Capítulo 5
O clube de swing
A casa de Dominique era uma das casas mais luxuosas que eu conhecia. Já na entrada a imponente porta de Jaracandá nos recepcionava com todo seu luxo. A sala era mobilidada toda de preto em couro e o chão de tábuas corridas de cor de Garapeira. O lustre que pendia do teto era moderno, redondo de madeira e sua luz difusa, o que tornava o ambiente mais aconchegante. Eu nunca tinha passado da sala de recepção na casa de Dominique. O marido não gostava de gente perambulando em casa. Ela ainda respeitava pelo menos essa vontade dele. Naquela noite minha amiga estava especialmente bonita, enfeitada de pulseiras prateadas. Dominique sempre abusava de seu visual. Eu me perguntei que crochê ela faria vestida daquele jeito. Levei a mão a boca para rir.
— Vai fazer crochê vestida assim?
Ela riu e botou a mão na minha boca.
- Disse a ele que vamos no Bingo hoje. Onde vai se vestir?
-Adorei, temos setenta anos? - Ironizei e ela gargalhou. Mostrei minha sacola.— Vou usar seu banheiro.
— Ele está em casa hoje. — Ela sussurrava — Vamos passar em um motel para eu me maquiar.
— Podia ter dito isso antes, eu tinha ido para a casa da Roberta, que nem vai.
— Então vamos fazer isso, ela está em casa.
—Vamos. Mas precisamos começar a combinar isso melhor, um dia eles vão desconfiar.
— Sim, vamos, vamos.
Saímos para a garagem da casa dela e entramos em seu carro. Dominique foi tagarelando de sua casa até Roberta.
— Você não tem medo de ir nesse lugar que a Angela vai?
Olhei para ela com estranheza. Dominique com medo de alguma coisa?
— Não, por que? Você faz o que quiser, se quiser. É assim que entendo.
Ela manteve o olhar na via e não mais tocou naquele assunto pelo menos, mas continuou falando de outras coisas. Eu é que não conseguia mais prestar atenção, lembrando de Mateus. Aquela noite ele estaria naquela casa como todo sábado. Eu não devia sequer lembrar dele, mas a minha mente me traía a todo momento correndo em direção a ele, imaginando como era aquele corpo perfumado do dominador.
Roberta de fato não quis ir. Estava com a consciência pesada de pensar em se divertir enquanto seu marido estava na UTI. A única coisa que ela fez foi nos ajudar com a maquiagem cedendo seu melhor espelho, enquanto nos observou até o fim. Barbara chegou atrasada e assim que me viu, abriu a boca demonstrando toda a sua surpresa.
— Margareth, você já foi mais comportada!
Olhei novamente no espelho. Meu vestido era um bodycon, decotado na frente e nas costas, bem curto e com brilho. Fiz uma maquiagem escura que combinou perfeitamente e me achei um arraso.
— Decidi me libertar daquele cretino do Carlos, eu vou aproveitar minha vida antes de me separar.
— Separar? — Todas perguntaram em uníssono.
— Sim, vou me preparar financeiramente, prestar a prova da OAB e ir viver minha vida com meus filhos.
— Está de parabéns, queria eu ter essa coragem! — Respondeu Barbara. — Eu quero mesmo é um Dominador. Cansei dessa vida baunilha.
— Eu cansei de tudo que me faz m*l. — Respondi, com convicção.
— Vamos beber hoje para comemorar essa vitória da Meg!
— Vamos! - Responderam em uníssono dando risadas.
