Algumas horas depois, apareceu um médico nos informando que haviam medicado a criança e a febre já estava sob controle, Will e eu respiramos aliviados ao saber disso. Assim que soubemos que Mel não corria risco nenhum, Will pediu para que eu fosse para casa descansar, e como já era quase 8h, resolvi fazer isso e assim poder liberar a dona Gesi.
- Internada? - Ela perguntou assim que falei sobre a Mel.
- Sim, ela vai ficar hoje no hospital. Ah, estou me sentindo tão culpada. - Comecei a chorar.
- Ah, não, minha filha… - Me abraçou. - Não se sinta assim, você não tem culpa de nada, as crianças ficam doente mesmo. - Desfez o abraço. - Ela vai ficar boa, viu? - Sorriu docemente.
- Vai, sim. - Limpei algumas lágrimas. - E o meu pai?
- Está dormindo, custou para dormir, reclamou muito de dor.
- Tadinho… Bom, pode ir descansar, obrigada por tudo.
- Que isso, minha filha… Eu vou lá, mas qualquer coisa você me liga.
- Pode deixar.
A mulher me abraçou e me deu um beijo no rosto, e logo se retirou.
Fui até o banheiro e lavei meu rosto para que o meu pai não visse que eu havia chorado. Em seguida fui até o quarto dele e fiquei vendo-o dormir, mas pouco depois ele acordou.
- Filha? Você chegou…
- Sim, paizinho. - O abracei. - Como o senhor está?
- Um pouco melhor. - Sorriu.
Olhei as horas no relógio, e logo falei:
- Está na hora do remédio. Vou pegar a água.
- Quando eu vou parar com os remédios? Tomo uns 1000 comprimidos por dia. - Reclamou..
- Só quando o senhor estiver bom.
Dei um beijo na testa dele e fui até a cozinha, servi um copo d’água e peguei o vidro dos remédios para dar para o meu pai, peguei um comprimido e notei que havia sobrado somente dois no vidro.
- d***a, só dá para mais dois dias e ainda vai demorar pra eu receber. Ai, o que faço?
Levei o comprimido e a água para meu pai, que após reclamar como sempre, tomou o remédio.
- Pai, eu estou morta, não dormi a noite inteira, vou dormir um pouquinho, mas qualquer coisa, já sabe, só tocar o sininho, que eu venho correndo.
- Está bem, filha, vai lá descansar.
Fui para meu quarto, e m*l deitei, e já peguei no sono.
(...)
À tarde, Philippe foi à minha casa, ele queria me levar para sair, mas eu não podia deixar meu pai sozinho e depois da dona Gesi ficar a noite toda com meu pai, eu não pediria pra ela ficar com ele em pleno domingo pra eu sair, então Philippe resolveu ficar na minha casa comigo.
- Oi, bebê. - Ele disse ao me dar um selinho.
- Oi.
Ele se dirigiu até a sala, sentou no sofá, esticou as pernas, colocando os pés na mesinha de centro e apoiou os braços no braço do sofá.
- Eu deixei alguma cerveja aqui? - Perguntou.
- Sim, ficou 4 latinhas.
- Beleza! Traz uma latinha pra mim enquanto eu escolho um filme pra gente ver.
- Ok!
Fiz o que o homem pediu, e depois me sentei no sofá ao lado dele. Entreguei a latinha pra ele, que se pôs a beber. O homem colocou um filme chato de guerra e soldados lutando, o que fez eu dormir.
Quando acordei, o filme já havia acabado e Philippe estava sentado ao meu lado com os braços cruzados e cara de b***a.
- O filme já acabou? - Perguntei.
- Acabou faz meia hora, você dormiu o filme todo. - Falou aborrecido.
- Desculpa, estava cansada, passei a noite no hospital…
- Hospital? Estava doente?
- Eu não, mas sim a menina que eu cuido e resolvi ficar lá.
- E o pai da criança? Ele não pôde ficar no hospital?
- Claro que ele também estava lá, mas eu quis ficar para dar uma força.
- Quê? - Me olhou enfurecido. - Você passou a noite com esse cara?
- No hospital, a filha dele estava ardendo em febre.
- Sei… Me diz, já foi pra cama com ele?
- Quê? - Perguntei ofendida. - Claro que não!
- Ai de você se estiver mentindo pra mim, você sabe que eu aceito tudo menos ser corno.
- Eu sei, e eu jamais faria isso.
- Acho bom mesmo.
O homem acariciou o meu rosto, e eu me esquivei. Detestava quando ele agia assim.
- Vem, vamos pro seu quarto. - Falou ao se levantar do sofá.
- Eu não estou a fim.
- Quê? Eu não perguntei nada. Vem, logo, p***a!
O olhei indignada e fui com ele até o meu quarto. Odiava quando Philippe me obrigava a ter relação com ele.
(...)
Era 20h. Philippe já havia ido embora e eu estava em meu quarto. Deitada em minha cama, comecei a chorar, pois lembrei do meu inicio de namoro, lembrei de quando eu me apaixonei por Philippe, ele não era assim, alguns meses depois que começamos a namorar que ele se transformou nesse cara que ele é hoje, eu já havia terminado com ele antes, mas depois ele veio todo arrependido, pedindo perdão, agindo como um perfeito cavalheiro e eu acabei voltando.
Escutei meu celular vibrar e peguei ele, que estava na escrivaninha ao meu lado. Era Will.
- Alô.
- Steph?
- Sim.
- O que houve? Está chorando?
- Não.
- Pela voz não parece.
- Ah, é só um filme que eu estava vendo. - Menti. - E a Mel? Como está?
- Ah, sim… Liguei para avisar que ela está melhor, a febre já baixou e ela deve receber alta amanhã.
- Sério? Que maravilha! Manda um beijo pra ela.
- Mando, sim, pode deixar. Bom, só queria dizer isso mesmo. Boa noite.
- Boa noite!