CAPÍTULO: 7

773 Words
DANTE VALESSI Segunda-feira, 08h00. Ela voltou. Aurora Castelli entrou naquela sala como se estivesse no controle. Tão convicta, tão determinada. Mas eu já a quebrei uma vez, e não demorará para que isso aconteça de novo. Eu observo cada detalhe. O modo como ela segura a prancheta com força, como se fosse um escudo. Como tenta manter a respiração controlada. Mas seu corpo fala muito mais do que suas palavras. Ela tem medo. E desejo. O medo, ela tenta esconder. O desejo, ela sequer percebe. Ela quer acreditar que está no comando, que pode me fazer seguir suas regras. Mas aqui dentro, bambina, a única lei que importa é a minha. Sento-me à sua frente e aproveito cada segundo do jogo. Aurora não sabe brincar, mas eu ensino. E quando deslizo as algemas dos pulsos e as deixo cair sobre a mesa com um som metálico, vejo a exata fração de segundo em que ela percebe que está presa comigo. Ou melhor… que sempre esteve. Eu poderia matá-la agora. Simples. Rápido. Sem vestígios. Mas onde estaria a graça nisso? Aurora Castelli não merece um fim banal. Ela merece ser degustada. Lentamente. Como um vinho raro. Como algo valioso demais para ser desperdiçado. E quando finalmente a tiver? Quando ela perceber que foi minha desde o momento em que nossos olhares se cruzaram? Ah… Esse será o meu triunfo. Mas não hoje. Hoje, eu apenas planto a dúvida em sua mente. Deixo que ela se debata entre o medo e a fascinação. Jogo as palavras certas, as insinuações exatas. — Me lembrei de algo… Eu adoro mulheres de b***a grande e branquinha para cima. Ela congela. E então, o golpe final. — E a sua, Aurora… é a melhor. Silêncio. Por um instante, acho que ela pode desmaiar. O choque, a perplexidade. Ela não sabe como reagir. E eu amo isso. Levanto-me, deixando a provocação ecoar no ar. Peço ao guarda que me leve, mas minha mente permanece com ela. Ela pensa que pode fugir de mim. Que pode trancar portas e janelas e se esconder. Mas o problema, bambina, é que o perigo já não está do lado de fora. Está dentro dela. Eu estou dentro dela. E não há escapatória. 09h15 O guarda tranca a cela atrás de mim, mas ele sabe tão bem quanto eu que essa jaula não me contém. Não de verdade. Meus olhos percorrem o espaço estreito. As paredes de concreto frio, a cama dura, a pequena janela que deixa entrar um fio de luz pálida. Tudo temporário. Tudo insignificante. Me sento na cama, giro os pulsos, sentindo a leve ardência da pressão das algemas. Aurora. O nome dela ecoa na minha mente, junto com a imagem dos olhos arregalados, da respiração presa. Ela é forte, disciplinada. Mas está vulnerável, e eu já encontrei as rachaduras. Sorrio para mim mesmo. Hora de preparar meu retorno. Pego o celular escondido debaixo do colchão – um presente bem pago para um dos guardas. O sistema penitenciário pode ser impenetrável para alguns, mas para mim? Nada mais do que uma rede de negócios onde cada peça tem um preço. Disco o número e aguardo. Dois toques. Três. Até que uma voz grave e familiar atende. — Capo. Fecho os olhos por um instante, absorvendo a familiaridade da saudação. Já faz tempo demais. — Lucca. — Você demorou para ligar. — Eu gosto de dar um tempo para o meu pai e os conselheiros acharem que têm o controle sobre mim e minhas ações, apenas entrei no jogo deles, porque quando eu voltar e meu pai me passar o poder de vez aí não terá mais jogos, terão que engolir as minhas regras. Lucca ri baixo do outro lado da linha. — O que quer que eu faça? — Prepare tudo. Vamos sair dessa droga de lugar em breve. Silêncio. Apenas por um segundo. E então a resposta vem, firme e sem hesitação. — Diga quando. Meu sorriso se alarga. — Muito em breve. Ele entende. Não há necessidade de detalhes. Lucca sabe que, se eu estou dando esse aviso, significa que os planos já estão em movimento. — E o território? — pergunto. — Seguro. Mas os desgraçados da família Marchesi estão farejando oportunidades. Acreditam que você está fora do jogo. — Então mostre a eles que eu nunca saí. — Considere feito. Desligo o celular e o escondo de volta no colchão. O relógio interno da minha mente começa a girar, calculando cada peça no tabuleiro. Eu estive longe tempo demais. Está na hora de lembrar ao mundo quem é Dante Valessi. E quando eu voltar… Aurora Castelli será minha.
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