7. Lua

951 Words
Entendi nada o Jd trazendo dono da Vila pra cá, mas relevamos. Eu tinha arrumado o Pietro todinho que estava todo animado pra festinha. O mês inteiro, não paramos um segundo sequer. Correndo de um lado para o outro por aí, buscando o que combinei e tinha feito até trocas, andando até a estação de Camará e indo pra Deodoro buscar as coisas, fiz vários rolos e desenrolos, até no mercadão de Madureira tive que ir. Minha avó estava falando que ia beber até cair, a velha é doida. Tu acha que eu vou deixar? Deixo nada. Tá em condições não, já se foi o tempo. - Luazinha - minha avó choraminga e rio - Uma cervejinha pra sua vó, só uma - reclama fazendo bico e a abraço por ser tão fofa - Pedi aquele moço cheio de tatuagens, e ele não quis me dar. Acredita que nem o neto que eu troquei as fraldas me ajudou? Você e Luan, são dois ingratos. - É para o seu bem, velhinha - beijo sua cabeça - Vai fazer fofoca com a Neiva. - Neiva do céu - minha avó grita chamando atenção e só gargalho dela que vai até a Neiva. Eu amo essa mulher. Entrei na cozinha pelas portas do fundo que fica ali no quintal de trás mesmo e vi Carol mexendo em alguma panela. - Tá comendo antes, viada - chego dando susto nela - Ala, se tivesse fazendo coisa certa, não se assustava. - Se ferrar, Lua - rir e monta um cachorro quente pra ela - Não aguentei, muita fome - faz bico e come. - Cadê o Pietro? - Com o Luan - responde e concordo. - Ela só quer quem é do corre - Luan chega na cozinha cantando e dançando. - Cadê o Pietro? - pergunto reparando que ele não está com a criança. - Não tá contigo, Lua? - pergunta. - Tá vendo o Pietro no meu braço, Luan? - falo indignada - Cadê meu sobrinho? - Roda que nem pião o moleque, vai de braços abertos pra todo mundo - fala dando de ombros. - Motivo pra se preocupar, i****a - bato nele e saio dali procurando pelo Pietro - Jd - o chamo que vem até a mim. - Fala, Lua - me estende um pedaço de carne e abro a boca e ele coloca. - Isso tá bom - ele concorda com a cabeça e sorrir - Viu o Pietro? - Tá ali ô - aponta e sigo com o olhar. Vejo que o Pietro está com o... — Tá ali ô — aponta e sigo com o olhar. Vejo que o Pietro está com o... Acho que é Fofão o vulgo dele, sei lá. — Ele tá com o Fofão que está dando dinheiro pra ele? — Que Fofão? — gargalha da minha cara — É Lobão, doidona. — Tanto faz — dou de ombros — Eu não acredito — ando até ele e cruzo os braços bem na sua frente. — Qual foi, mina? — ele pergunta cínico. — Agora você deu pra colocar dinheiro na mão de uma criança? — pergunto debochada. — Moleque entende já, po. Desde menorzinho já sabe o que é peixe — responde e fico surpresa com tanta palavra desconexa. — Pietro só tem três anos. — Pode dá dinheiro não? — Tirando que ele vai rasgar como qualquer papel? Nenhum problema — finjo dá de ombros. — Tua mãe é chatona, moleque — ele fala pro Pietro. — Sou tia, i****a. — Tu tem noção do que tá falando, né? — concordo — E com quem, né? — concordo outra vez — Gosta de desafiar. Pode pegar o menino, mordo não. — Algum momento eu disse que iria fazer algo com ele? Não vou desconfiar porque chegou do nada... — Eu sou bandido, você não entende isso? — E que diferença faz? Não deixa de ser um ser humano. Tu tá trabalhando, é ilícito, mas é trabalho. Você não vai maltratar uma criança de três anos. Ele fica quieto, me entrega o Pietro e sai dali. Entendi nada. Falei algo de errado? — O que tu falou pra ele, Luana? — Jd chega todo nervoso e dou de ombros — Vou me fuder por ti, doidona — ele rir de nervoso. — Não é nada demais, fica tranquilo. Fica com o Pietro ou dá na mão da Carolina, cuida da vó também, não deixa a veia beber. — Tá ali pilhando pra eu dar uma cerveja pra ela — ele rir — Fica até falando que já cuidou de mim e agora sou ingrato. Me magoou, Lua. — Tu é bandido, se manca — entrego o Pietro — Vou resolver, pra tu não ter o cu comido — pisco e saio da casa. O tal do Tufão está encostado em um carro enquanto fuma. — Vai dividir ou sair correndo putinho? — pergunto e me encosto no carro junto com ele. — Volta pra festa, mina. — Ficou putinho, foi? — debocho e ele revira os olhos — Qual é, falei nada demais. — Falou até demais da conta — me olha de soslaio. — O que eu disse? — Você disse um bagulho que ninguém nunca me falou, garota. — Garota nada, tenho nome. — Ninguém nunca me falou... — esperou eu completar. — Luana. — Entendi o Lua. — Só não entendi o Bafão. — Eu tô com bafo? — bota a mão na frente da boca e rio. — Bafão, o teu vulgo, garoto — ele fica sério do nada. — É Lobão, mina. De onde tu tirou Bafão? — Termina tudo com ão — dou de ombros.
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