha vai viver, ela vai viver! O curandeiro parece desesperado, por um momento parece duvidar do que iria falar, mas por fim ele fala. — Sim, há um jeito. — Percebo que direciono meu corpo para frente, querendo ouvi-lo melhor, assim como todos que ali estavam. — Me diga qual é imediatamente! — O Rei ordena deixando as palavras ecoarem pelo grande salão. — Há um ser com grande poder... Mas ele não virá, não sem cobrar um preço alto. — Onde ele se encontra?! — O Rei pergunta já sem paciência — Majestade eu... — Está com medo? — O rei parece ofendido, parece simplesmente não acreditar que exista alguém mais assustador que ele próprio. — Ele não gosta de ser procurado e dizem que quando ele dá algo a alguém, ele tira o dobro. — Mas sou o rei! — Ele afirma e posso perceber o orgulho em suas palavras. — Ele não é nada para mim, e nada que ele queira pode ser demais para mim. — Ele não se importa, pois foi abençoado pelos deuses. — Então é um deles, pensei que todos tinham ido embora. — o Rei divaga. — Pois bem, faça com que ele venha aqui. — Faria tudo pela vossa graça, mas apenas sei de rumores, nada sei sobre o seu paradeiro. — Saia! Antes que mande cortar sua cabeça por sua incompetência. — Porém o Rei já não o olhava, ele estava pensativo, como se procurasse uma resposta. — Agradeço majestade. — O homem sai com pressa, ainda fazendo reverências. — Ele merece morrer, não acha? — O Rei olha para um homem, que eu ainda não tinha reparado. — Ninguém deve se negar a dizer algo ao Rei. — O Homem tinha olhos negros e seus cabelos eram brancos, vi uma dor ali, escondida por trás do sorriso. — Ele era seu avô, o homem mais digno que já viveu nesse castelo. — O ser que estava do meu lado sussurrou para mim, olhei mais atenta para o homem, ele parecia cansado, mas eu podia ver traços do meu pai ali. Tentei me movimentar para me aproximar dele, mas o ser me segura. — Preste atenção agora. — Ele diz novamente e eu olho para os dois homens à minha frente. — Me traga o mago. — O rei olha para o homem exigindo. — Majestade, se ele foi deixado para trás, talvez não seja um mago. — Apenas o traga, e decidimos o que ele é. Olho para o meu acompanhante que agora pega em minha mão me puxando. — Vamos, nada interessante irá acontecer por agora.
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