Depois da tempestade…
veio algo estranho:
calma.
Mas não aquela calma vazia.
Era diferente.
Mais… consciente.
— Eles não brigaram hoje — Bruna disse, desconfiada.
— Ainda — Matteo corrigiu.
— Eu gosto de quem você está se tornando.
— Eu não.
No escritório…
— Café? — Enrico perguntou.
Silêncio.
Luna olhou pra ele.
Desconfiada.
— Você trouxe café pra mim?
— Sim.
— Você nunca faz isso.
— Eu posso começar.
Pausa.
Ela pegou.
— Obrigada.
Silêncio.
Pequeno.
Mas diferente.
— Isso é estranho — ela murmurou.
— Eu sei.
— Mas não é r**m.
— Eu sei.
Silêncio.
Eles trocaram um olhar.
Mais leve.
Menos defensivo.
— Progresso? — Bruna cochichou.
— Possivelmente — Matteo respondeu.
— Eu tô emocionada.
— Não se apega.
Mais tarde…
Reunião longa.
Cansativa.
Mas funcionando.
— Você organizou isso bem — Enrico disse.
Ela olhou pra ele.
Surpresa.
— Eu sempre organizo.
— Eu sei.
— Então por que falou?
— Porque eu não falo o suficiente.
Silêncio.
Ela travou.
Pequeno.
Mas significativo.
— Tá… — ela respondeu — isso é novo.
— Eu disse.
Do outro lado…
— Ele tá elogiando — Bruna disse.
— Eu tô assustado — Matteo respondeu.
Corredor…
— A gente tá melhorando — Enrico disse.
— Não se empolga.
— Eu não estou.
— Tá sim.
Silêncio.
Ela deu um meio sorriso.
— Mas… tá menos pior.
— Eu aceito isso.
Pausa.
Curta.
— Você vai sair hoje? — ele perguntou.
— Talvez.
— Com alguém?
Silêncio.
Ela levantou a sobrancelha.
— Ciúmes?
— Pergunta.
— Curioso.
— Responde.
Ela sorriu.
Perigosa.
— Talvez.
Silêncio.
Erro.
Ele cruzou os braços.
— Isso não ajuda.
— Você já fez pior.
— Eu sei.
— Então aguenta.
Silêncio.
— Eu não gosto disso — ele disse.
— Eu também não gostei.
Pausa.
Direto.
Ele suspirou.
— Justo.
Do outro lado…
— EU AMO ESSE JOGO — Bruna disse.
— Isso é um jogo perigoso — Matteo respondeu.
— É o melhor tipo.
Mais tarde…
Fim de expediente.
— Então… — Enrico começou — você vai mesmo sair?
— Vou.
— Com quem?
Silêncio.
Ela chegou mais perto.
Devagar.
Provocando.
— Quer saber demais.
— Quero.
— Por quê?
Silêncio.
Ele respondeu:
— Porque me importa.
Pausa.
Ela travou.
De leve.
Mas travou.
— Isso não é justo — ela disse.
— Eu sei.
— Você não pode simplesmente começar a se importar agora.
— Eu sempre me importei.
— Só não demonstrava.
— Sim.
Silêncio.
Ela suspirou.
Cansada.
Mas menos resistente.
— Eu não sei lidar com isso ainda.
— Eu também não.
— Ótimo.
— Ótimo.
Silêncio.
Leve.
Quase engraçado.
— Eu não vou sair com ninguém — ela disse, por fim.
Pausa.
— Só queria ver sua reação.
Silêncio.
Ele olhou pra ela.
— Você é impossível.
— Eu sei.
— Mas você ficou com ciúmes — ela provocou.
— Fiquei.
Sem negar.
Sem fugir.
Ela sorriu.
De verdade.
— Isso é novo.
— Eu disse.
Do outro lado…
— EU VOU CHORAR — Bruna disse.
— Não chora — Matteo respondeu — ainda vai dar errado.
— Deixa eu ter esperança!
— Esperança controlada.
De volta…
Eles estavam mais próximos.
De novo.
Mas agora…
sem tanta guerra.
— A gente ainda vai brigar muito — Luna disse.
— Com certeza.
— Isso não vai ser fácil.
— Nunca foi.
Silêncio.
— Mas… — ela hesitou — tá diferente.
— Tá.
— E eu não odeio isso.
Pausa.
Ele sorriu de leve.
— Eu também não.
Silêncio.
Calmo.
Estranho.
Bom.
Mas—
claro que tinha um “mas”.
Um celular vibrou.
Luna olhou.
Franziu a testa.
— O que foi? — ele perguntou.
Silêncio.
Ela mostrou a tela.