Casa de swing. 20h30
Eu me senti entrando em um mundo cheio de possibilidades naquele lugar. Mas ainda assim não considerava o lugar certo para mim. Eu sempre fui da noite, das baladas, porém das normais. A proposta do clube do crochê era totalmente diferente. Experimentar. Eu estava acostumada a terminar a noite na cama de algum homem bonito e de manhã ia embora sem qualquer vontade de pegar o número do infeliz. Ali tudo era muito diferente, casais iam juntos, dançavam e se divertiam. Havia solteiros só esperando uma oportunidade enquanto consumiam uma cerveja atrás da outra. A um canto escuro da casa alguns maridos exibiam suas mulheres levantando seus vestidos e acariciando seus s***s na frente de todos. Parecia um mundo em que tudo era possível. Mulheres se beijavam, se acariciavam, maridos exibiam suas esposas para outros homens, tudo era permitido. Eu me senti excitada, obviamente, mas não tanto quanto senti o que Mateus me proporcionou. A diferença entre as duas práticas consideradas tabus para nós é que só uma me provocou uma avalanche de sensações até então desconhecidas. Eu precisava experimentar a outra. Quando entrei em um quarto e vi Dominique tão a vontade com um p*u enorme na boca, morri de rir. O homem era um n***o lindo, gato até demais e fiquei tentada a experimentar mas ele era muito grande. A um canto observei um casal, que pareciam casados, pois tinham alianças iguais, fazendo um menage masculino que me excitou. Que mulher não sonha em ser o recheio de um sanduíche masculino? Só que não era para mim, ainda. Quando me virei para sair do quarto, dei de cara com um homem que aparentava a idade de Mateus e até se parecia fisicamente com ele, mas não demonstrava o mesmo charme. Ele sorriu em tom sacana para mim enquanto me examinou dos pés a cabeça. De fato, eu tinha saído para matar. Certamente ele sentiu vontade de me levar para a cama ali ou em outro lugar. Decidi que eu devia me jogar e experimentar. Sorri de volta. Ele se aproximou vagarosamente.
- Boa noite, quer entrar na brincadeira?
Olhei para baixo e vi que ele estava animado mas ainda de roupa, talvez as mulheres dali não o tenham agradado muito.
- Nessa daqui não. Sou mais reservada. - Respondi me sentindo muito recatada.
- Tem cabines vazias, gostaria de me acompanhar?
Ele era muito respeitador e educado. Eu tinha ouvido falar coisas horríveis de algumas casas dessas. O fato é que eu estava começando nessa coisa de me libertar e vivenciar novas experiências menos recatadas. A proposta daquela noite veio a calhar para esquecer aquele dominador e enterrar a minha passagem pelo b**m. Aceitei.
O homem segurou minha mão e me guiou até uma cabine tão escura que só tateando para saber onde ficava a cama. Ou algo parecido com uma cama. Ele se aproximou e tentou me beijar. Eu não consegui.
- Vamos tentar os finalmentes, por que a gente não se conhece e eu não beijo quem conheci há cinco minutos. - Respondi.
Ele sorriu e eu só consegui ver que sorriu pois havia uma luz de fora muito fraca que entrava pela parte de cima da cabine.
- Tudo bem, então deita.
Ele enfiou a mão no bolso e pegou uma camisinha, mas esse ato já me deixou pouco a vontade. Não me senti segura trancada com ele ali dentro, mas resolvi dar uma chance, afinal era um lugar muito bem recomendado e solteiros pagavam muito caro para entrar. O homem não devia ser um maníaco que pudesse me assaltar ou coisa pior ali. Deitei na cama e tirei apenas minha calcinha. Que experiência louca estar sozinha com um homem desconhecido em uma cabine escura somente para t*****r. E ele nem era tão bonito assim... Quando se aproximou, senti que não estava lubrificada o suficiente para fazer aquilo, então tive que me tocar e pensar em algo agradável. O tal homem não esperou. Eu estava transando com um homem que não sabia o nome dentro de uma casa de swing e ainda por cima a seco. Quando ele se enfiou em mim, doeu. Óbvio que doeria, eu estava despreparada. Mas minha mente vagou até Mateus. Sem querer, sem esperar, sem pensar. Fechei os olhos para receber o tal homem dentro de mim, pensando em outro. Ao lembrar dos olhos castanho-esverdeados de Mateus, de sua postura dominante, de sua voz, senti minhas entranhas se encharcarem. Que merda. Queria que fosse ele ali me comendo da maneira mais normal possível, sem nenhum açoite a espreita, sem nenhuma algema. Somente o puro e velho sexo sujo e selvagem.
- Vai gozar para mim, c****a?
Fui tirada do meu sonho acordada com Dom Maximus por um xingamento baixo de quem não tinha a menor i********e comigo. De repente eu o empurrei.
- Não sou c****a de ninguém!
- Qual é, gata? - Ele segurou o m****o que murchou rapidamente.
