Episódio 7: Beijar o inimigo, gozar o perigo

1246 Words
Victoria Savoia  A boca dele na minha foi como um disparo. Sem aviso. Sem permissão. Mas, droga... eu queria. Benjamim me beijou como se estivesse quebrando um juramento. Como se rasgasse as regras com a língua. Como se tentasse me destruir com os lábios. E eu? Eu que deveria odiá-lo, empurrá-lo, gritar? Eu me entreguei. Minha boca cedeu. Minha pele esquentou. Minhas pernas quase fraquejaram. Mas não. Não ia deixar ele comandar tudo. Não ia ser só mais uma vítima da presença esmagadora dele. Minhas mãos deslizaram pelo peitoral molhado. Desceram devagar, afiadas como faca de desejo. Apertei a cintura dele com força, inverti a posição e o empurrei contra a parede externa da mansão — as pedras frias contrastando com o calor do meu corpo. — Então é assim que você quebra as regras, segurança? — sussurrei contra a boca dele, minhas unhas riscando seu abdômen com lentidão maliciosa. Ele não respondeu. Mas os olhos escureceram. Minha boca deslizou para o pescoço dele, quente e pulsante. Beijei ali. E senti o corpo dele tensionar. Como se estivesse lutando contra um instinto. Deus, ele era lindo. E maldito. Apontei o olhar pra ele e murmurei: — Vai me deixar comandar... ou tá esperando uma ordem pra tomar de volta o controle? E foi aí. O inferno voltou a ferver. Ele girou o corpo num movimento firme, prensando meu corpo contra a parede de pedra. Minhas costas encontraram o frio. O corpo dele, o calor. A respiração dele roçava minha bochecha. Os olhos cravados nos meus. A boca próxima demais. — Você não faz ideia do que tá provocando — ele disse, a voz grave, quebrada, carregada de raiva e desejo em doses iguais. — Então me mostra... — eu sussurrei, sem conseguir evitar. — Me mostra quem você é de verdade. A mão dele agarrou minha coxa, subindo devagar. A outra, em minha nuca. Sua boca voltou pra minha com fome. E eu explodi. As línguas se encontraram. Os dentes arranharam. Os gemidos curtos escaparam. O beijo desceu para o meu pescoço. Para o meu colo. Para meus s***s molhados que arfavam sob o toque quente da boca dele. E ali... Quando ele sugou meu mamilo com a boca faminta, entre gemidos contidos e mãos possessivas... Eu quase perdi o juízo. Mas ele parou. Bruscamente. Se afastou como se tivesse levado um soco de realidade. As respirações estavam pesadas. A minha... descompassada. A dele... feroz. Ele me olhou com fúria. — Isso não vai acontecer. — rosnou. — Não pode acontecer. — Já aconteceu — sussurrei. — E você sabe disso. Ele cerrou os punhos. Virou as costas. Entrou na casa sem olhar pra trás. Fiquei ali. Por dois segundos. A água escorrendo das minhas coxas. Os m*****s ainda latejando. Os lábios inchados. O corpo tremendo. Voltei sozinha pro quarto. Descalça. Molhada. Viva. Tranquei a porta. A mansão parecia calada demais. Como se o mundo tivesse parado lá fora pra ouvir minha respiração. Me joguei na cama com força. A toalha escorregou. O lençol grudou na pele quente. Fechei os olhos. Toquei os próprios lábios. A boca ainda queimava. Foi só um beijo. Um beijo que desceu até meus seios... E os devorou como se ele estivesse faminto. Como se eu fosse a última refeição da alma dele. Porra... Isso é errado. Não só pelo jogo, pela missão dele, pelo meu pai... Mas porque eu gostei. Porque me fez sentir viva. E isso é imperdoável. A cama parecia engolir meu corpo. Ou talvez fosse o peso do desejo. Do que aconteceu. Ou do que não terminou. Fechei os olhos. Mas era inútil. Ele ainda estava ali. Benjamim. Na minha boca. Na minha pele. No meu peito, onde ele cravou os dentes como se fosse dele. Soltei