Roberto narrando — Levanta. Minha voz cortou o silêncio como uma lâmina. Ela ainda estava encolhida na cama, abraçada ao próprio corpo, trêmula, com os olhos arregalados. Mas eu não tinha tempo nem paciência pra lidar com fragilidade agora. — Anda logo. Se veste. — repeti, seco, enquanto acendia mais um cigarro, o olhar fixo na tela do celular. A foto da minha mãe naquele cativeiro me corroía por dentro, e cada segundo que eu perdia era um risco a mais pra vida dela. — Por quê? O que você vai fazer? Pra onde a gente vai? — ela choramingou, tentando me alcançar com os olhos. — A gente não vai pra lugar nenhum. — respondi, ríspido. — Você vai fazer uma entrega pra mim. Ela arregalou os olhos. — Não, não! Eu não vou! Eu não vou, pelo amor de Deus! Minha paciência já tinha ido embora

