A festa de gala

4531 Words
Capítulo 1 A festa de gala As taças de champanhe foram erguidas por todos à mesa. A toalha daquela mesa, por si só, já dava a conotação do luxo daquela festa. Uma toalha de cetim cor de champanhe, que amparava taças e jarros de cristal caríssimos, condizentes com as condições economias dos convidados. Todos naquela mesa e nas demais mesas da festa estavam dispostos a desembolsar quantias vultuosas para ajudar as famílias despejadas do terreno onde meu marido construiria seu shopping. A festa beneficente de gala, repleta de convidados riquíssimos era celebrada para angariar fundos para pessoas que estavam sem teto por conta de Carlos António, o anfitrião da festa, meu marido. Enquanto isso eu pensava no quanto aquela situação era insólita e quase depravada olhando para as minhas demais amigas e confidentes naquela mesa. Nós nos entre-olhamos entediadas após os enfadonhos lances por uma pintura de um autor nada conhecido, que parecia um Miró, em suma algo totalmente sem sentido que estava pintado ali e não víamos a hora de a festa começar de fato. Eu, Roberta, Dominique, Angela e Barbara éramos esposas de homens muito ricos. Nossas vidas eram invejadas pela metade da elite de São Paulo. A grande diferença para nós é que, embora casadas e ricas, nos considerávamos as mulheres mais infelizes da face da Terra. Os maridos não davam-nos atenção. Porém eles davam muita atenção a garçonetes, garotas de programa, modelos e outras, com as quais alguns foram flagrados em traição. As desculpas eram sempre as mesmas, aconteceu, é mentira, é verdade mas eu fui extorquido, é verdade mas eu vou parar. Nós, as esposas carentes e insatisfeitas sabíamos que era perfeitamente contornável e evitável, porém eles não quiseram evitar. E para que os casamentos continuassem e ninguém prejudicasse os patrimônios e filhos, continuávamos casadas, fingindo que nada acontecia. Exceto Roberta que estava se divorciando. Em determinado momento Dominique piscou o olhar para mim e com o queixo apontou meu marido se engraçando para cima de uma garçonete da festa. Era verdade que ela era muito bonita, mas eu estava presente na festa. Além de uma absurda falta de respeito com a esposa, ele sequer tentava disfarçar. Disfarcei, virando o rosto na direção onde Nik apontou e vi Carlos António sorrir mais do que o normal para a garçonete, fazendo perguntas. Era óbvio que ele não perguntava sobre o que havia no coquetel aquela noite, quais eram as bebidas ou nenhuma dessas perguntas e isso se devia ao fato de que ele próprio havia organizado tudo junto a uma empresa organizadora de festas. Eu sabia muito bem onde aquilo ia dar, meu marido na cama de uma garçonete se esta não fosse casada ou muito apaixonada por algum namorado. Eu sabia que Carlos António seria capaz de desembolsar quantias indecentes para convencer garotas bonitas a transarem com ele, porém não era capaz de desembolsar quantias indecentes para ajudar aquelas famílias necessitadas. Repletas de enfado, luto e revolta, nós cinco combinamos de nos encontrar no jardim da festa. Não víamos a hora de deixar aquele salão pleno de fumaça de cigarros, charutos, aroma de whisky e espumantes caros em meio a pessoas tão baratas. Tudo era de mentira. Aquele caro clube de super ricos desfilava suas belas mentiras em meio a uma festa requintada para uma ação beneficente. Entretanto tudo era uma bela maneira de disfarçar negócios escusos que não eram feitos à luz do dia e sim em conversas ao pé do ouvido em festas intermináveis. O meu grupo de amigas estava farto daquelas mentiras, mas como escapar senão pela amizade e confidencialidade de um grupo de cúmplices? Nós cinco nos