Olhei para o chão, procurando minha calcinha e minha dignidade junto com ela. Que abominável! Se era a isso que estavam acostumados ali, lamentavelmente eu não fazia parte. Sempre fui bem tratada por todos os homens com quem, esporadicamente, transei. Não seria um ser como aquele, que eu nem conhecia, que sequer sabia o nome que me chamaria de c****a em uma cabine escura e, certamente, suja. Achei minha calcinha ouvindo os protestos dele enquanto tentava me tocar.
- Não me toca!
- Gata, foi pelo c****a? Me desculpa, vamos recomeçar.
- Eu só quero sair daqui.
Abri a porta ainda vestindo a minha calcinha, tropeçando nos meus saltos enquanto ele me xingava.
- p*****a louca do c*****o!
- Vai se f***r! - Retruquei.
Ao chegar na pista de dança, estava com muita raiva daquele homem, daquele lugar e de quem me levou ali! O mundo do swing, sem provocação, cru e direto não fez cócegas na minha libido. Eu olhava para os lados e via pessoas nuas transando. O ato por si só era o fim da busca. A quantidade era a finalidade. Aquilo não me acendeu de início e eu não devia ter insistido.
Fiquei sozinha durante um tempo sem querer mais visitar os quartos ou ver Dominique chupando um p*u aleatório com uma vontade de dar gosto...nela. Então sentei-me no sofá da pista de dança junto a Barbara. Ela me olhou, virando um gole da cerveja da garrafa em suas mãos.
- Péssima noite, amiga?
- Péssima, transei com um cara que me chamou de c****a.
Ela quase cuspiu a cerveja longe.
- Como assim?!
- Ele me xingou e nem sei o nome do cara!
Ela soltou uma gargalhada sonora que nem mesmo a música da apresentação do stripper conseguiu abafar. Aquele belo espécime rodopiava nu em um pole dance com o corpo totalmente besuntado de óleo. Era lindo. Apenas isso. Eu precisava de mais. Eu precisava de algo mais além de ver imensos membros masculinos desconhecidos que só queriam me comer sem nem mesmo olhar nos meus olhos. Eu estava ficando exigente?
— Barbara estou ficando exigente?
Ela deu mais um gole em sua cerveja enquanto apreciava o stripper com os olhos vidrados.
— Por que?
— Não estou sentindo nada aqui.
Ela riu e voltou a me olhar com um bico de desdém nos lábios.
— Nem eu.
—Eu vi gente fodendo de tudo que é jeito, dois, três, cinco e não estou sentindo nada.
— Bem vinda ao meu clube do crochê. — Ela respondeu. — Essa noite para mim foi perdida. Eu não quero t*****r com um desconhecido. Eu tenho minhas perversões favoritas.
Barbara me lançou um olhar significativo, erguendo as sobrancelhas duas vezes rapidamente. Em seguida deu outro gole em sua cerveja.
— Eu vou pro Afroditis. — Respondeu com vontade.
— O que é isso?
— O clube b**m onde você conheceu o Maximus. Não reparou no nome?
Pensei naquilo. Não, não reparei no nome. Até porque se tinha um nome, devia ser bem pequeno em um canto e eu não vi.
— Tinha nome?
— Tinha, amiga. Vou avisar a Dominique, você vai para casa ou outra balada?
Merda. Ele veio a minha mente mais uma vez. Se é que em algum momento saiu dela desde que o conheci. Dom Maximus estava há dez minutos de distância de mim.
— Posso ir com você?
Que droga, Margareth! Você realmente vai atrás dele?! Barbara abriu um sorriso.
— É ele não é? Mexe com você também. — Ela não pareceu contrariada, mas alegre também não ficou.
Baixei os olhos para o chão de luzes de cores diferentes que piscavam freneticamente refletidas do teto.
— Te incomoda? Sente ciúme? — Ergui o olhar para a encarar.
Aqueles olhos castanhos me fitaram por segundos, mas com bondade e carinho.
— Meg, ele está sem submissa. Dominador não tem dona, ele é o dono. Não se pode ter ciúme de um dominador, mesmo tendo.
— Eu não entendo de nada disso. — Menti para a minha própria amiga, me sentindo péssima.
— Então, acho que se tem vontade de aprender, deve ir, aprender com ele ou algum outro, mas deixe o coração em casa. Não comete o erro que cometi de me apaixonar por um deles.
