Isadora cruzou os braços, observando Ethan com aquele olhar cético, Apesar de todo o desconforto, ela não pôde negar que havia algo nele que despertava sua curiosidade. Talvez fosse o jeito confiante com que ele falava ou a intensidade daquele olhar que parecia enxergar algo além do que ela mesma acreditava ser visível. Definitivamente havia criado uma espécie de fixação pelos olhos dele.
— Eu adoraria continuar conversando com você, senhor Ethan — ela começou, o tom gentil, mas firme, enquanto olhava para ele com um sorriso educado. Então, seu olhar recaiu sobre o relógio de pulso que marcava 18:00, e respirou fundo. — Mas preciso ir. Ainda tenho que me arrumar para a faculdade.
Ethan inclinou ligeiramente a cabeça, como se estivesse refletindo sobre a informação. Ele não queria que a conversa terminasse ali. A ideia de deixá-la ir parecia incompleta, como se ele tivesse acabado de começar algo que precisava ser explorado.
— Faculdade? — Ele perguntou, com um tom de curiosidade genuína. — Você estuda administração, certo?
— Isso mesmo. — Isadora assentiu, já se levantando da cadeira, segurando o bloco de notas com as mãos. — Último semestre, na verdade. — De repente, ela franziu o cenho e se sentou novamente. — Espera... como sabe o que eu estudo?
— Foi uma palpite. Parece exatamente com algo que você estudaria. — Ethan inclinou-se um pouco para frente, apoiando os cotovelos na mesa.
— Nossa que alivio. Comecei a achar que você era um desses ricos mälucos que saem investigando o histórico das pessoas para fazer uma proposta indecente de submissa. — Ethan caiu na gargalhada.
— Está citando cinquenta tons? Acho que agora sei um pouco sobre seus interesses literários. — Ele riu, como se fosse natural para ele dominar qualquer situação.
— O quê? — Isadora considerou repreendê-lo, mas, para sua surpresa, acabou rindo.
— Tudo bem, Sherlock. Agora eu realmente preciso ir. — Ela se levantou de vez.
Ethan se levantou logo em seguida, como se fosse um reflexo natural. Seus olhos a acompanharam enquanto ela deixava rapidamente o avental que usava sobre o uniforme.
— Deixe-me te dar uma carona — ele sugeriu, direto e sem rodeios.
Isadora arregalou os olhos, claramente surpresa com a oferta. Ela abriu a boca para recusar educadamente, mas Ethan foi mais rápido, levantando uma das mãos em um gesto tranquilo.
— Antes que você diga não... Eu insisto. Não tem por que você ir de ônibus ou metrô enquanto eu posso te levar.
Ela hesitou, mordendo levemente o canto do lábio inferior enquanto ponderava. A ideia de aceitar parecia absurda, mas ao mesmo tempo... Ethan não era exatamente uma pessoa que se encontrava todo dia. Algo nele a intrigava, a puxava, e isso a deixava desconfortável e interessada, bem, interessada em ver até onde ele iria.
— Não quero incomodá-lo — ela respondeu, finalmente, como um meio-termo.
— Você não está incomodando. — O sorriso dele era descontraido, mas determinado, como se não aceitasse um não como resposta. — Considere um favor. E eu adoraria continuar a nossa conversa.
Por fim, Isadora cedeu, balançando a cabeça com um pequeno suspiro.
— Tudo bem. Só uma carona.
Ethan riu baixo, fazendo um gesto em direção à porta.
— Combinado.
Poucos minutos depois, eles estavam lado a lado enquanto Ethan caminhava para o estacionamento. Isadora não pôde deixar de notar como ele estava elegante. O terno cinza escuro parecia sob medida, e o cheiro do perfume dele preenchia o ar de uma forma sutil e envolvente.
Quando chegaram ao carro, ela parou, completamente impressionada. O veículo era um sedã de luxo preto, brilhando como se tivesse acabado de sair da loja.
— Isso é um... — ela começou, mas Ethan abriu a porta do passageiro e falou antes que ela terminasse a frase.
— É só um carro — ele disse casualmente, como se não fosse um dos modelos mais caros do mercado.
— Claro. Só um carro — Isadora repetiu, com sarcasmo, enquanto entrava.
O interior era ainda mais luxuoso, com bancos de couro e uma tecnologia tão avançada que ela nem sabia para onde olhar. Ethan deu a volta e entrou no lado do motorista, ligando o carro com um simples botão.
— Para onde exatamente? — Ele perguntou, enquanto ajustava o GPS no painel, enquanto lançava um rápido olhar para Isadora.
— Para casa. Preciso me arrumar antes de ir para a faculdade — ela respondeu, olhando pela janela. — Devo te dar meu endereço ou você tem um "palpite" de onde eu moro? — Ethan riu com a provocação. Era de se esperar que uma garota inteligente como ela não cairia em uma desculpa tão tosca.
— Dessa vez, vou precisar da sua ajuda. Palpites só funcionam até certo ponto. — Na verdade ele sabia onde ela morava, mas não iria confirmar as suspeitas dela.
Isadora deu um pequeno sorriso e passou o endereço enquanto observava a paisagem começar a mudar quando saíram da área comercial.
— Cidade pequena? — Ethan perguntou casualmente, enquanto digitava o endereço no GPS.
— Sim, Pinewood. É um lugar tranquilo, uns 20 minutos daqui. Perfeito para quem quer fugir do caos, mas ainda estar perto de Nova York.
Ethan assentiu, concentrado na direção.
— Parece um bom lugar para se viver.
— É, se você não se importa com o silêncio e todo mundo sabendo da sua vida. — Isadora riu, relaxando um pouco mais no banco.
O carro seguia pelas ruas com suavidade, o rádio tocava uma música instrumental, criando um clima inesperadamente confortável. Ethan parecia à vontade, e isso a deixava um pouco mais tranquila também, embora ainda mantivesse uma certa cautela.
— Mora sozinha? — ele perguntou, puxando conversa novamente.
— Sim. E você mora com sua familia?
— Meus pais moram fora, e eu tenho um irmão. Não tenho exatamente uma base familiar muito próxima, mas acho que nos damos bem. — O carro parou suavemente em frente a uma casa charmosa, de dois andares, com um pequeno jardim na entrada. Isadora olhou pela janela e suspirou. — Chegamos.
— Obrigada pela carona.
— Não precisa agradecer. Ainda vou te levar até a faculdade, lembra? — Ele piscou, arrancando um sorriso dela.
— Na verdade não lembro. Então vou tentar ser rápida. — Ela abriu a porta e desceu.
— Sem pressa. — Ele apoiou o braço no volante, observando-a com um sorriso descontraído.