encontraram no jardim. Roberta já chegou xingando muito seu marido enquanto nós fazíamos troça da importância que ela ainda dava ao que o marido fazia, ao invés de se divertir conosco. Mas precisava ir as festas enquanto mantinham as aparências. Enquanto nossos encontros, na maioria das vezes eram regados a truco, buraco, filmes e... festas privadas. — Essa noite tem festa, querem saber como é? — Perguntou Barbara. — Eu já fui, mas não gostei muito então deixo essa para vocês decidirem — Respondeu Angela. — Você nem conta, né amiga — Observou Roberta — Você já vive no Swing. Todas deram risada do comentário de Roberta. Era fato. Angela tinha um casamento aberto com seu marido. Eles frequentavam casas de swing, faziam troca de casais e ménage com terceiras pessoas. Era assim que tentavam manter o casamento por mais tempo sem tentarem se matar. Na verdade, eram bastante amigos e cúmplices ainda. Era justamente o que não acontecia comigo e as demais. — Eu acho que vamos precisar de outras desculpas para sair. — Observou Roberta — Eu não posso ser flagrada em um clube de safadeza nessa altura do divórcio, posso perder tudo. Roberta era a única a estar se divorciando e sairia satisfeita daquele casamento, com uma boa casa nos Jardins e dois carros. Afinal ela iria ficar com os filhos do casamento com o empresário Eduardo, então era mais do que justo que ela ficasse com uma boa parte do patrimônio do casamento. Depois de muita briga na justiça, Roberta conseguiu o que queria. — Vamos fundar um clube beneficente entre nós, eles jamais vão desconfiar de nada se formos discretas. — Eu vou adorar ver isso! — Angela se animou. — Duvido vocês fazendo algo assim. — Ela bateu as próprias mãos rindo. — Pode apostar, amiga, eu estou de saco cheio. —Finalmente me pronunciei enquanto fumava. — Que acham do Clube do Crochê? Vamos crochetar roupas de frio para as crianças carentes? — Sugeriu Barbara. — Ela enlouqueceu! — Joguei o cigarro no chão e pisei em cima com meus saltos — Eu não sei nem pregar um botão, sou uma inútil. — Está pensando da maneira errada, não vamos fazer crochê, mas dizer que fazemos. — Explicou Barbara — Quando saírmos para o clube para fazer as roupas das crianças, vamos na verdade, para as festas e encontros, sua boba. Angela deu uma risada estridente. — E quando não aparecerem as roupinhas? — Ué — Barbara cruzou os braços de pé ainda — Vão aparecer, vamos comprar! E vamos realmente entregar! — Bom, ai é diferente, gostei, eu quero realmente ajudar. Somos mães, com exceção da Barbara, eu acho que a gente pode ajudar mesmo as crianças enquanto passa o tempo. — Respondi. — Exatamente. — Completou a própria Barbara. — Amigas do crochê? — Perguntou Angela com ar de deboche. Todas demos pequenas risadas nos entreolhando. — Clube do crochê? — Dominique sugeriu. Todas nos olhamos. Sorrimos. Um pouco de silêncio se fez entre nós enquanto a música alta lá dentro podia ser ouvida a muitos metros de distância. — Gostei — Respondi. — Também gostei. — Barbara respondeu. — Fechado, então. — Completou Angela. — Vamos fazer caridade e p*****a! — Gritou Dominique já sem freios na língua. Nós rimos alto até perdermos o fôlego. Era bom estar com elas. Eu as tinha conhecido há uns anos, exatamente nessas festas sem sentido. Logo descobrimos que tínhamos mais em comum do que gordas contas bancárias. Tínhamos casamentos falidos. Cada uma, em seu momento, descobriu traições, falcatruas, mentiras e muito mais. Aproximamo-nos uma das outras quase que como um ímã. Não havia nada mais reconfortante do que estar entre pessoas que conheciam seu sofrimento e partilhavam dele. Logo nos tornamos cúmplices e confidentes. Eu me divertia mais com as