Quinze

1269 Words
Depois da tempestade… veio algo estranho: calma. Mas não aquela calma vazia. Era diferente. Mais… consciente. — Eles não brigaram hoje — Bruna disse, desconfiada. — Ainda — Matteo corrigiu. — Eu gosto de quem você está se tornando. — Eu não. No escritório… — Café? — Enrico perguntou. Silêncio. Luna olhou pra ele. Desconfiada. — Você trouxe café pra mim? — Sim. — Você nunca faz isso. — Eu posso começar. Pausa. Ela pegou. — Obrigada. Silêncio. Pequeno. Mas diferente. — Isso é estranho — ela murmurou. — Eu sei. — Mas não é r**m. — Eu sei. Silêncio. Eles trocaram um olhar. Mais leve. Menos defensivo. — Progresso? — Bruna cochichou. — Possivelmente — Matteo respondeu. — Eu tô emocionada. — Não se apega. Mais tarde… Reunião longa. Cansativa. Mas funcionando. — Você organizou isso bem — Enrico disse. Ela olhou pra ele. Surpresa. — Eu sempre organizo. — Eu sei. — Então por que falou? — Porque eu não falo o suficiente. Silêncio. Ela travou. Pequeno. Mas significativo. — Tá… — ela respondeu — isso é novo. — Eu disse. Do outro lado… — Ele tá elogiando — Bruna disse. — Eu tô assustado — Matteo respondeu. Corredor… — A gente tá melhorando — Enrico disse. — Não se empolga. — Eu não estou. — Tá sim. Silêncio. Ela deu um meio sorriso. — Mas… tá menos pior. — Eu aceito isso. Pausa. Curta. — Você vai sair hoje? — ele perguntou. — Talvez. — Com alguém? Silêncio. Ela levantou a sobrancelha. — Ciúmes? — Pergunta. — Curioso. — Responde. Ela sorriu. Perigosa. — Talvez. Silêncio. Erro. Ele cruzou os braços. — Isso não ajuda. — Você já fez pior. — Eu sei. — Então aguenta. Silêncio. — Eu não gosto disso — ele disse. — Eu também não gostei. Pausa. Direto. Ele suspirou. — Justo. Do outro lado… — EU AMO ESSE JOGO — Bruna disse. — Isso é um jogo perigoso — Matteo respondeu. — É o melhor tipo. Mais tarde… Fim de expediente. — Então… — Enrico começou — você vai mesmo sair? — Vou. — Com quem? Silêncio. Ela chegou mais perto. Devagar. Provocando. — Quer saber demais. — Quero. — Por quê? Silêncio. Ele respondeu: — Porque me importa. Pausa. Ela travou. De leve. Mas travou. — Isso não é justo — ela disse. — Eu sei. — Você não pode simplesmente começar a se importar agora. — Eu sempre me importei. — Só não demonstrava. — Sim. Silêncio. Ela suspirou. Cansada. Mas menos resistente. — Eu não sei lidar com isso ainda. — Eu também não. — Ótimo. — Ótimo. Silêncio. Leve. Quase engraçado. — Eu não vou sair com ninguém — ela disse, por fim. Pausa. — Só queria ver sua reação. Silêncio. Ele olhou pra ela. — Você é impossível. — Eu sei. — Mas você ficou com ciúmes — ela provocou. — Fiquei. Sem negar. Sem fugir. Ela sorriu. De verdade. — Isso é novo. — Eu disse. Do outro lado… — EU VOU CHORAR — Bruna disse. — Não chora — Matteo respondeu — ainda vai dar errado. — Deixa eu ter esperança! — Esperança controlada. De volta… Eles estavam mais próximos. De novo. Mas agora… sem tanta guerra. — A gente ainda vai brigar muito — Luna disse. — Com certeza. — Isso não vai ser fácil. — Nunca foi. Silêncio. — Mas… — ela hesitou — tá diferente. — Tá. — E eu não odeio isso. Pausa. Ele sorriu de leve. — Eu também não. Silêncio. Calmo. Estranho. Bom. Mas— claro que tinha um “mas”. Um celular vibrou. Luna olhou. Franziu a testa. — O que foi? — ele perguntou. Silêncio. Ela mostrou a tela. Mensagem desconhecida: “Se você acha que acabou, você não sabe de nada.” Silêncio. Pesado. Voltando. — Isso