Senti a tristeza em seus olhos. Esperei Barbara se levantar e ir procurar Dominique. Um homem se sentou ao meu lado naquele meio tempo.
— Boa noite, gata.
— Dá licença... — Então me levantei e me encaminhei para a porta.
— Grossa. — Xingou ele.
Sequer me dei ao trabalho de me virar e bater boca. Eu não esperava mais educação de homens solteiros dentro de uma casa de swing. Logo estávamos no carro, nos dirigindo ao local onde veria Mateus. O coração estava acelerado e a mente fervilhava. A noite é mesmo cheia de possibilidades. Mas o que eu diria para aquele desgraçado gostoso? Não fazia ideia, mas sabia que ele ia se sentir o máximo de eu ter ido até lá. Pensei em dar uma desculpa. Quando entramos, colocaram uma pulseira de submissa sem dono em nossos pulsos. Eu me senti uma peça de leilão, mas até que achei excitante.
Já dentro do local, Barbara desgrudou de mim e foi falar com amigos de longa data. Achei por bem não ficar presa a ela e decidi explorar mais como da primeira vez. Caminhei pela casa a passos lentos até chegar ao bar. Vi muitos casais de dominadores e submissas, podólatras e dommes, também gente sozinha conversando com amigos. Todos tinham seu grupo. Eu era a desgarrada explorando um terreno perigoso e totalmente desconhecido. Parei o passo ao vê-lo. Mateus ou Dom Maximus estava no bar conversando com amigos animadamente. Ele fumava e tomava uma cerveja direto do gargalo. Permaneci estática, sem saber se saía dali ou se dava um “olá, estou aqui para você, sou sua”. Até que ele virou o rosto ao notar alguém parada de pé, segurando a bolsa na frente do corpo. Mateus se tornou sério no mesmo instante. Não sei precisar por quanto tempo nos encaramos, mas foi o suficiente para ele dar mais uma tragada no cigarro e apagá-lo no cinzeiro. Então ele saiu de onde estava e veio em minha direção. Congelei. Era como se ele andasse em câmera lenta, vindo diretamente a mim. E certamente pensando que eu tinha me rendido.
— Então você veio... — Ele constatou enfiando as mãos nos bolsos da calça.
Não consegui responder, afinal era óbvio, eu estava ali. Ele me olhou de cima a baixo.
— Quer conversar? — Ele pareceu tão normal, como se não estivesse mais no modo cretino presunçoso.
— Quero.
Mateus tocou meu braço e me guiou para um cômodo onde havia uma cama preta, com lençóis pretos e muitos acessórios. A luminosidade era difusa e âmbar. Ele se sentou. Fiquei olhando aquilo tudo com curiosidade, mas um certo receio também.
— Nada aqui vai pular em você e te prender. Senta aqui.
Enfim me sentei e fiquei olhando para ele.
— Eu não vim fazer uma sessão. — Finalmente falei.
Ele deu uma risada gostosa.
— Nem eu faria isso. Não sei nada a seu respeito.
— Como assim?
Ele coçou a barba por fazer e pensou um pouco.
— Margareth...As coisas aqui não são assim. É preciso conversar e ...
—Eu sei, saber tudo, entrar em um acordo sobre as práticas, escolher uma palavra de segurança e muito mais.
Ele levantou as sobrancelhas, com curiosidade.
— Andou se informando. Isso já ajuda bastante. Mas tem muito mais.
Ele olhou meu corpo mais uma vez.
— Você está linda demais, sabia? Pena que já tenha dono...
Eu sou inteiramente sua. Pensei quase alto. Tonto, o que acha que estou fazendo aqui?
— É, eu não vinha, fomos a uma casa de swing.
Ele ergueu as sobrancelhas.
- Gosta disso?
- Eu vim para cá, acha que gostei da experiência?
Ele me encarava com um sorriso lindo.
— Achei que seria o último lugar onde ia querer vir.
— Jamais! - A resposta rápida fez eu me arrepender. - É... - Como sou boba - Não, nada a ver. Eu gostei daqui e quero experimentar.
O meu olhar insistente naquela boca carnuda demonstrava o quanto eu não detestava estar ali. O quanto eu queria beijá-lo. O quanto eu estava de joelhos por ele. E nem eu sabia porquê. Aquela empáfia, aquela presunção, todo ele instigava e seduzia. Não era sexo pelo sexo, era alguma coisa a mais.
