Pantera narrando Acordei cedo, cabeça ainda pegando fogo da noite passada. Ayla tinha passado aqui pra pegar o jaleco e descer pro trampo, mas deixou o cheiro dela grudado no colchão, na minha camiseta, em mim inteiro. E eu tava com aquele misto de calma e raiva boa, calma porque ela dormiu aqui, comigo… raiva boa porque eu sabia que se alguém olhasse torto pra ela hoje, eu quebrava no meio. Só que, quando eu botei o pé na laje, senti que tinha algo errado no ar. Morro tem cheiro quando vai dar merda. E hoje o cheiro tava forte. Os muleque que tava na esquina parou de falar quando eu passei. As dona de casa cochichando na porta. Um cara me cumprimentou e desviou o olhar rápido demais. Eu franzi a testa. — Que p***a é essa? — murmurei. Desci a viela com o passo firme. Pantera não corre

