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Sombras do Passado

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Blurb

Depois de oito anos, Summer volta com seus pais para a Itália. Desenterrando sombras do passado. Sendo perseguida pelo assassino de seu irmão, e protegida pela pessoa que mais odiava desde criança. Quem era o seu perseguidor? Porque aquela pessoa que ela tanto odiava, a protegia tanto? Tudo estava confuso, inclusive seus sentimentos por ele.

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Retorno
Summer Faltavam apenas três quarteirões para chegar em casa, um lugar que eu havia deixado para trás a muito tempo. Deixar esse lugar esse lugar quando eu tinha dez anos foi doloroso, mas agora não tenho certeza se devia ter retornado depois de oito anos. —Esse lugar não mudou nada.. —disse minha mãe, talvez mais para ela do que para meu pai e eu. A casa havia passado por reformas, a fachada estava mais moderna, o gramado verde estava impecável com alguns arbustos aparados com precisão, os portões de grade pretos altos fechavam a frente, com muros brancos cercando o restante da casa. Meu pai estaciona o carro em frente ao portão automático, esperando ele se abrir. Desço do carro, inspirando o ar fresco do entardecer, pego minha mochila e fecho a porta caminhando em direção à entrada da enorme casa. Nada era igual antes, o interior da casa estava totalmente diferente, apenas quadros da nossa família espalhados pelas paredes me faziam lembrar que já fui feliz aqui. —Sinto falta dele —ouço meu pai dizer com a voz baixa e triste —sei que não queria voltar para essa cidade depois de tanto tempo.. —ele trinca o maxilar, um movimento mínimo, talvez para afastar as memórias ruins, mas um movimento que eu percebi. —Ja fazem nove anos.. —a voz dele falha, os olhos se enchem de lágrimas —você nunca tocou no assunto.. por quê? Um suspiro profundo deixa meu peito, um aperto que vinha com as lembrança da morte de Kalias. —Porque lembrar daquela noite, vai doer mais em mim, do que em vocês, ele era seu filho, mas ele era meu irmão e vocês não viram o que eu vi. Me afasto em direção a escadaria, parando ao pé do primeiro degrau, vejo minha mãe parada na porta da sala ouvindo tudo com lágrimas escorrendo por seu rosto. Entro em meu quarto jogando a mochila na cadeira da escrivaninha. A luz da lua começando iluminar o cômodo através da janela. Observo a casa vizinha, com uma janela em frente a minha a uma distância considerável. Um arrepio percorre a base da minha coluna até minha nuca, uma sensação de observação, mas ao olhar ao redor não avisto ninguém, nem mesmo na janela vizinha. —Eu só posso estar enlouquecendo de vez —digo para mim mesma sozinha no silêncio do quarto. —Summer? —minha mãe me chama, acompanhado de um bater de porta, adentrando meu quarto em seguida —o vizinho ao lado nos convidou para um jantar de negócios, e para nos dar boas vindas.. gostaria que você fosse. Sair não seria má ideia, até porque minha mãe não me deixaria aqui sozinha sem insistir para que eu fosse. —Tudo bem.. só preciso de um tempo para me arrumar —digo sem prolongar a conversa. —O jantar será às oito, vista algo elegante.. fiquei sabendo que o vizinho tem um filho, talvez vocês conversem melhor depois do jantar. —O QUE? —grito, a indignação estampada em meu rosto. —Devia ver a sua cara, estou brincando com você meu amor.. mas se quiser.. Jogo um travesseiro que estava na cama em sua direção, fazendo com que ela saísse correndo do quarto. —NÃO SE ATRASE —ouço-a gritar do corredor. —Era só isso o que me faltava — digo para mim mesma sorrindo sozinha novamente. Entro no banheiro, me deparando com um chuveiro e uma banheira. Ligo o chuveiro, deixando cair uma água quente e relaxante. Tiro minhas roupas jogando-as no cesto. Era como se o peso do mundo estivesse em meus ombros, e aquela água estivesse levando tudo embora pelo ralo. A vida é assim, quando você menos espera, ela lhe dá um chute no peito, e te derruba de costas no fundo do poço. E lá vai você, novamente tentando escalar os tijolos escorregadios da vida. —Voltar para a Itália foi uma p**a ideia de merda.. —digo para mim mesma com os olhos fechados. Um barulho na janela do quarto me tira do devaneio rapidamente, desligo o chuveiro me enrolando em uma toalha e indo em direção ao quarto, me deparando com a janela aberta, certa de que quando entrei no banheiro, ela estava fechada. Caminhei em direção ao ar frio que entrava pela janela, observando o quintal logo abaixo, e a janela vizinha logo à frente. Sinto novamente o mesmo arrepio de minutos atrás percorrendo minha coluna. Fecho a janela me afastando em direção à cama, só então notando um envelope, que com certeza não estava ali quando cheguei. Pego o envelope e o abro, retirando de dentro uma polaroide. —Que p***a é essa.. —minha voz sai baixa, quase num sussurro. Era uma foto minha assim que cheguei em casa. Jogo a pequena foto na cama, só então notando um bilhete que acompanhava a foto. “Você é minha Summer, desde o momento em que cruzou o meu caminho.” O pânico toma conta de mim, guardo o bilhete e a foto no criado mudo ao lado da cama. Aquilo só podia ser uma brincadeira, um piada de m*l gosto. Porém o bilhete era claro, seja quem for, decidiu que eu seria dele assim que cruzei seu caminho. O pânico abriu espaço para a raiva, minha privacidade foi violada, seja quem for, não liga para permissão, apenas invadiu o meu quarto e a minha vida, e ainda diz que sou dele. —Eu trouxe o vest.. —minha mãe para na porta bruscamente observando meu rosto —o quê aconteceu? —Não foi nada.. só pensei ter visto alguma coisa —a mentira cuspida descaradamente —eu fico pronta logo, eu prometo. Assim que fico sozinha novamente, tiro a toalha, vestindo o longo vestido preto de seda preto, acompanhado por sandália preta de salto fino. Deixo o cabelo solto, descendo em ondas pelas costas. Passando apenas um batom, para dar alguma cor além do preto. Afinal era apenas um jantar, não um baile. Desço a escadaria, parando no meio da sala de estar, observando meu pai, sentado no sofá com os cotovelos apoiados nos joelhos, encarando fixamente o chão. —Pai? —digo, voltando sua atenção para mim —estou pronta, podemos ir se quiser. —Olha só para você.. —ouço minha mãe dizendo logo atrás de mim, entrando na sala com um sorriso satisfeito no rosto —o vestido ficou maravilhoso querida. —A senhora não estava brincando quando disse para vestir algo elegante —digo gesticulando para o vestido. —Que história é essa? —pergunta meu pai, alternando seu olhar entre minha mãe e eu. —Basicamente eu disse a ela que os vizinhos tem um filho e quem sabe.. —ela não termina a frase —bom você entendeu, ela precisa se divertir, conhecer pessoas. Papai a encara incrédulo, levantando uma mão para que não dissesse mais nada, apontando para a porta para que fôssemos logo. —Vamos, já está ficando tarde, já são quase oito horas —ele abre a porta e gesticula para que saíssemos. ————————————————————— A caminhada pela calçada é rápida, só então reparo que estamos parando em frente a casa com aquela janela em frente ao meu quarto. —Achei que seria outra casa —digo para minha mãe que está ao meu lado. —Por quê? Algum problema com essa casa querida? —ela me pergunta sem entender. —Não, apenas achei que seria alguma outra. Meu peito se aperta, como uma mão apertando meus pulmões, me impedindo de respirar, algo me dizendo que não iria gostar do que veria ali dentro.

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