— Bem, então acredito que posso fazer algo por você.
Ele passou o indicador nos lábios e acompanhei aquele gesto, me deleitando. O coração acelerou de novo, até tive que tossir para tentar fazê-lo voltar aos batimentos normais. Minha vista nublou de desejo.
— O que?
Ele se levantou e foi até a porta. Então apertou algum botão e trancou a porta. Quando se virou olhou para tudo que havia no quarto.
- Quer fazer alguma coisa?
Ele foi até algumas coisas penduradas na parede e aquilo me fez levantar. Mateus pegou o que parecia ser uma barra com um extensor e algemas. Dei um passo atrás. Assim que me viu dar um passo atrás, ele estancou seu passo e aguardou.
— Meg, as práticas b**m requerem consentimento. Se você demonstra que tem medo, eu não vou tocar um dedo em você.
Ele largou a barra sobre a cama e me deu as costas. Assim que abriu a porta, enfiou a mão no bolso da calça e pegou seu maço de cigarros. Vi quando Ladyhawk se aproximou dele rapidamente. Que ódio dela! Que ciúme, que raiva de mim! Quando saí, vi que ele voltou a conversar com os amigos me ignorando solenemente. Aquela irritante mulher não desgrudava dele. Maximus passou a ignorar inclusive que eu estava ali. Então, tomei coragem e me aproximei. Ele parou de sorrir com os amigos e me olhou. Fazia de propósito, me instigava e fingia não se importar. Ou talvez não se importasse mesmo. Toquei seu ombro.
- Eu quero. - Sussurrei.
Ele se aproximou para falar em meu ouvido.
- Você não está preparada. Vá para casa.
O quê?! Não era possível. Eu não me daria por vencida.
- Eu estou! - Falei mais alto.
Os amigos se dissiparam ao ver o tenso clima entre nós. Maximus puxou a fumaça do cigarro e pensou. Quando girou banco do bar em minha direção, ficou longos segundos apenas me olhando. Ladyhawk se afastou, entendendo alguma coisa que eu não entendia.
-Não vai dizer nada? - Perguntei.
-Quer ser submissa me dizendo o que fazer?
Revirei os olhos, impaciente.
- Não.
- Então, abra a palma da mão.
Abri a mão e mostrei a ele. Sem cerimônias, ele bateu a cinza do cigarro na palma da minha mão. Ardeu. Muito. Gritei.
- Isso dói!
- É isso mesmo, algumas coisas que eu gosto de fazer doem, eu sou sádico, se não gosta e já me disse isso, porque veio até aqui?
Era verdade, eu estava sendo contraditória, mas só porque, talvez, eu tenha gostado dele e não do b**m.
- Eu... - Não tinha o que responder.
- Meg, eu gostei muito de você, mas está confusa. O b**m requer gente nada confusa com seus sentimentos. Por isso eu não queria te beijar.
- Você não trepa normalmente, como homem e mulher?
Ele sorriu.
- Trepo, depois do que gosto de fazer.
- Me ensina. Eu quero saber o que gosta. - Murmurei.
- Vai dar passos para trás?
- Não.
- Então volte para aquele quarto.
A voz dele mudou, era como se um predador tivesse se apossado de seu corpo. Ele terminou seu cigarro lentamente enquanto eu esperava na porta do quarto. Assim que chegou, entrou e tomou nas mãos novamente o aparelho que tinha jogado sobre a cama. Em seguida escolheu algemas em um armário. Quando se aproximou novamente, parecia me comandar com o olhar.
— Eu não vou te machucar, Meg. Mas você precisa confiar em mim. Eu sei que você quer saber como é, mas no fundo não é bem isso que você quer... — Começou a sussurrar no meu ouvido. Amoleci.
- E o que você acha que eu quero?
Ele algemou minhas mãos, enquanto eu tentava não oferecer resistência.
- Romance.
Dei uma risada alta.
-Acha que quero romance? - Claro que eu queria, i****a, mas jamais podia dizer isso.
- Acho.
Ele sorria bem próximo a meu corpo até unir nós dois. Senti seu peito duro espremer meus s***s e suas mãos fortes nas minhas costas. Queria mais, era impossível não querer.
