Se ela corre, eu caço

1132 Words

Pantera narrando A noite tava pesada, carregada de um silêncio estranho, aquele tipo de silêncio que o morro só faz depois de tiro, como se respirasse fundo antes de soltar a próxima tragada de caos. O cara que eu derrubei tava no chão ainda quente quando ouvi passo leve vindo da viela de cima. Nem precisei olhar pra saber quem era, o coração dela sempre chega antes. Ayla. E quando eu virei… Ela tava lá. Os olhos dela arregalados, a boca entreaberta, o medo estampado igual farol alto na minha cara. A mina tremia. Tremia de um jeito que eu nunca vi. E eu sabia na hora: fodeu. Não por causa do morto, isso faz parte. Mas porque ela viu. Ela. A única pessoa que eu nunca quis que encarasse essa parte minha sem preparo. Falei o nome dela, baixinho, tentando acalmar: — Ayla… Mas parecia

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