Roberto narrando - continuação O céu já não era azul, mas também não tinha escurecido. Aquele tom alaranjado misturado com o lilás das nuvens riscava o horizonte como se a natureza estivesse ciente do que ia acontecer ali. Fim de tarde. Clima abafado. A luz baixa, cortante, entrava pelas frestas da vegetação enquanto a viatura descaracterizada avançava devagar por uma estrada de terra estreita e esburacada, no meio do nada. Tinha cheiro de fim. Fim de jogo. Fim de linha. No rádio, silêncio total. O canal de voz só seria usado em último caso. Cada movimento era coordenado por gestos ou mensagens de texto cifradas. Eu estava no carro da frente. Equipamento reduzido, mas de alto impacto. Fuzil no colo, pistola na cintura, lâmina no colete. A missão não era prender ninguém. A missão era res