não é bom — Enrico disse. — Não mesmo. Do outro lado… Bruna já em alerta. — Eu falei. — Eu também — Matteo disse. E assim… quando tudo começava a melhorar… o problema voltava. Maior. Mais pessoal. Mais perigoso. Porque agora… não era só sobre eles. Era sobre alguém que não queria deixar isso acabar. Perfeito… agora o jogo muda de nível. A mensagem não era só uma ameaça. Era um aviso. E pior… parecia pessoal. — Quem mandou isso? — Enrico perguntou. — Número desconhecido. — Me dá. Ela hesitou. Mas entregou o celular. Confiança? Talvez um pouco. — Isso não é brincadeira — ele disse. — Eu sei. — Pode ser alguém da empresa. — Ou alguém seu. Silêncio. Direto. — Você acha que é ela? — Luna perguntou. — Isabella? — Sim. — Não. — Tem certeza? — Tenho. Pausa. — Então alguém pior. Silêncio. Do outro lado… — Eu não gostei disso — Bruna disse. — Eu também não — Matteo respondeu. — Isso não é drama normal. — Isso é problema real. — A gente precisa investigar — Enrico disse. — A gente? — Sim. — Eu não quero me envolver mais. Silêncio. Ele olhou pra ela. — Você já está envolvida. Pausa. — Eu sei. Ela cruzou os braços. — Eu não gosto disso. — Eu também não. — Mas eu não vou fugir. Silêncio. Escolha. De novo. Mais tarde… Sala fechada. Porta trancada. Clima sério. Sem piada. Sem leveza. — Vamos começar pelos mais óbvios — Matteo disse. — Funcionários, ex-funcionários, concorrentes — Enrico completou. — Ex-namoradas m*l resolvidas — Bruna acrescentou. — Isso também — Matteo suspirou. — Isso não é engraçado — Luna disse. — Eu sei. — Pode dar muito errado. — Já está dando. Silêncio. — Eu não vou deixar nada acontecer com você — Enrico disse. Baixo. Direto. Sem ironia. Ela olhou pra ele. Diferente. — Você não controla tudo. — Eu sei. — Então não promete o que não pode garantir. Silêncio. Ele assentiu. — Tá. Mas ainda queria. Mais tarde… Corredor vazio. Luna andando sozinha. Pensando. Sentindo. E então— Passos atrás. Ela virou rápido. — Quem tá aí? Silêncio. Ninguém. Mas o celular vibrou. De novo Mensagem: “Cuidado onde pisa.” Ela travou. De verdade. — Enrico — ela chamou, entrando rápido na sala. Ele levantou na hora. — O que foi? Ela mostrou. Silêncio. Pesado. — Isso acabou — ele disse. — Não acabou. — Agora acabou. — Você não manda nisso! — Eu não vou deixar você correr risco! — EU NÃO VOU ME ESCONDER! Silêncio. Explosão. — Isso não é mais sobre orgulho! — ele disse. — Eu sei! — Então para de agir como se fosse! — EU NÃO TÔ COM MEDO! — MAS DEVERIA ESTAR! Silêncio. Pesado. Real. Ela respirou fundo. — Eu não vou viver com medo. — Eu também não. — Então a gente resolve. — Juntos. Silêncio. Ela hesitou. De novo. Sempre. Mas dessa vez… não recuou. — Juntos. Do outro lado… Bruna já surtando. — ISSO VIROU UM FILME. — Eu não gosto desse tipo de filme — Matteo disse. — Eu gosto… mas tô preocupada. — Eu também. De volta… — A gente precisa tomar cuidado — Enrico disse. — Eu sei. — E parar de subestimar isso. — Eu sei. Silêncio. Ele chegou mais perto. Devagar. Diferente. Sem pressão. — Você confia em mim? Pausa. Longa. Importante. Ela respondeu: — Eu tô tentando. E isso? Isso valia mais do que qualquer “sim”. Silêncio. Menos tenso. Mais real. Mas— lá fora… alguém observava. Esperando. Planejando. Porque agora… não era mais só sobre sentimentos. Era sobre perigo. E quando o perigo entra no jogo… tudo muda.
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