Mensagem desconhecida:
“Se você acha que acabou, você não sabe de nada.”
Silêncio.
Pesado.
Voltando.
— Isso não é bom — Enrico disse.
— Não mesmo.
Do outro lado…
Bruna já em alerta.
— Eu falei.
— Eu também — Matteo disse.
E assim…
quando tudo começava a melhorar…
o problema voltava.
Maior.
Mais pessoal.
Mais perigoso.
Porque agora…
não era só sobre eles.
Era sobre alguém que não queria deixar isso acabar.
Perfeito… agora o jogo muda de nível.
A mensagem não era só uma ameaça.
Era um aviso.
E pior…
parecia pessoal.
— Quem mandou isso? — Enrico perguntou.
— Número desconhecido.
— Me dá.
Ela hesitou.
Mas entregou o celular.
Confiança?
Talvez um pouco.
— Isso não é brincadeira — ele disse.
— Eu sei.
— Pode ser alguém da empresa.
— Ou alguém seu.
Silêncio.
Direto.
— Você acha que é ela? — Luna perguntou.
— Isabella?
— Sim.
— Não.
— Tem certeza?
— Tenho.
Pausa.
— Então alguém pior.
Silêncio.
Do outro lado…
— Eu não gostei disso — Bruna disse.
— Eu também não — Matteo respondeu.
— Isso não é drama normal.
— Isso é problema real.
— A gente precisa investigar — Enrico disse.
— A gente?
— Sim.
— Eu não quero me envolver mais.
Silêncio.
Ele olhou pra ela.
— Você já está envolvida.
Pausa.
— Eu sei.
Ela cruzou os braços.
— Eu não gosto disso.
— Eu também não.
— Mas eu não vou fugir.
Silêncio.
Escolha.
De novo.
Mais tarde…
Sala fechada.
Porta trancada.
Clima sério.
Sem piada.
Sem leveza.
— Vamos começar pelos mais óbvios — Matteo disse.
— Funcionários, ex-funcionários, concorrentes — Enrico completou.
— Ex-namoradas m*l resolvidas — Bruna acrescentou.
— Isso também — Matteo suspirou.
— Isso não é engraçado — Luna disse.
— Eu sei.
— Pode dar muito errado.
— Já está dando.
Silêncio.
— Eu não vou deixar nada acontecer com você — Enrico disse.
Baixo.
Direto.
Sem ironia.
Ela olhou pra ele.
Diferente.
— Você não controla tudo.
— Eu sei.
— Então não promete o que não pode garantir.
Silêncio.
Ele assentiu.
— Tá.
Mas ainda queria.
Mais tarde…
Corredor vazio.
Luna andando sozinha.
Pensando.
Sentindo.
E então—
Passos atrás.
Ela virou rápido.
— Quem tá aí?
Silêncio.
Ninguém.
Mas o celular vibrou.
De novo
Mensagem:
“Cuidado onde pisa.”
Ela travou.
De verdade.
— Enrico — ela chamou, entrando rápido na sala.
Ele levantou na hora.
— O que foi?
Ela mostrou.
Silêncio.
Pesado.
— Isso acabou — ele disse.
— Não acabou.
— Agora acabou.
— Você não manda nisso!
— Eu não vou deixar você correr risco!
— EU NÃO VOU ME ESCONDER!
Silêncio.
Explosão.
— Isso não é mais sobre orgulho! — ele disse.
— Eu sei!
— Então para de agir como se fosse!
— EU NÃO TÔ COM MEDO!
— MAS DEVERIA ESTAR!
Silêncio.
Pesado.
Real.
Ela respirou fundo.
— Eu não vou viver com medo.
— Eu também não.
— Então a gente resolve.
— Juntos.
Silêncio.
Ela hesitou.
De novo.
Sempre.
Mas dessa vez…
não recuou.
— Juntos.
Do outro lado…
Bruna já surtando.
— ISSO VIROU UM FILME.
— Eu não gosto desse tipo de filme — Matteo disse.
— Eu gosto… mas tô preocupada.
— Eu também.
De volta…
— A gente precisa tomar cuidado — Enrico disse.
— Eu sei.
— E parar de subestimar isso.
— Eu sei.
Silêncio.
Ele chegou mais perto.
Devagar.
Diferente.
Sem pressão.
— Você confia em mim?
Pausa.
Longa.
Importante.
Ela respondeu:
— Eu tô tentando.
E isso?
Isso valia mais do que qualquer “sim”.
Silêncio.
Menos tenso.
Mais real.
Mas—
lá fora…
alguém observava.
Esperando.
Planejando.
Porque agora…
não era mais só sobre sentimentos.
Era sobre perigo.
E quando o perigo entra no jogo…
tudo muda.