amigas do que me diverti com Carlos António em quinze anos de casamento. Eu fui a que casou mais tarde do grupo. E nem todas já eram ricas antes do casamento. Eu, pelo menos, me considerava rica de saúde, pois a riqueza que queria realmente era a que meu marido jamais poderia me dar. Aliás, ele não poderia dar a ninguém. Ele era do tipo que se amava acima de tudo e todos, até dos próprios filhos, Caio e Antonella, os meus amores. Aquela noite eles ficariam com a babá enquanto eu ia sair com as meninas. Eu as chamava de “meninas” porque era uma forma carinhosa e inocente de me referir as minhas amigas. Inocente. Isso era tudo que não podíamos ser. A nossa inocência fora arrancada de nós pela riqueza e traição. Não que uma coisa levasse a outra, mas não teríamos nos aproximado tanto se não fosse pela forma como eles nos tratavam. Eu sabia de casamentos bem sucedidos, mas esse não era o nosso caso. Olhei para Angela que já ia a nossa frente, com seu vestido rendado de cor marsala, tão linda... vivendo sua vida s****l do jeito que o marido queria. No meio liberal. Porém, talvez, fosse a mais feliz de nós cinco afinal, pelo menos, ele não foi cachorro o suficiente para mentir e enganar que conseguiria dar fidelidade a ela. Angela não vivia em uma mentira todos os dias, como eu. O fato é que eu já tinha passado da fase do enfrentamento, do dedo na cara e da acusação para a fase de viver minha sexualidade do jeito que eu queria. E eu, Margareth, consegui. Quanto as outras, sua felicidade íntima pertencia somente a elas. Você pode ser muito íntimo de alguém e jamais saber sua verdadeira personalidade e seus sonhos. Foi assim com meu marido. Apesar de ainda amar, eu nunca saberia quem eu amava de fato. Talvez eu amasse ainda a ideia que fazia dele. Não gostava mais de pensar sobre isso, era puro sofrimento. Quando voltamos ao salão da festa, serviam champanhe a todos. Nós nos sentamos, trocando olhares debochados cúmplices. Nossa diversão era rir da cara dos tolos ou pelo menos Dominique, eu e Barbara. Eles achavam que não fazíamos sexo, mas nós fazíamos e muito, só que não mais com eles. Afinal de contas eu achava os homens uns verdadeiros garotos. Esforçavam-se tanto para se divertir de qualquer maneira, com todo mundo e depois descobrindo tarde da vida, que as esposas é que iam limpar suas bundas no final de tudo. Ou pagariam para limparem. Eu queria mais é que Carlos António experimentasse a solidão antes da morte. A mesma solidão que ele me impunha durante quinze anos. Por volta das vinte e três horas, dissemos a eles que precisávamos ir jogar e nos ausentamos da festa. As risadas eram intensas no carro de Barbara. Ela dirigia enquanto nos explicava o que acontecia no tal clube onde ela ia. Prestei muita atenção embora não parecesse que era algo que podia extravasar minhas vontades. Eu era uma mulher um pouco mais exigente, assim como Dominique. Fatos da idade. Eu tinha 42 anos e Dominique, 52. Nós duas não nos contentávamos mais com sexo de qualquer jeito. Eu esperava viver situações realmente prazerosas. Ao chegarmos reparei que o local parecia ser uma casa normal como qualquer outra, porém bastante luxuosa. Dominique ficou parada dentro do carro olhando se havia alguém conhecido. Não havia ninguém. — Eu não vou — Disse ela. — Mas porque não? — Barbara questionou. — Nik, qual é?Por que não? — Roberta reclamou. — Esse lugar é luxuoso, pode ter pessoas da roda de amigos do Lucio. Nós olhamos instantaneamente para Barbara. — Não, não tem. Apesar da mansão, as festas são para poucos. Eu já vim várias vezes. Se tivesse alguém aqui que oferecesse perigo a nós, eu traria vocês? Todas nos entre-olhamos, preocupadas. — Acho