O princípio da reconciliação

1744 Words
Hunter estava deitado na cama de Charles ainda nu, de bruços, esperando o alfa voltar. O Parker levou alguns minutos, mas logo voltou com uma bandeja com o café da manhã. — Você precisa se alimentar, tomar um banho e ir para seu quarto. — disse sério. — Nem pensar. Eu vou ficar aqui e vamos fazer de novo… vamos fazer muito mais. — respondeu manhoso e sorrindo. O garoto espreguiçou seu corpo e levantou da cama, caminhando lentamente até o namorado, que deixou a bandeja com o desjejum sobre a escrivaninha. Hunter sorriu e pegou um morango, o comendo antes de direcionar o olhar para o alfa, que engoliu em seco. — O que eu vou fazer no meu quarto sem você? Hein? — levou a mão até o peito do Parker. — Meu pai já não pode fazer mais nada, não adianta a gente tentar se esconder se todos sabem que eu estou com você, que eu quero isso com você. Eu amo você, Charles. Amo tanto. — sorriu. — Eu também amo, você sabe que eu amo. Só que… — Só que nada. — colocou ambos os braços envolta do pescoço do Parker, ficando na ponta dos pés. — Eu mereço seu amor sem medo. Eu mereço que você me tome e me faça seu, não pelo meu cio, mas porque nos amamos e eu mereço ser amado por você. — Merece é? — sorriu ladino, beijando os lábios do namorado antes de segurá-lo no colo. — Por que você merece? — Por que eu sou incrível. Eu mereço ser muito amado. Ser todinho amado. Mereço sua boca pelo meu corpo todinho. Vai fazer isso agora? — Vou. Com certeza vou. — sorriu, levando o namorado de volta para a cama. ✘✘✘ Hunter estava sentado no pátio da escola, seu rosto apoiado em sua mão esquerda, enquanto com a direta rabiscava sem muita vontade no caderno, estudando para a prova final. — O sem vergonha voltou. — Luen brincou, sentando junto a Hunter. Os demais amigos também se aproximaram, incluindo Kayne. — Muita coisa para estudar?! Ficou quase uma semana fora. — Luna sorriu, abrindo seu caderno e mostrando suas anotações facilitadas. — Sou uma boa amiga e pensei em você. — Obrigado. — sorriu e pegou o caderno, vendo o que a amiga tinha feito. — Ouvimos muitos rumores sobre o seu cio, você não tem ideia. — Luen começou, fazendo Hunter suspirar e deixar os livros de lado, parando para ver os amigos que pareciam bem curiosos. — Tipo o quê? Luna e Luen pareciam animados para falar sobre o assunto, já Kayne parecia um pouco envergonhado, mas muito provavelmente estava assim porque não sabia como agir naturalmente depois de tudo que haviam passado. — Disseram que os guardas que estavam fazendo ronda na parte de trás do palácio podiam ouvir vocês gemendo, não só isso, também as empregadas que passavam pelo corredor também ouviram. — disse Luen, como se aquilo fosse algum tipo de lenda urbana. — Disseram também que era possível sentir as paredes do castelo esquentando próximo ao quarto de Charles. Que não era só barulho desses atos, mas que tinha um barulho que parecia de uma lareira acesa. — completou Luna, olhando para os lados para ter certeza que ninguém ouviria a conversa deles. Hunter revirou os olhos e depois sorriu. — Parece bem fantasioso esses rumores. Não acreditam em tudo que contam por aí. Também dizem que está ocorrendo uma guerra silenciosa por trás dos muros. — balançou a cabeça para os lados. — Talvez tenha sido possível ouvir, sim, meus gemidos. Aquilo foi bom como nunca tinha sido antes, então não me contive. Mas o resto… é muito fantasioso. — É, tem razão. — Luna concordou. — E é errado fazerem rumores sobre o príncipe nesse teor, né? — Com certeza. Não deveriam estar fazendo esse tipo de rumor de mim. — riu. — Mas rolar rumor que houve uma explosão de luz… talvez esse seja verdade, é muito difícil conter os dons quando estamos imersos nesse tipo de sensação. Luen riu e concordou. — Pode deixar que vou espalhar a fofoca cerca. — recebeu um tapa do amigo. — Vocês podem ir para a aula. Vou tentar anotar rápido o que está no caderno da Luna e vou pra sala. Os irmãos concordaram levantando da mesa. — Você vem, Kayne? — a garota perguntou. — Já vou, só preciso conversar com Hunter um momento. — viu os irmãos concordarem e se afastarem em direção a sala de aula. — Ficou tudo bem? Hunter o olhou com as sobrancelhas erguidas, como se não entendesse a pergunta. — Tudo bem, Charles não iria me machucar. — Eu sei que não eram rumores o que disseram. Eu sei, Hunter. Como você consegue ficar tão perto dele assim? É perigoso. O príncipe suspirou, colocando a mão sobre a mesa e pegando a de Kayne em sinal de conforto. — Eu sei o que parece. Mas Charles e eu temos uma ligação eterna, eu fui feito para ele, meu corpo é feito para ele. Entende? — sorriu docemente. — Esquece tudo que ouviu a respeito da guerra, esquece as leis de Ashara ou a revolta. Você conhece Charles desde