Capítulo 2: Difícil de ignorar

1100 Words
Ethan Sterling passou a noite acordado. Ele, que sempre se orgulhou de ser um homem equilibrado e pouco impressionável, se sentia completamente desconcertado. Enquanto as luzes da cidade que nunca dorme piscavam do lado de fora, ele se revirava na cama, revisitando mentalmente seu encontro com uma jovem garçonete. Isadora Hayes. O nome não sai de sua mente. Continuava pensando obsessivamente no tom de voz suava e doce da voz dela, da mão firme, ainda que delicadas, equilibrando a bandeja. Mas era o olhar dela que o inquietava. Aqueles olhos, de um castanho profundo e expressivo, tinham algo que ele não conseguia ignorar, tinham determinação e vulnerabilidade. Não se lembrava de ter visto algo parecido em ninguém que ele já conhecesse. A beleza dela, era hipnotizante. O cabelo castanho claro, caindo em ondas sobre os ombros, a pele dourada e perfeita, como se tivesse sido beijada pelo sol, os lábios cheios que formavam um sorriso tímido, mas genuíno. Ela era o oposto das mulheres que Ethan conhecia, era como se ela pertencesse a outro mundo, um que ele nunca havia explorado. No entanto, não era apenas a aparência que o deixava inquieto. Se perguntava qual era a história por trás daquele olhar. Na manhã seguinte, Ethan tomou sua decisão. Enquanto tomava seu café em sua cobertura luxuosa, ele digito uma mensagem rápida para seu assistente pessoal, Henry. Ethan: Preciso investigar alguém. O nome é Isadora Hayes. Descubra tudo o que puder. Pouco tempo depois, Henry respondeu. Henry: Claro, senhor Sterling. Algum detalhe adicional sobre ela? Então hesitou pensando por um momento antes de responder. Ethan: Ela estava trabalhando como garçonete no evento de ontem à noite. Jovem, cabelo castanho claro, olhos castanhos... muito bonita. Henry não fez mais nenhuma pergunta. Ele sabia que Ethan nunca fazia pedidos desse tipo sem razão. E Ethan tentava se convencer a si mesmo que tudo aquilo era apenas curiosidade. As horas seguintes foram uma tortura. Ele se jogou no trabalho, mas sua mente insitia em discordar. Sentia um tipo de inquietação que não experimentava há muito tempo. No final da tarde, Henry entrou em seu escritório com uma pasta discreta nas mãos. — Senhor Sterling. — Ele cumprimentou, colocando o dossiê sobre a mesa de Ethan. — Isso é tudo? — Ethan perguntou, tentando parecer desinteressado, mas sua mão alcançou a pasta antes mesmo de Henry confirmar com um aceno de cabeça. — Tudo o que consegui encontrar no curto prazo que me deu. Parece que ela leva uma vida bem simples. Ethan abriu a pasta e começou a ler. Isadora Hayes. Idade: 23 anos. Estado civil: Solteira. Formação: Estudante de administração, atualmente cursando o último semestre em uma universidade comunitária. Histórico familiar: Orfã desde os 14 anos; criada em um orfanato até atingir a maioridade. Ocupação: Meio periodo como atendente em uma cafeteria e eventualmente trabalhos de garçonete em festas e recepções. Ethan parou por um momento, sentindo uma pontada no peito ao ler a parte sobre o orfanato. Isso explicava o ar de independêcia. — Ela trabalha em uma cafeteria no centro da cidade. — Continuou Henry. — Fica aberta até tarde. O turno dela termina às 18 horas, exceto pelos fins de semana que ela trabalha até as 21 horas. — Ethan fechou a pasta e respirou fundo. — Obrigado, Henrique. Isso será tudo por hoje. — Algo mais que eu possa fazer? — Não, eu cuido do resto. Quando Henry saiu, Ethan pegou a pasta novamente. Ele sabia que invadir a privacidade de Isadora, ou de qualquer pessoa, dessa forma era errado, mas algo nele o empurrava a querer conhecê-la. Talvez fosse só um desejo egoísta ou um impulso de descobri-la. Ele ainda não sabia ao certo. Café Davillá Rua dos Jasmins, 274, Centro. Poucas horas depois, Ethan estava olhando discretamente do outro lado da rua da cafeteira onde Isadora trabalhava. Era um lugar modesto, com uma fachada colorida e um letreiro rosa. Ele tentava se decidir se esperava no carro até que ela saisse ou entrava na cafeteria. Mas a segunda escolha era claramente mais estranha, e estar ali já era estranho o suficiente. A porta de vidro tilintou suavemente um sino quando ele abriu. Ele se dirigiu até uma mesa no canto, longe da vista dos outros clientes, mas ainda com uma boa perspectiva para vê-la quando ela saiu do balcão. Isadora não o viu imediatamente, e ele preferia que fosse assim. Ethan sentou-se, olhando para o cardápio à sua frente, embora não tivesse a intenção de fazer um pedido real. Ele pegou o telefone e começou a responder alguns e-mails, tentando parecer casual enquanto aguardava. Os olhos dela percorreram as mesas, até caírem sobre ele. Ela congelou por um segundo ao reconhecê-lo e, então, com um passo hesitante, iniciou a caminhada na direção dele. Quando ela se aproximou, os olhos se estreitaram desconfiados da presença de Ethan ali. — Senhor Sterling... é você? Ethan se recostou na cadeira, tentando esconder o sorriso e acenou levemente com a cabeça como se o encontro fosse casual. — Ethan, por favor. — Ele corrigiu com um sorriso gentil. — É realmente uma coincidência encontrá-la assim, deve ser o destino. — Seu olhos passaram por ele, como se ainda estivesse tentando entender por que ele estava ali. — Claro, cada um acredita no que quiser. O que posso trazer para você? — Na verdade, eu só... queria conversar. — Disse Ethan, sem pressa. Isadora olhou para ele, um pouco desconfortável com a atenção repentina. Ela ainda segurava o bloco de anotações, pronta para anotar seu pedido, sem saber se deveria ir embora ou simplemente aceitar a conversa. — Conversar? — Ela perguntou franzindo a testa. — Eu não sei o que você quer falar, senhor... digo, Ethan. — Me permita. Só... alguns minutos. Se não quiser, eu entendo perfeitamente, eu só gostaria de saber mais sobre você. Isadora olhou ao redor, como se estivesse buscando uma desculpa para sair dali. Mas, em vez disso, ela se sentou na cadeira ao lado da mesa dele. Sua postura ainda estava tensa, mas ela claramente não queria ser rude. — Eu não tenho muito o que dizer. — Começou Isadora, olhando para o bloco de notas em suas mãos. — Sou apenas uma estudante, trabalhando para pagar as contas. Não sou ninguém especial. — Tenho uma opinião diferente sobre isso. — Isadora sorriu com um leve toque de ceticismo. — Isso é como um elogio, senhor Sterling, mas eu garanto, não sou interessante. — Você não tem ideia do que me interessa. — Ethan respondeu calmamente, tocando o braço da cadeira com os dedos.
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