um suspiro trêmulo. O lençol grudava nas minhas coxas molhadas. Não só da piscina. Minhas mãos escorregaram pela barriga. Subiram pelos meus s***s. Ainda sensíveis. Ainda queimando. — Merda... — sussurrei, mordendo o lábio. Fechei os olhos e deixei os dedos explorarem. Não com pressa. Com raiva. Com fome. Com a lembrança. Lembrei da boca dele. Do jeito que ele sugou meu mamilo com tanta intensidade, como se estivesse bebendo da minha alma. O calor, a sucção, a língua dele girando... E minha vontade de pedir mais. Meus dedos desceram pela barriga. Lentos. Torturantes. Deslizei por cima da calcinha ainda úmida. A fricção suave me arrancou um gemido curto. — Porra... Ele estava na minha mente como um veneno doce. Eu tentava afastar. Mas só conseguia querer mais. Empurrei o tecido de lado. Toquei. Arqueei o quadril com o impacto do prazer solitário. — Benjamim... — saiu da minha boca antes que eu pudesse conter. Travei. Não. Não posso. Mas a mão não parou. Pelo contrário. Ficou mais intensa. Mais decidida. Era como se meu corpo gritasse pela presença dele. Pela força. Pela boca. Pela posse. Cada movimento dos meus dedos era um eco do que ele causou. Cada gemido, um sussurro de rendição. O orgasmo chegou rápido, traiçoeiro. Como um soco abafado no meio da madrugada. Como uma onda que me engoliu sem piedade. Meu corpo se arqueou. A respiração falhou. Gozei com a boca entreaberta. Com o nome dele preso na garganta. E no silêncio do quarto... Sozinha. Despida. Suada. Destruída... Eu encarei o teto e murmurei: — Isso é errado. E ainda assim... Nunca me senti tão viva. Levantei da cama com as pernas moles. O corpo ainda pulsava. O peito subia e descia, como se tivesse corrido uma maratona dentro de mim. Fui até o banheiro cambaleando, os pés descalços sobre o mármore frio, a toalha pendurada entre os dedos, a calcinha ainda torta e úmida. A luz acesa do banheiro me cegou por um segundo. O espelho refletia minha própria derrota. Boca inchada. Olhos fundos. Seios marcados. Parecia que ele ainda estava aqui. Abri o box com um estalo e liguei o chuveiro no máximo. A água quente caiu como um castigo sobre minha pele arrepiada. Fechei os olhos e deixei que ela escorresse... Sobre o pescoço que ele mordeu. Sobre os s***s que ele devorou. Entre as coxas que ainda tremiam. Passei as mãos nos ombros. No ventre. Na nuca. Mas o toque dele... não saía. Era como tatuagem feita com desejo. — Porra... — sussurrei, esfregando com mais força. O vapor tomou o ambiente. O vidro embaçado. Meus pensamentos ainda mais. Não era pra ser assim. Ele é o segurança. Um i****a que meu pai contratou, para ser minha sombra. O inimigo. E, mesmo assim, Eu desejei que ele tivesse me comido ali, contra a parede, com toda a fúria que ele segurou. Fechei a torneira. Saí do box com os cabelos pingando, o corpo quente demais pra relaxar. Vesti um short de algodão e uma camiseta larga, ambas cinzas, gastas, velhas. Nada sexy. Nada digno de quem acabou de se tocar pensando no homem errado. Me joguei na cama outra vez. O travesseiro ainda úmido de suor. As pernas entrelaçadas. Fechei os olhos, tentando forçar o sono. Mas tudo o que via era o rosto dele. Aquela boca. Aquela voz. Aquele olhar que atravessava minhas defesas como faca quente na manteiga. Virei pro lado. Virei de novo. Nada adiantava. Porque o problema não estava na cama. Estava em mim. No corpo que ainda gritava. Na alma que começou a se agitar. No coração... que estava fazendo algo muito mais perigoso que gozar. Estava sentindo. E isso, pra mim... Era o verdadeiro inferno.
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