—Vai confiar em mim? Se não disser nada, vou sair desse quarto agora e nunca mais você vai me ver.
—Vou! — Respondi depressa com medo de perder aquele homem para sempre.
— Gostei da resposta. Agora você vai me deixar fazer o que preciso fazer.
— Sim.
— Nesse momento sou seu Senhor, diga sim, senhor sempre que estiver em sessão comigo ou com outro dominador.
Outro? Ele só podia estar se fazendo de desentendido! Só ele existia no mundo...
—Sim, senhor — Aquela frase saiu baixinha, quase um murmúrio de tão estranha que me soava.
— Não ouvi! — Ele aumentou a voz e eu estremeci.
— Sim, senhor. - Repeti com mais convicção.
— Perfeito.
Ele, então segurou meus pulsos e alcançou umas correntes que caíam do teto, prendendo as algemas a elas. Eu estava presa ao teto agora. Depois disso ele segurou a barra nas mãos para me explicar o que aconteceria.
— Isso é um afastador de pernas, você não vai conseguir fechar suas pernas assim que eu colocar, portanto, não se mexa.
— Como vou me mexer se estou algemada?
— Não é para retrucar o seu senhor!
Engoli a saliva quase seca com a rispidez na voz. Apesar do tom não foi grosseiro, e sim sexy. Ou estava ficando doida? Ele se agachou e abriu minhas pernas, afivelando meus tornozelos com o aparato. Em seguida, pegou uma venda e sorriu bem de frente para mim.
— Venda?
— Sim, senhorita e se reclamar vai ficar sem falar.
Abri a boca para falar e fui interrompida.
— Pode falar, reclama.
Fechei a boca.
— Boa menina, está ficando do jeitinho que eu gosto.
Ele se aproximou de mim como se soubesse o que eu queria naquele momento. Eu pingava desejo. E ele sabia muito bem como fazer aquela briga de gato e rato. Mateus beijou minha boca rapidamente, sem a língua. O beijo foi forte, ele pressionou nossos lábios com força, mas se afastou tão rápido quanto se aproximou. Então, vendou meus olhos. Apertou o nó o máximo que pôde. Eu já começava a sentir um certo desconforto quando ele se aproximou do meu ouvido e pude sentir melhor seu perfume delicioso.
— Não esqueça: Se quiser que eu pare, diga somente red, não diga não, não diga pare, diga RED. Entendeu bem?
— Vermelho em inglês?
— Exatamente, red. Não pode sobrar dúvidas do que você realmente quer.
— Está bem.
— Está bem não, eu quero ouvir o que te ensinei.
— Sim, senhor.
—Exatamente. Não existe aqui Mateus, o diretor da sua empresa, nem o homem que foi jantar com seu marido , só existe o Dom Maximus aqui dentro.
Dom Maximus abraçou meu corpo e subiu meu vestido. Tão logo eu estava exposta e minha calcinha totalmente entre as nádegas, ele desferiu um forte tapa na minha b***a. Gritei alto. Não esperava.
— Red? — Ele se certificou.
Respirei fundo, lentamente, me recobrando do susto e do ardor.
— Não.
Outro tapa, ainda mais forte. Gritei.
— Vai ficar uma marquinha linda... — Sussurrou ele no meu ouvido com aquela voz linda.
Então senti ele rumar para trás de mim. Foi impressionante como todos os outros sentidos se aguçaram quando não pude ver. Senti o perfume dele ainda mais forte, ouvi seus murmúrios um pouco mais alto. Nunca imaginei que os tapas na b***a me dariam algum prazer de entrega. Maximus abraçou meu corpo e teve que se curvar um pouco para alcançar minha calcinha pela frente. Eu não era capaz de ver, somente de sentir e, por isso, aquilo era tão excitante e ao mesmo tempo assustador.
Dom Maximus enfiou os dedos por dentro da minha calcinha e começou a me acariciar. Os dedos ágeis passaram a me explorar e me dar prazer. Abri a boca só o necessário para liberar meus gemidos.
— Eu vou te masturbar, mas você só vai gozar quando eu permitir. Entendeu bem?
Assenti com a cabeça.
— Eu quero ouvir o que ensinei. Sempre.
— Sim, senhor.