que ela está certa. — Respondi. — Tudo bem, mas se eu estranhar algo, eu saio na hora, Barbara. — Claro, a gente vai logo embora mas você vai ver que é pouco provável que alguém que a gente conheça entre aqui. — Agora me deu medo! — Respondeu Roberta rindo alto. Todas demos altas risadas, mas a preocupação era genuína. Nenhuma de nós poderia errar em nossos casamentos, nenhuma de nós poderia ser pega em flagrante traição, ainda que nossos maridos fossem os maiores traidores. É verdade que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco e as mulheres são as que mais tem a perder. Sempre. A grande porta foi aberta e mantive minha cabeça para baixo, com o olhar voltado para o chão sem saber o que encontraria ali dentro. Ergui o olhar e vi que a porta devia ser maior que a da Dominique, tinha uns dois metros e meio de altura e largura. O local estava mergulhado em penumbra. Uma música ambiente baixa tocava. Parecia blues. A um canto rapidamente me deparei com uma cena inusitada, pelo menos para mim e que no mesmo momento percebi que era bem familiar para Barbara. Um homem de máscara preta, sem camisa, vestido com uma calça de látex preta e dono de um dorso muito bonito amarrava uma mulher ajoelhada. Logo notei onde estava: Uma festa b**m. Não era bem o que eu planejava encontrar aquela noite, mas enfim, era onde aceitei ir. Andamos mais um pouco enquanto Barbara, alegre adepta das práticas, explicava o que acontecia nos cômodos e salões. Ao adentrar um salão vi um homem muito charmoso, de camisa preta totalmente desabotoada, com um magnetismo que dava para sentir de longe. Um garçom parou ao meu lado enquanto eu o observava. — Senhorita?Deseja beber algo? — Hã? Ah sim, tem vinho? — Sim, senhorita, esta taça. — Ele apontou uma taça em sua bandeja, onde continha mais taças de outras bebidas. Estiquei a mão e peguei a taça com vinho. Girei a taça em minhas mãos enquanto o garçom se afastava e voltei a olhar aquele homem. Havia uma mulher ao seu redor, provavelmente uma submissa. Eu já tinha lido bastante sobre b**m nas minhas andanças pela internet. Era uma entusiasta de todo tipo de descobertas, entretanto, aquilo não funcionaria para mim. Eu gostava do prazer, não da dor. Fiquei ali observando visto que ele me chamou a atenção. Aquela dominação sempre me pareceu consentida, ainda que sem sentido. A submissa sempre me pareceu mais importante que o dominador. Sem o consentimento não haveria jogos de poder, em suma, não haveria dominador. O belo homem, de tórax atlético e tatuagens que cobriam todo seu peito, segurou os cabelos da moça e apontou o cabo do chicote para seu queixo a obrigando a abrir seu zíper. Assim ela o fez. O silêncio reinava naquele recinto. Acredito que as pessoas estavam excitadas com a cena. Barbara segurou meu braço. — Ele é o Dom Maximus. — Ela sussurrou em meu ouvido. — Alguma coisa a ver com o Império Romano? — Eu sorri respondendo em sussurro. Barbara riu baixinho e me deu um tapa no braço. — Não, porque ele domina e você nem sente, ele é o máximo. Tem até uma banda de Blues. Mas não é por isso que o nick dele é Maximus, ele foi apelidado por outro Dom. — Entendi, Babi, isso deve ser muito excitante para você, mas eu prefiro sexo. — Quem disse que não rola sexo? — Pelo que sei rola mais dor que sexo. — Depende do que você aceita. Mas não vou tentar te convencer. — Você nem ia conseguir, minha amiga. Ela sorriu e se afastou. Eu sou uma mulher de muita opinião e quando fecho as portas a um assunto, ele não volta a habitar meus pensamentos. E foi justamente o que aconteceu com o b**m. Mas então, algo diferente aconteceu diante dos meus olhos. O tal Dom Maximus colocou a sua submissa de