Ayla narrando Acordei com a cabeça pesada e o corpo ainda tremendo por dentro. A cena de ontem, Pantera, Fernanda, o fuzil apontado, o olhar dele queimando de ódio, tudo isso continuava preso atrás dos meus olhos. Tentei respirar fundo, mas parecia que o ar enganchava na garganta. Eu salvei a vida da Fernanda. Mas… no fundo, eu ainda não sabia se tinha feito o certo. O banho quente ajudou um pouco, mas não o suficiente. Vesti o uniforme, prendi o cabelo e desci a ladeira rumo ao posto. O morro parecia mais quieto que o normal, os olhares… mais pesados. Como se todo mundo soubesse que ontem algo grande quase explodiu. E, de certa forma, explodiu dentro de mim. Cheguei no posto e já fui recebida pela confusão típica do início da manhã: gente tossindo, criança chorando, senhoras pergunta