— Se gozar antes, vai ter castigo, ninfa.
— Ninfa?
— Ninfa... — Ele sussurrou — A divindade grega que habitava os rios e lagos, muito bonita. Igual a você.
Minha pele se arrepiou por completo. Ele me achava bonita. Ademais ele me masturbava com lentidão, sem qualquer pressa. Deixei escapar os gemidos baixinhos, me deliciando com aqueles dedos. Em dado momento, senti seus dedos molhados em meus lábios.
— Chupa. É seu.
Obedeci. Chupei seus dedos com a minha lubrificação. Não fazia ideia por quanto tempo aguentaria sem o comando de gozar. Já estava quente, pulsando por todo o corpo. E ele não parecia que ia parar.
— Preciso gozar.
— Quando eu quiser.
Maximus chupou minha orelha, deslizou a língua molhada pelo meu pescoço até o ombro.
— Gostosa... Eu te avisei que ia ser minha...
— Eu já era sua.
— Mesmo? — Ele falava sem parar de beijar, chupar e me masturbar.
— Simmm... — Murmurei quase num sussurro febril.
— Será que agora quer ser submissa?
— Posso tentar... — Senti uma alegria que nem sabia explicar de onde vinha.
—Se você quiser precisamos conversar muito, você precisa aprender muita coisa. Agora, calada.
— Sim, senhor.
Maximus aumentou a velocidade nos dedos me levando a loucura. Eu não podia fechar as pernas e m*l podia mover meu corpo. A delícia daquilo tudo me fazia querer gozar ainda mais rápido.
— Por favor...
— Só porque é sua primeira vez... goza, cachorra.
Não aguentei mais, permiti que todo o meu frenesi erótico fosse liberado em forma de um dos gemidos mais altos que eu já tinha emitido na vida. Enquanto eu gozava, ele não parou de me masturbar. Eu queria me curvar, não podia. Senti meu abdome tremer, as pernas tremerem e não podia sequer me ajoelhar. As algemas estavam apertadas.
— Como goza gostoso. — Ele continuou no meu ouvido.
Quando parei, minha respiração foi se normalizando e meu corpo parando de tremer. Foi a experiência mais louca e mais gostosa da minha vida. Maximus tirou a venda de meus olhos e se colocou na minha frente.
— Olha para mim, ninfa.
Abri os olhos e olhei nos dele. Maximus levou os dedos a boca e chupou meu g**o.
— Prova.
Ele levou os dedos até minha boca e os chupei com vontade. Nem eu sabia que uma depravada morava em mim em um lugar muito escondido da minha alma.
— Doeu?
Ele começou a me soltar.
— Não doeu, Senhor.
Ele parou o que fazia para me olhar enquanto eu esfregava meus pulsos com as mãos.
—Parece que realmente já se acostumou com o senhor. Fica lindo na sua boca.
Eu sorri, adorando os elogios.
— Você... O Senhor é muito galante.
Ele se abaixou para me soltar os pés.
— Eu não sou galante, ninfa, eu sou sincero, você é linda e sabe disso.
— Obrigada pelo elogio.
Ajeitei meu vestido e calcinha ao corpo enquanto ainda tentava me recuperar.
— Agora precisamos beber alguma coisa. — Ele disse. — Você vai lá para fora e vai ficar comigo. Não quero que responda a outro Dom, a menos que eu permita. Entendeu bem?
— E você? Err..Senhor? Não quer que eu faça nada?
Observei o enorme volume em suas calças. Ele parou de andar e se voltou para mim novamente.
— Para me ter completamente, é isso que quer? Tem que merecer. E eu sou controlado, sei esperar.
Fiquei ali olhando em seus olhos enquanto ele me encarava com total naturalidade e altivez.
— Sim, Senhor.
— Ande sempre um passo atrás de mim.
Aquela foi a mais gostosa e submissa experiência da minha vida e eu não me arrependi de nada. Muito pelo contrário, eu queria mais, queria o ciúme dele dos outros dominadores, queria pertencer a ele, queria sentir seu lindo olhar posto em mim em todos os momentos, tomando conta do que era dele.
Aquilo era o que estava sentindo de mais insano e, por isso mesmo, assustador já que parecia que eu estive procurando por aquele sentimento durante toda a minha vida.