joelhos para uma felação enérgica enquanto me encarava de longe. Olhei para os lados e me senti desconfortável com aquele olhar insistente. Ninguém mais me olhava. As submissas orbitavam seus dominadores, que por sua vez, estavam preocupados em apreciar a cena. Não posso dizer que não era sexy. Sexo nu assim na minha frente era algo que eu ainda não tinha visto. Senti o que qualquer pessoa saudável sentiria: desejo. Além do mais, ele era bonito e me encarava de uma maneira que parecia invadir minha alma. Dominique finalmente chegou até onde eu estava. — Você não vai acreditar, fui convidada para servir a um dominador. — Quando? — Perguntei sem tirar os olhos de Maximus. — Daqui há pouco. Velas. Acha que vou gostar? — Se gostar de um pouco de dor, Nik. — Meu Deus, quem é esse Deus grego? — Perguntou quando viu Maximus. — Eu não sei, mas queria muito saber. — Que corpo ein! — Fala mais baixo, sua louca. — Vai assistir minha apresentação? — Não perderia isso por nada. — Respondi olhando para ela com ar de ironia e um sorriso debochado. — Vai fazendo essa cara, eu vou me divertir e você vai ficar chupando dedo. — Prefiro chupar outra coisa. — Olhei a cena com o dominador. Nik deu uma risada baixa e se afastou. Continuei ali, observando aquela cena na penumbra sensual daquele lugar. Para que o clima fosse perfeito, haviam velas vermelhas, um tapete de fios preto e o perfume de velas aromáticas. Tudo convidava ao sexo. Mas não era convidativo a mim. O tal Maximus não desviava o olhar. Ele me encarava enquanto gozava e eu preciso dizer o quanto isso era prazeroso de ver? Senti minha calcinha úmida, como não poderia deixar de ser, afinal sexo é sexo e eu não estava morta. Apenas um pouco adormecida. Procurava me sentir viva de novo em todas as coisas diferentes em que eu me metia a experimentar. Quem sabe o amor pelo meu marido diminuísse enquanto eu experimentava o sexo com outros homens. E tinha que diminuir, uma vez que eu sempre fora secretamente traída até mesmo antes do casamento e aquilo tinha parcialmente destruído meus sentimentos. Contudo o amor por ele ainda estava lá no fundo, fingindo não saber de nada durante todos os dolorosos dias da minha vida. Eu sabia quando ele estava com ela e com a outra e sabia até seus nomes, pois eu precisava de provas. Tinha contratado um detetive particular muito competente para quando precisasse pedir o divórcio e carregar comigo nossos filhos e mais da metade dos bens dele. Porém nunca fiz isso. Eu não queria traumatizar meus filhos Antonella, de 5 anos e Caio, de dez. Esperava que eles ficassem maiores para sair do casamento. Mas via isso cada dia mais distante de acontecer. Eu tinha me formado em Direito sem o registro. Deixei minha vida profissional de lado quando conheci meu marido. Levada pelos meus pais a acreditar que ele seria um futuro mais promissor do que minha profissão, abandonei tudo. Carlos realmente foi, nos formamos e ele seguiu os passos do pai, herdou uma pequena fortuna quando o pai faleceu e ficamos ricos. Meu marido soube triplicar o que herdou e assim foi só crescendo. Eu queria muito me afastar dele, ter coragem de me separar, ter orgulho de ser independente, mas já tinha me acomodado naquela vida nababesca ao lado dele. Dizem que tudo tem um fim nessa vida, mas meu casamento já terminou antes mesmo de começar. Só que eu me mantive nele mesmo sabendo de como aquele homem se portava na vida. Existiria alguém melhor? Ao meu redor, tudo que eu via era traição e falta de compromisso. Se eu acreditava no amor? Só no que eu sentia pelos meus filhos e no resquício de amor que ainda sentia por ele. Não havia, para mim, nada de diferente fora do meu casamento, por