que éramos crianças, ele é um homem bom e nada mudou porque você descobriu uma informação nova, ele segue sendo o mesmo que sempre foi. Um homem bom. Kayne concordou, tentando lutar com todos os seus questionamentos internos. — Mas como você fez? Como você suportou? — Do mesmo modo que curei sua mão naquela noite. Não há como me machucar. Principalmente ele. — O Baynes riu. — É tão bom, Kay. Eu não imagino me sentindo tão bem assim com qualquer outra pessoa. E não é fácil para Charles, ele se julga muito por conta disso. Sabia que eu sofria demais quando era mais novo porque achava que ele não sentia a nossa ligação? O Kayne negou com a cabeça. — Quando você dizia que você e Roman eram como imãs eu ficava tão triste, porque isso não acontecia comigo, Charles e eu éramos distantes demais e eu demorei a entender que ele era assim por achar que era melhor se manter longe de mim. Ele sempre tentou me afastar por pensar igual aos outros. Mas eu não sou como os outros e não quero ele um milímetro longe de mim. — sorriu. Kayne refletiu um pouco das palavras do amigo e respirou fundo. — Tá, chega desse papo. Vamos pra sala, você não vai conseguir estudar mais de qualquer jeito. Depois te ajudo com as anotações. — Acho bom, você que atrapalhou meu momento de estudo. — riu, fechando os cadernos e os pegando, rumando a sala junto do amigo. ✘✘✘ Depois da aula, os quatro amigos caminharam em direção ao centro da cidade, a senhora que morava na rua 64 estava vendendo sorvete. Como era muito idosa, gostava de fazer o sorvete e trocá-lo por caça, assim não sentia-se sobrecarregando ninguém. — Tia, nos dá quatro sorvetes, por favor? Vou pedir para trazerem o pagamento amanhã cedinho. — Hunter sorriu. — Para você e seus amigos é de graça, príncipe. Sabe disso. — a idosa sorriu, servindo o sorvete em vasilhas plásticas. — Jamais, senhora Sullivan. Os caçadores vão trazer algo para a senhora logo cedo. Todos aqui são iguais e eu faço parte disso. — sorriu. Os garotos pegaram seus sorvetes e caminharam até o banco da praça, sentando para comer. — Queria ter dom do gelo assim também, parece tão legal. — Luen comentou fazendo um bico, comendo seu sorvete em seguida. — Parece bem legal mesmo. — Hunter concordou. — Mas não daria certo pra mim. Dizem que a senhora Sullivan está sozinha porque congelava seus maridos. — Não acho que aconteceria com você. — Kayne deu de ombros. — Mas todo dom tem suas peculiaridades e dificuldades. Luna concordou com o amigo. — Verdade. Vocês já sabem em que especialização vão seguir? Esse é nosso último ano de curso normal, os próximos dois são especialização para trabalhar na cidade. Entendo que esperem que eu fique no lugar da minha mãe como costureira, mas meu maior desejo é seguir na enfermagem. Luen sorriu. — Sem problemas, eu fico como costureiro. Tem várias ideias para mudar a roupa desse povo. — Eu não tenho escolha. Minha preparação vem desde que nasci. — Hunter sorriu. — E você Kayne? — Quero ser um soldado. Minha mãe sempre diz que não posso, que não existe soldado ômega, que não terei força pra isso. Mas sou um dominador de terra e queria ser um soldado com o Roman. — Pra isso teria que estar treinando com os meninos, pra ganhar massa. — disse Luna. — Precisa ser forte, Kay, no momento você está mais pra… fofo. — Vou treinar para quê? Eu sei que não vou conseguir. — Kayne, o rei serei eu. — disse Hunter. — Se esse é o seu sonho, então eu posso fazê-lo possível. — Pode? — Eu posso muitas coisas. — sorriu. — Vai atrás do que você sonha em fazer, antes tentar e falhar do que se arrepende de nem ter tentado. — Tem razão. — Falando em treinar para o exército… — Luna deixou a frase no ar, apontando para os meninos que vinham na direção deles, suados pela corrida e treinamento de batalha. — Meu amor é um gostoso, sinceramente. — Hunter riu, mordendo a colher de plástico que usava para comer seu sorvete. — Thomas também é, tá. Graças a Deus você não casou com ele, porque eu vou. — Luen riu. — E eu com Roman, é como se tudo fosse escrito pra ser perfeito. — Kayne sorriu todo bobo. — Você me odeia? — Luna perguntou séria, dando um empurrão no amigo. — Tá querendo dizer o que? Que deuses escreveram pra vocês todos serem amigos e terem machos gostosos e eu nasci pra ser solteira? — bufou, mas ainda brincando. — Se você quiser, estou aqui gatinha. — Jett chegou por trás, dando um beijo na bochecha de Luna, fazendo todos rirem. Aquela tarde terminou agradável, entre conversas e risadas. Hunter sentia seu coração aquecido sabendo que as coisas estavam voltando ao normal entre todos os seus amigos e talvez pudesse voltar a sonhar com um futuro onde Kayne e talvez até outros, aceitassem Charles como quem ele realmente é.
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