isso eu permanecia nele. Não importava mais. E assim eram meus dias: Tentando encontrar prazer na vida de novo. E eu encontrava muito, pelo menos com as minhas amigas e com as loucuras que fazíamos por causa de homens impossíveis. Era divertido e eu não perderia essa diversão jamais. Era como eu me sentia viva. Quando aquele dominador saiu de sua cena, arrastou sua submissa na coleira até onde eu estava. Ele parou em frente a mim, me encarando ainda. Eu não podia negar que eu sou uma mulher bonita. Eu tinha tempo suficiente para malhar, dinheiro suficiente para fazer dietas mirabolantes e comprar belas roupas. Acho que ele sentiu o aroma do dinheiro em mim. — Boa noite. — A voz baixa e grave também era bonita. — Boa noite. — Respondi educadamente. — Gostaria de participar de uma encenação comigo? Ele parecia bastante educado. — Não gosto de sentir dor. — E se eu te prometer prazer? Levei a taça de vinho a boca com um sorriso malicioso enquanto aqueles olhos estavam fixos nos meus. Ele tinha olhos castanho-esverdeados e os cabelos curtos um pouco loiros. A simetria de seu rosto chamava atenção, pois tornava seu rosto bonito. — Não gosto de chamar atenção, se é que me entende. Minhas coisas faço em privado. — Podemos fazer em privado se quiser. Olhei para sua submissa. — E ela? — Ela não é minha submissa, estou a procura novamente. Ela também está a procura de um dom. Eu te dispenso, ladyhawk. — Sim, senhor. Sabe onde me achar, senhor. Ela me lançou um olhar fuzilante e foi embora. — Ela é bem obediente. — Observei. — Você também pode ser, se me permitir te conquistar. Ele segurou a taça de minha mão e se aproximou ainda mais e ainda mais. Eu dei passos para trás, incomodada. — Eu não gosto do b**m, moço, eu estou aqui com uma amiga. — Já experimentou? — Só li a respeito. — Então não sabe se gosta. Andei tanto que senti uma parede em minhas costas. Era bem verdade, eu nunca tinha experimentado, porém meu preconceito era maior que a vontade de experimentar. Senti a respiração dele muito próxima do meu rosto. Ergui o rosto para olhar para ele. Senti sua mão subir até meu pescoço e parecer querer me enforcar. — Tire a mão de mim. — Se permita, o que vai sentir é diferente de tudo que já sentiu. Com a mão esquerda ele subiu meu vestido encontrando minha calcinha, que afastou para o lado. Aquela era a hora de experimentar mais alguma coisa que pudesse me fazer sentir viva. Decidi me permitir. Olhei ao redor e as pessoas não mais estavam olhando. Parecia um código secreto que faz as pessoas não darem a mínima para uma cena particular mas darem toda sua atenção para uma cena pública. Simplesmente ninguém se importou. Maximus enfiou o rosto no vão do meu pescoço com o ombro e sua respiração calma fez minha pele arrepiar. — Feche os olhos, estou ordenando. — Disse em voz rouca, baixa, muito impositiva. Aquele comando me fez aceitar fechar os olhos. A mão esquerda começou a trabalhar no meu c******s de forma lânguida, preguiçosa, me fazendo sentir prazer realmente. Abri um pouco os olhos e olhei para baixo, para seu corpo tão próximo ao meu. — Você vai gozar quando eu disser que pode. — Eu g**o quando eu quiser. — Respondi, o provocando. — Ah temos uma escrava? Sabe, escravas pedem a dominação. Elas são mais dificeis de serem amansadas. — Eu li que escravas servem para tudo, se quiserem. —Servem, mas querem ser amansadas, assim como você. Aliás, eu não mandei que abrisse os olhos. Fechei novamente. Estava realmente gostoso, era difícil achar homens que soubessem me tocar. Normalmente o prazer deles vinha antes de tudo e nós, mulheres, nos contentávamos com o orgasmo deles. Só que eu era um pouco rebelde nesse sentido. Ele deslizava facilmente os dedos pelas minhas entranhas completamente molhadas. Arfei. Abri a boca deixando escapar um gemido baixo. — Se gozar agora será castigada. Sorri. Assim que sorri, ele apertou mais meu pescoço, mas com cuidado. — A asfixia erótica vai te fazer ver estrelas. Mas só quando eu permitir, senhorita. Não consegui dizer mais nada. Maximus acariciava meu c******s com vigor, minhas pernas bambearam. Senti o corpo todo quente, o coração parecia bater em meus ouvidos. Ele parecia saber. — Agora você vai gozar... O dominador aumentou o ritmo enquanto arfava em meu ouvido. Decidiu gemer junto comigo como se soubesse que eu amava ouvir o gemido masculino de prazer. Assim que comecei a gemer mais alto, sem controle, ele apertou um pouco mais meu pescoço. Por alguns segundos parei de respirar e aquilo me fez ter um orgasmo absurdamente intenso. Senti meus pés subirem e as pernas perderem o equilíbrio. Não consegui mais gemer, apenas emitir sons guturais enquanto não me sentia mais em lugar algum. Foi delicioso. O melhor orgasmo da minha vida e de pé, com um estranho. Maximus removeu a mão de onde estava e afrouxou a mão direita do meu pescoço. Aos poucos voltei ao meu estado normal. — Tudo bem, senhorita? Olhei para ele, senti uma vontade imensa de beijar aquele homem. Tentei envolver seus ombros com meus braços e puxá-lo para um beijo mas ele parou minhas mãos e as afastou. — Eu não beijo quem não é minha submissa. Me perdoe. Lembre de mim e se quiser experimentar mais, estarei aqui semana que vem. Ele se afastou e rumou para outro cômodo. Eu me recompus e o persegui na festa, sem sentir. Fiquei o observando de longe enquanto tomava uma cerveja com amigos. Ele ria e brincava com outros dominadores. Roberta se aproximou de mim. — Eu vi tudo. — Disse ela. — Me viu gozar na frente de um monte de gente? Ela riu. — Invejei. — Ele está logo ali, só pedir. Ela examinou minha expressão. — Eu notei uma pitada de ciúme no seu tom de voz? Olhei Roberta e dei uma risada alta. — Está louca? Como vou sentir ciúme de um homem que nem conheço? — Sei. Era verdade. Eu sabia que estava o seguindo por ter me provocado sensações deliciosas e por ser muito gato. Não sabia o que fazer para me aproximar, então me conformei de tentar vê-lo novamente em outro final de semana. Só que a desgraça estava sempre acontecendo na minha vida. E como se não bastasse eu ter me interessado por um homem que não se envolvia com ninguém, ao chegar em casa depois da academia, meu marido tinha visita. Assim que entrei suando em casa, havia mais um homem sentado no sofá com ele em altas conversas sobre negócios. Assim que pude ver quem era, meu coração pareceu parar no peito. Ele me olhou e ficou igualmente congelado. Maximus, o dominador estava em minha sala de estar. Como? Por que? Carlos António se levantou. — Meg — Era como me chamavam, um apelido carinhoso para Margareth — Lembra que eu falei sobre um novo diretor da empresa? Esse é Mateus Becker. Não podia ser! Não era real! O homem se levantou, um pouco sem graça e esticou a mão. Olhei para sua mão durante segundos que pareceram horas. Eu estava paralisada de pavor. — Ô, Olá, prazer em conhecê-la, Margareth. Estiquei minha mão e toquei a sua com tal medo como se fosse levar um choque. No mesmo momento o flash de seus dedos me fazendo chegar ao orgasmo pulou na minha mente. Ele trazia um semblante de surpresa e tensão, porém um certo sorriso cafajeste muito bem disfarçado. Era o fim. Eu estava nas mãos daquele homem, mas ele também estava nas minhas. Tentaríamos disfarçar aquela situação até que o jantar terminasse. Se fosse possível disfarçar.
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